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RCC Viçosa – Renovação Carismática Católica de Viçosa
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"Saibam que Javé faz maravilhas pelo seu fiel: Javé ouve quando eu o invoco."(Salmo 4)

Um século de doação


Pároco do Santuário Santa Rita de Cássia. Jubileu de Prata Sacerdotal 1984 - 2009
E-mail: santuariosrc@lince.tdnet.com.br
Site: http://www.rccvicosa.com

Encontrei-a assentada em um dos últimos lugares daquele amplo e majestoso espaço, envolto pelo enorme silêncio da primeira hora da tarde de um domingo. Era o interior da Igreja Matriz de Abre Campo. Estava aguardando a chegada de seu irmão. Eu era apenas um adolescente. Costumava chegar cedo para preparar o ambiente da adoração. A conversa com ela foi extremamente agradável. Sou irmã do padre. Freira, Natalina. Ah! Sim, ele sempre fala com muito carinho a seu respeito. Nascia ali uma amizade cheia de ternura e apreço.

Aquela figura tão simpática, com traços de nobreza, vestida de modo tão modesto e digno ao mesmo tempo, despertou-me admiração. Já conhecia sua bela história. Com seu rosto portando um olhar e um sorriso de quem se orgulha do que narra, o inesquecível Monsenhor Geraldo contava com emoção sobre Irmã Natalina. Conhecê-la tornou-se uma honra que me alegrou a alma.

Filha de Rita Galvão Val e José Braz da Costa Val, nasceu aos 18 de dezembro de 1910, em Viçosa e faleceu a 24 de abril deste ano de seu centenário. Suas irmãs, Maria da Conceição, Luzia, Stellla e Theresinha, tiveram a alegria de ