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Espiritualidade 02: Bênção e maldição

Professor Felipe Aquino
Doutor em Física pela UNESP e pelo ITA; há trinta e cinco anos é professor universitário e foi Diretor Geral do Instituto de Engenharia de Lorena - da USP-SP.
E-mail: felipeaquino@cancaonova.com
Site: http://www.cleofas.com.br/

É impressionante notar como Deus sempre exigiu do povo escolhido, consagrado a Iahweh (Dt 7,6; 14,2.21), a observância das Suas Leis, para que este povo fosse sempre feliz e abençoado. O Antigo Testamento mostra isso.

É no livro do Deuteronômio (Segunda Lei) que essa exigência é mais explícita. Ao povo libertado da escravidão do Egito, Deus manda através de Moisés:

“Observareis os mandamentos de Iahweh vosso Deus tais como vo-los prescrevo” (Dt 4,2).

“Iahweh é o único Deus… Observa os seus estatutos e seus mandamentos que eu hoje te ordeno, para que tudo corra bem a ti e aos teus filhos depois de ti, para que prolongues teus dias sobre a terra que Iahweh teu Deus te dará, para todo o sempre” (Dt 14,40).

É interessante notar também como Deus tem um grande ciúme do seu povo, e não aceita que este deixe de cumprir suas Leis para adorar os deuses pagãos.

“Eu, Iahweh teu Deus, sou um Deus ciumento…” (Dt 5,9).

O Apóstolo São Tiago, lembra-nos esse ciúme de Deus por cada um de nós, ao dizer que:

“Sois amados até ao ciúme pelo Espírito que habita em vós” (Tg 4,5).

Deus não aceita ser o segundo na nossa vida, Ele exige ser o primeiro, porque para Ele cada um de nós é o primeiro. Ele demonstrou isto de maneira clara com o aniquilamento de Jesus por cada um de nós. É por isso que o Primeiro mandamento diz:

“Amar a Deus sobre todas as coisas”; isto é, “amarás a Iahweh teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força” (Dt 6,4).

Esse amor a Iahweh se manifesta exatamente na obediência aos mandamentos:

“Andareis em todo o caminho que Iahweh vosso Deus vos ordenou, para que vivais, sendo felizes e prolongando os vossos dias na terra que ides conquistar” (Dt 5,33).

E Deus manda que os seus mandamentos sejam observados pelos filhos e gravados profundamente no coração:

“Que essas palavras que hoje te ordeno estejam em teu coração! Tú as inculcurás a teus filhos, e deles falarás sentado em tua casa e andando em teu caminho, deitado e de pé. Tu as atarás à tua mão como um sinal, e serão como um frontal ante os teus olhos; tu as escreverás nos umbrais da tua casa, e nas tuas portas” (Dt 6,6s).

São palavras muito fortes que mostram-nos, com clareza, que sem a observância dos Mandamentos ninguém será feliz sobre a terra. Basta olhar toda a miséria do nosso mundo, todas as suas lágrimas e dores, e será fácil constatar porque tudo isto ocorre; simplesmente porque o homem não quer cumprir os mandamentos de Deus. Aquelas Dez Palavras (Dt 4,13.21) que Ele deu a Moisés, escritas com o próprio dedo para significar a Aliança com aquele povo.

Que bom se cada um de nós escrevéssemos essas Dez Palavras no íntimo do coração para jamais esquecê-las!

Quando Deus acabou de dar as suas Leis ao povo, sinal da Aliança, disse-lhes finalmente:

“Vede: hoje estou colocando a benção e a maldição diante de vós: A benção, se observardes aos mandamentos de Iahweh vosso Deus que hoje vos ordeno; a maldição, se não obedecerdes aos mandamentos de Iahweh vosso Deus, desviando-vos do caminho que hoje vos ordeno…” (Dt 11,26´28).

<0p>E as bençãos que Deus promete são abundantes: “Se de fato obedecerdes aos mandamentos que hoje vos ordeno, amando a Iahweh vosso Deus e servindo-o com todo o vosso coração e com toda a vossa alma, darei chuva para a vossa terra no tempo certo: chuvas de outono e de primavera. Poderás assim recolher teu trigo, teu vinho novo e teu óleo; darei erva no campo para o teu rebanho, de modo que poderás comer e ficar saciado” (Dt 11.13´15; Lv 26; Dt 28).

De outro lado, as maldições pesariam sobre o povo se este fosse infiel a Iahweh, não observando seus mandamentos:

“Contudo, ficai atentos a vós mesmos, para que o vosso coração não se deixe seduzir e não vos desvieis para outros deuses … não haveria mais chuva e a terra não daria o seu produto; deste modo desapareceríeis rapidamente da boa terra que Iahweh te dá” (Dt 11,16´17). “Porei sobre vós o terror, o definhamento e a febre… Em vão semeareis a vossa semente, porque os vossos inimigos a comerão. Voltar-me-ei contra vós e sereis derrotados pelos vossos inimigos…” (Lv 26,14s).

E a lista de bençãos e maldições é longa… Veja Dt 28. A escolha depende de cada um de nós… Jesus disse aos Apóstolos:

“Se me amais guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,23). “Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai …” (Mt 7,21) .

A Moral católica está fundamentada nos Dez Mandamentos; por isso, a grande necessidade de serem observados. Toda a terceira parte do Catecismo da Igreja, ensina sobre isso.

Quando aquele jovem perguntou a Jesus: “Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?”, o Senhor respondeu:

“Se queres entrar para a Vida, guarda os Mandamentos: não matarás, não aduterarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho, honra pai e mãe…”(Mt 19,16´19).

Vemos assim, que Jesus ratificou a necessidade de vivermos os Dez mandamentos. Ao falar deles o Catecismo diz:

“Os Dez Mandamentos pertencem à revelação de Deus. Ao mesmo tempo revelam-nos a verdadeira humanidade do homem. Iluminam os deveres essenciais e portanto, indiretamente os deveres fundamentais, inerentes à natureza da pessoa humana. O Decálogo contém uma expressão privilegiada da lei natural (n°2070)´.

Santo Ireneu, no segundo século, dizia:

“Desde o começo Deus enraizara no coração dos homens os preceitos da lei natural. Inicialmente Ele contentou-se em lhos recordar. Foi o Decálogo (Contra as Heresias,4,15,1)”.

A Lei de Deus está registrada nos Mandamentos. Obedecendo-os o homem será feliz e abençoado. Santo Agostinho dizia que Deus os escreveu nas duas pedras, porque o homem já não os conseguia ler no seu coração, endurecido pelo pecado.

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Espiritualidade 01: Fidelidade a Deus

Professor Felipe Aquino
Doutor em Física pela UNESP e pelo ITA; há trinta e cinco anos é professor universitário e foi Diretor Geral do Instituto de Engenharia de Lorena - da USP-SP.
E-mail: felipeaquino@cancaonova.com
Site: http://www.cleofas.com.br/
Professor Felipe Aquino

Há um versículo que aparece pelo menos quatro vezes na Sagrada Escritura: “O justo vive pela fé” (Hab 2, 4; Rm 1,17; Gl 3,11; Hb 10,36). A palavra fé na Bíblia é também traduzida como “fidelidade” a Deus. É a atitude daquele que crê e que obedece o Senhor. Neste sentido São Paulo fala aos romanos da “obediência da fé” (Rm 1,5). A fé é um ato de adesão a Deus; isto é, submissão que implica obediência à Sua santa e perfeita vontade.

A fraqueza da nossa natureza humana impede muitas vezes que a nossa fé seja coerente; quer dizer, às vezes os nossos atos não estão conforme às exigências da fé. Portanto, não basta crer, é preciso obedecer. Depois que o povo hebreu recebeu a Lei de Deus por meio de Moisés, exclamou: “Tudo do que Iahweh falou, nós o faremos e obedeceremos” (Ex 24,7). Esta era a vontade do povo, no entanto, sabemos que este mesmo povo prevaricou tantas vezes prestando culto aos deuses dos pagãos.

Depois que Josué, no limiar da morte, conclamou o povo, a ser fiel a Deus, e só a Ele prestar culto na Terra que Deus lhe dava, o povo respondeu: “A Iahweh nosso Deus serviremos e à sua voz obedeceremos” (Js 24,24). Mas sabemos que logo após atravessar o rio Jordão, e tomar posse da Terra tão esperada, este povo não demorou a render se aos encantos dos deuses dos cananeus. Isto mostra que não é fácil, também para nós, viver a fidelidade a Deus, pois também hoje os deuses falsos nos atraem, e querem ocupar o nosso coração. A obediência sempre foi e sempre será a prova e a garantia da fidelidade.

Foi por ela que Jesus salvou a humanidade, porque fez exatamente o que o primeiro Adão recusara fazer. Na obediência radical a Deus o Cristo desatou o nó da desobediência de Adão e nos reconciliou com o Pai. Da mesma forma, ensinam os Santos Padres, pela obediência da Virgem, ela desatou o laço da desobediência de Eva que lançou a humanidade na danação. A partir daí, a obediência a Deus passou a ser a marca principal daquele que crê. Ela é o melhor remédio para os males que o pecado original deixou em nossa natureza: orgulho, vaidade, presunção, auto suficiência, exibicionismo, etc.

O profeta afirma que: “A obediência é melhor do que o sacrifício” (1Sm 15,22). E Thomas de Kempis, na “Imitação de Cristo”, assegura que: “Obedecer é muito mais seguro do que mandar”. No pátio da Academia Militar das Agulhas Negras, está escrito, para que os cadetes leiam todos os dias: “Cadete, ide comandar, aprendei a obedecer!” Se a obediência é tão necessária para com os homens, quanto mais para com Deus. A outra característica da fidelidade a Deus é o firme propósito de servir-lhe sempre e com perseverança e reta intenção, mesmo nos momentos mais difíceis. Como agrada a Deus o filho fiel! O profeta diz: “Iahweh guarda os passos dos que lhe são fiéis” (2Sm 22,26). E o Senhor Jesus disse: “Muito bem servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar te com o teu Senhor” (Mt 25,21). Tudo o que recebemos de Deus nesta vida, é este “pouco” sobre o qual é testada a nossa fidelidade a Deus.

Ser fiel a Deus é ser obediente às suas leis, à sua vontade, e servir-lhe com toda a alma. Santo Inácio de Loyola afirmava que viver bem é “amar e servir a Deus nesta vida”. Jesus disse aos Apóstolos na última Ceia: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). Portanto, amar a Deus, mais do que um sentimento, é uma “decisão”: guardar os seus mandamentos, cumprir a sua vontade. “Nem todo aquele que diz, Senhor, Senhor,… mas aquele que faz a vontade de meu Pai”(Mt 7,21). Dessas palavras fica claro que amar a Deus é viver os seus ensinamentos.

O Senhor deixou a Igreja para que a Sua vontade fosse expressa e objetivamente conhecida, e não ficasse ao sabor do julgamento de cada um. Ele garantiu à Sua Igreja que o Espírito Santo a conduziria “a toda a verdade” (Jo 16,13), e que a voz da Igreja é a Sua voz. “Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,16). Então, ser fiel ao Senhor, é ser fiel à Sua Igreja, e tudo aquilo que ela ensina. O Papa Paulo VI disse certa vez que: “quem não ama a Igreja, não ama Jesus Cristo”. É lógico, a Igreja é o Corpo de Cristo! Quem não é fiel à Igreja, não é fiel a Jesus Cristo! Quem não serve a Igreja, não serve a Jesus Cristo… A Igreja é o Cristo prolongado na história dos homens. Quando se toca a Igreja, se toca o próprio Senhor.

A fidelidade está muito ligada à perseverança e à paciência. Santo Agostinho disse: “Os que perseveram em vossas companhias sejam vossos modelos. E os que vão ficando pelas calçadas, aumentem vossa vigilância”. E o grande São João da Cruz ensinava que: “A constância de ânimo, com paz e tranquilidade, não só enriquece a pessoa, como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando lhes a solução conveniente.” Mas, para que haja serviço a Deus, perseverante e alegre, e para que possamos amar e cumprir os seus mandamentos, é preciso uma vida de piedade, vigilância e oração, sem o que, a alma esfria.

Sabemos que “mosca não assenta em prato frio”; quando a alma esfria, os demônios se aproximam dela para vencê-la pela tentação. Não seremos julgados pela nossa capacidade intelectual, e nem pela grandeza das nossas obras, mas, como disseram os santos, pela pureza do nosso amor a Deus e pela perseverança nesta vivência. Jesus garantiu que diante de todas as adversidades que virão, “quem perseverar até o fim será salvo” (24,13).

Artigos de Professor Felipe Aquino

Quaresma, a luta contra o pecado 25/02/2010
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Entrevista: Claudete de Freitas da Silva – Coordenadora Geral do SEARA 2009 (Noite de Artes)

Claudete de Freitas da Silva
Serva atuante da RCC de Viçosa, pertencente ao Grupo de Oração "Renascer"
E-mail: de_dete@yahoo.com.br
Site: http://www.rccvicosa.com
Professor Felipe Aquino

Claudete é Coordenadora geral do SEARA 2009. Nesta entrevista, em formato de podcast, ela nos conta como andam os preparativos para o SEARA 2009, além de nos mostrar o que Deus tem prometido para este evento tão maravilhoso: SEARA 2009.

Monsenhor Modesto Paiva – O construtor do Santuário

José Mário da Silva Rangel
Redator do Jornal Folha da Mata - Viçosa - MG
E-mail: rangelvicosa@gmail.com
Site: http://www.rccvicosa.com
Claudete de Freitas da Silva

“Edificada, sob um clima de fé, sacrifício e esperança, a matriz de Santa Rita conheceu, desde seus alicerces, a têmpera e o dinamismo de um padre que não se deixou vencer pelas dificuldades que encontrou… Nos caminhos espirituais de Viçosa, de seus muitos vigários que por aqui passaram e aqui ainda permanecem, o rebanho guarda com carinho a lembrança deste velho amigo, de quem a matriz de Santa Rita é presença permanente. Enfeitando a praça principal de Viçosa, a terra de Bernardes é grata ao Cônego Modesto de Paiva, velho Pastor e virtuoso amigo. Viçosa conta com o privilégio de conhecer um Santo,” ressalta a publicação “Centenário de nascimento de Dr. Arthur Bernardes” (1975).
A 6/11/1950, vaticinando o futuro luminoso da Terra de Santa Rita, o Cônego Modesto liderou o início da construção do Santuário. a 9/5/1951 foi lançada a pedra fundamental do templo. “E isto aconteceu porque um vigário de qualidades excepcionais, encarnação perfeita e completa da autoridade, padrão das mais puras e nobres virtudes, o enérgico e humilde, culto e despretencioso, pobre e desprendido, infundidor de confiança e catalizador de boa vontade, ergueu a sua batuta e comandou a orquestra do querer e realizar de seus paroquianos. Assim, em tempo recorde, a Santa Padroeira ganhou a sua morada e Viçosa assistiu a construção de sua bela Matriz[...] Solenidade inesquecível, de ordenação de vários sacerdotes saudou o novo e admirado templo.

Cerimônia brilhantíssima de consagração, promovida pelo nosso querido Arcebispo Dom Oscar de Oliveira e pelos Bispos Dom Rodolfo e Dom Lázaro e programada para o término da decoração e montagem dos altares, por ocasião da festa da Padroeira, realizou-se…”, destacou a imprensa.
Idoso, Monsenhor Modesto, tido em Viçosa como um semideus, passou seus derradeiros anos em Tabuleiro do Pomba, de onde classificou como inesquecíveis seus paroquianos viçosenses. Disse ele: “Esquecer-vos? Nem na eternidade!” Falecido a 16/2/1996, em Juiz de Fora, ele foi sepultado no Cemitério Dom Viçoso. Seus restos mortais foram transladados a 19/5/2005 para o Batistério do Santuário, este templo considerado marco da capacidade e generosidade do povo viçosense.
Sobre este fato o professor José Marcondes Borges relatou, em 2001, o seguinte: “Uma pequena e pobre cidade pôde, em quatro anos, conduzida por um autêntico líder, construir uma obra majestosa, a nova Matriz de Santa Rita de Cássia e, confiante, então, em sua real capacidade, encetar um ciclo progressista de construções que ainda permanece, cinqüenta anos depois. Na verdade, a cidade era pequena, pois, conforme a Enciclopédia Mérito, era habitada por 6.424 moradores, em julho de 1950.”
A 28/2/1947, Cônego Modesto foi empossado Pároco de Viçosa, aqui permanecendo até 12/10/1955. Nascido a 16/6/1898, em Santa Bárbara (MG), num arraial chamado Brumado, hoje Brumal, aos 14 anos iniciou seus estudos no Colégio Caraça, com os padres lazaristas. Formado no Seminário de Mariana, foi ordenado padre a 29/11/1925. Foi coadjutor e vigário de Cataguases, onde esteve por 9 anos, e de Santana dos Ferros, tendo trabalhado ainda em Belo Horizonte e São João Del Rey e exercido a vice-reitoria do Ginásio de Dom Helvécio, além da capelania da Escola Normal Nossa Senhora do Carmo, de Viçosa, a partir de 1943, por 4 anos.

“Pude ver, em 12/12/1953, a Igreja construída, dependendo apenas de lisar o piso e improvisar um altar que deixei lá. Improvisado este altar, o arcebispo pôde celebrar missa, ordenando cinco padres: padre Pedro Lopes, padre Rubim, já falecido, padre Wandick e padre Valente e um outro que se fez monge, padre frei Thiago,” disse Monsenhor Modesto em entrevista a órgão de imprensa de Viçosa.
“A cidade era muito pobre. Toda ela de construção de cor amarela e os portais e janelas de cor roxa. Eu disse ao povo: vamos construir a Igreja que a cidade vai melhorar. E de fato a cidade melhorou muito [...] Na festa de Santa Rita, de 1953, foi muito dinheiro que me deram. Eu pude comprar muito material caro de São Paulo, levando ainda três operários especializados de São Paulo, para acabamento da Igreja. Tudo ficou pronto.”

Seu epitáfio, no Santuário, fez justiça a sua obra: “MODESTVS, SACERDOS INCLITVS, HOC TEMPLVM MAGNA SEDVLITATE POSVIT – Sacerdos Modesto Paiva – Parochus: 1947-1955 – * 16/6/1898 – + 16/2/1996 (Tradução: Modesto, ínclito sacerdote, com grande zelo construiu este templo).

Pedra Fundamental do Santuário de Santa Rita de Cássia

Iniciado o Santuário com a escavação e a laje de base da torre, sua pedra fundamental, sobre ela se inscreveu:
“No dia 9 de maio do ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1951, sendo Sumo Pontífice Pio XII, Arcebispo da Igreja de Mariana Helvécio Gomes de Oliveira, Pároco, Modesto Paiva, para edificar esta lápide, projetada por Octavio de G. Freire e feita por Vicente da Paixão, sob a direção de Mário das Neves Machado com seu cooperador José Marcondes Borges, os cidadãos viçosenses com ardor ofereceram os recursos, favorecendo Santa Rita”.

A inscrição original, como se vê na foto, é esta:
“ANTE DIEM VII IDUS MAIAS ANNO DOMINI NOSTRI JESU CHRISTI MCMLI, SUMMO PONTIFICE PIO XII ARCHIEPISCOPO ECCLESIAE MARIANNENSIS HELVETIO GOMES DE OLIVEIRA, PAROCHO MODESTO PAIVA, AD HANC EXSTRUENDAM LAPIDEM, AB OCTAVIO DE G. FREIRE DELINEATAM ET A VINCENTIO DA PAIXÃO CONFECTAM, DIRIGENTE MARIO DAS NEVES MACHADO CUM EJUS COOPERATORE JOSEPH MARCONDES BORGES, INFLAMMANTER NUMUM CIVES OBTULERUNT VIÇOSENSES, SANCTA FOVENTE RITA.” Monsenhor Modesto deixou Viçosa, como vigário, a 12/10/1955, após a consagração do templo, com a ordenação de padres e a presença de três bispos em Viçosa.

Profa Leda de Bittencourt Bandeira – fundadora da Apov

José Mário da Silva Rangel
Redator do Jornal Folha da Mata - Viçosa - MG
E-mail: rangelvicosa@gmail.com
Site: http://www.rccvicosa.com
José Mário da Silva Rangel

Sob a orientação do Cônego Antônio Mendes surgiram cursos bíblicos universitários que culminaram em movimentos como a Pastoral da Oração de Viçosa (Pov), dentro das diretrizes do Concílio Ecumênico Vaticano II, que deu origem a uma associação, a Apov, com sede na rua Joaquim Nogueira, 235, em Nova Viçosa, dirigida inicialmente por uma mulher sublime, que teve um coração nobre, e que por isso deixou uma obra notável. Personalidade sem igual, que alcandorou-se em santa, foi ela a professora Leda de Bittencourt Bandeira, nascida em Coimbra a 27/3/1936 e falecida a 2/1/2003, diga-se de passagem, no Dia de Santa Teresinha do Menino Jesus, de quem fora particular devota.

Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, a quem ela dedicou grande amizade e, além disso, um belíssimo hino, dentre os tantos que compôs em parceria com a musicista Maria Noêmia Ferreira Lopes, foi uma das presenças em seu velório, na Capela Mortuária do Hospital São João Batista. Sepultada no Cemitério Dom Viçoso, há quase seis anos portanto não contamos mais com a presença física da teóloga, poetisa, escritora e professora de História da Educação, que integrou os quadros da Academia de Letras de Viçosa e muito contribuiu para o enriquecimento da literatura religiosa e infantil.

Ela formou, fortaleceu e ampliou a Apov (Associação Assistencial e Promocional da Pastoral da Oração de Viçosa). Mas acreditamos, graças a Deus, em sua presença espiritual junto à entidade que, com o apoio de um grande voluntariado, a cada dia mais se desenvolve, fazendo germinar a Sementinha, produzindo saborosos frutos.

Cidadã honorária de Viçosa, ela criou e direcionou projetos que priorizam a infância em situação de risco pessoal e social. Ela e os voluntários buscaram em estagiários da Universidade e pessoas da comunidade viçosense, o subsídio financeiro e técnico, envolvendo-os no Centro Comunitário que depois recebeu o nome dela, em Nova Viçosa, e que atende a centenas de pessoas. Mais de duas dezenas de alunos da Escola Criança Feliz, no bairro de Nova Viçosa, foram parte integrante, por sua influência pessoal, da assistência educacional das freiras carmelitas. Ali, para os que assim o desejassem, houve, desde o início dos trabalhos, ensino gratuito assegurado até o Ensino Médio. Em Nova Viçosa, uma classe anexa do Ensino Fundamental, destinada a crianças carentes, em parceria com a Apov, foi considerada um fiel exemplo do trabalho proposto por Madre Maria das Neves, fundadora do Carmo.

O treinamento de lideranças, campeonatos esportivos, lazer, festas folclóricas, coral e violão, afoxé, teatro, dança, tricô, crochê, corte e costura; aulas de reforço do Ensino Fundamental e Médio, alfabetização de adultos em 3 turnos, formação cultural, moral e cívica; catequese e cursos bíblicos; treinamento de agentes de saúde e atendimento num mini-posto, encaminhamentos e visitas a enfermos em domicílio, prevenção às drogas; fabricação caseira de salgados, doces, quitandas e gelados para consumo e repasse, são alguns dos “talentos” que Leda e seus mais de 70 voluntários, seguindo as diretrizes do Cônego Mendes, compartilharam, nos últimos 25 anos, com os menos abastados de Nova Viçosa e Posses.

Cantina e bazar, aulas de computação, fotografia e filmagem são programas intensivos e bem administrados, realizados no salão social, e que melhoraram sobremaneira o nível de vida daquele bairro popular viçosense, surgido em 1977, ligado à Paróquia de Fátima, e que antes da Apov era praticamente desvalido.

Doação de brinquedos no Natal

Prossegue a campanha da Pastoral da Criança e do Menor pela doação de brinquedos para crianças até 12 anos. Interessados em contribuir devem entregar suas doações na Secretaria Paroquial, no Santuário de Santa Rita de Cássia, na praça Silviano Brandão, em Viçosa, onde está centralizado o posto de arrecadação. A coordenação da campanha “Faça uma criança sorrir neste Natal”, da Pastoral da Criança e do Menor, sediada no Centro Regional da Pastoral da Criança e do Menor, no Edifício Padre Carlos (sala 131 do prédio nº 30, ao lado do Santuário), na referida praça, informou que as doações devem ser preferencialmente entregues no templo central, pois é a Paróquia de Santa Rita é que distribuirá os brinquedos às demais paróquias.

Igreja católica lança campanhas de Natal e ajuda aos catarinenses

A Arquidiocese de Curitiba lançou a Campanha de Natal 2008, com o tema “Natal com Jesus é Natal”. A novidade é o lema “Jesus é o sentido da vida”, que será renovado a cada ano com o intuito de trazer novas reflexões à comunidade. O arcebispo metropolitano, dom Moacyr Vitti, aproveitou a oportunidade para lançar também uma campanha de doação de alimentos e agasalhos para os desabrigados pela chuva em Santa Catarina.

Criada há três anos, a Campanha de Natal da Igreja Católica tem o objetivo de marcar a presença de Jesus Cristo entre a população. “Antes, só se via a figura do Papai Noel. Hoje, o Menino Jesus e o presépio estão voltando a fazer parte dessa época tão importante para todos nós”, afirma dom Moacyr.

Para o arcebispo, o Natal é um período que toca o coração das pessoas e, justamente por isso, não se pode esquecer dos milhares de catarinenses ví timas dos temporais dos últimos dias. “É preciso abrir o coração em forma de generosidade para esses nossos irmãos”, diz. Segundo ele, todas as 134 paróquias da arquidiocese serão estimuladas a oferecer donativos que serão entregues à Defesa Civil de Santa Catarina.

Na opinião de dom Moacyr, catástrofes como essa ou mesmo a crise financeira mundial são momentos em que a humanidade deve refletir sobre certas atitudes que vem tomando. “É nessas situações que precisamos refletir sobre como estamos vivendo, sobre qual o sentido de nossas vidas. E, como diz o lema da campanha, Jesus é o sentido da vida”, afirma o arcebispo.

Fonte: Gazeta do Povo – PR

Entrevista: Andrea Conceição Cândido – Coordenadora do Searinha 2009


Andrea Conceição Cândido é Coordenadora do Searinha 2009. Nesta entrevista, em formato de podcast, ela nos conta como andam os preparativos para o Searinha 2009, além de nos mostrar os motivos pelos quais os pais não precisam se preocupar ao deixar as crianças no Searinha 2009.

Por que o Encontro Nacional de Formação (ENF) é tão importante para a RCC

Cada encontro na RCC tem sua unção própria, com objetivos definidos e suas conseqüências. O Encontro Nacional de Formação de Coordenadores e Ministérios traz consigo (como o nome indica) a unção da formação, visando a unidade da RCC, a partir de sua identidade. Tem por objetivo aprofundar a reflexão sobre a missão própria da RCC, na Igreja e no mundo, tendo como pressuposto o batismo no Espírito Santo e o serviço de anúncio do Evangelho a partir de uma vida plena do Espírito.

Participar do ENF significa comprometimento com a unidade do movimento, uma vez que, além da experiência pessoal de Deus que cada participante vivencia, o encontro proporciona a possibilidade de amadurecimento e ampliação na compreensão da própria vocação no serviço ministerial.

Compreendemos ser o ENF uma inspiração do Espírito Santo para a RCC, pois, sendo lugar de formação, partilha, oração e escuta ao Senhor, sairemos impulsionados por este mesmo Espírito (cf. Mt 4,1) para anunciar o Evangelho de Jesus Cristo.

O tema discernido para o ENF de 2009: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16), quer nos despertar para a dimensão missionária da RCC. Sair da “acomodação ao ambiente” (Doc. Aparecida, 362) e lançar-se, com fervor na missão. O anúncio do Evangelho de Jesus Cristo não pode ser facultativo na vida do discípulo. Não é privilégio de um único grupo (ministério de pregação, por exemplo). Anunciar Jesus Cristo é conseqüência natural de quem O aceita como salvador pessoal. Quem se cala, depois de tê-lo encontrado, acaba por esfriar o ardor do primeiro amor. “Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo é uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor nos confiou aos nos chamar e nos escolher.” (Doc. Aparecida n. 18)

É por todos esses motivos e pelas muitas surpresas que Deus nos reserva no ENF 2008 que convidamos você, irmãos coordenadores a participar e motivar os servos de seu Grupo de Oração e diocese a estarem presentes nesses dias que Deus nos reservou. Organize sua caravana, e juntos caminhemos rumo à maturidade de nossa vocação!

Fonte: RCC Brasil (www.rccbrasil.com.br/)
Rogério Soares- Assessor Nacional de Formação

Padre Geraldo Martins Paiva: Sacerdote zeloso; Pastor amado

José Mário da Silva Rangel
Redator do Jornal Folha da Mata - Viçosa - MG
E-mail: rangelvicosa@gmail.com
Site: http://www.rccvicosa.com
Andrea Conceição Cândido

Estivesse ainda entre nós, estaríamos celebrando o seu Jubileu Áureo Sacerdotal. Ordenado na Sé Catedral de Mariana a 30/11/1958, celebrara sua primeira missa cantada no Santuário de Santa Rita de Cássia a 7/12 daquele mesmo ano. Mas há exatos 7 anos pranteávamos o falecimento daquele que foi um dos que mais fomentou, em todos os tempos, a devoção a Nossa Senhora em Viçosa, cidade que o viu nascer a 8/8/1925. Cinco mil pessoas participaram de suas exéquias.

Vigário cooperador de Santa Rita entre 1959 e 1964, pároco de Jequeri, e Calambau e de Pedra do Anta, primeiro pároco de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, desde 1975, durante 20 anos, Padre Geraldo Martins Paiva foi um sacerdote “expansivo, caritativo, prático e operoso [...], sua santidade existencial era irradiante; seu zelo pastoral, ardente; sua sinceridade, atraente; seu tino administrativo, inigualável; seu devotamento à Igreja, ininterrupto; sua vida ilibada, brilhante como o sol”, na sábia definição de seu colega no Seminário de Mariana e conterrâneo Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho.

Coube-lhe a tarefa de liderar uma campanha gigantesca junto ao seu fiel rebanho para que fosse feita a terraplanagem da área onde, com armação feita de eucalipto e de bambu e revestimento de folhas de coqueiro, se construiu a primeira versão da Igreja Matriz. Simpatia, dedicação e capacidade de trabalho foram alguns de seus atributos. E “ao lado de construir a Igreja-templo, nunca se esqueceu de construir a Igreja-comunidade… Estava disponível e acessível ao povo a qualquer hora, em qualquer lugar… inclusive gostava de visitar os enfermos nos hospitais”, como bem recorda o cronista viçosense e professor José Dionísio Ladeira. “Todos ficávamos encantados como ele conseguia ajuda material do povo”, realça.

Capelão em Viçosa do Patronato Agrícola, Colégio Normal e Hospital São São João Batista, atuou em toda a dimensão pastoral além do soerguimento do templo físico. Sua grande disponibilidade e facilidade de comunicação conquistaram seus paroquianos, possibilitando a construção da moderna Matriz, com 800m² de área útil para acolher mais de mil pessoas. Seus colegas de sacerdócio compararam seu perfil ao de São João Maria Vianey.

Humilde, paciente, acolhedor, carismático, simples, sempre presente nas atividades e setores vários da vida de Viçosa, fiel à missão de pastor, foi uma personalidade indispensável, essencial, na vida comunitária. Um ser humano “autêntico, comunicativo, alegre e amigo”, na opinião unânime de seus paroquianos.


Na primeira fila, Pe. Geraldo é o quinto, da esquerda, na foto, ladeado por missionários capuchinhos e pregadores da Semana Santa de Viçosa em 1960, tendo junto dele, à direita, padre Carlos dos Reis Baêta Braga; e à esquerda os padres José Martins e José Geraldo Vidigal de Carvalho e um sacerdote lazarista; e atrás, partindo da esquerda e do alto, os festeiros Dr. José Lopes de Carvalho, Alvino Machado, José Lopes Fontes Filho (Nonô), Custódio de Souza Parreira, César Sant’Anna Filho (Cesinha), Dr. Raymundo Alves Torres, Antônio Sant’Anna Gomide (Totone), João Cupertino de Souza, Geraldo de Lucas, Agostinho Vaz de Mello (Zutinho), Geraldo Lopes da Silva (Ladito), Waldir Pinheiro, Michel Marum, Geraldo Rodrigues Bento e Antônio Rafhael Teixeira Filho (Tonito)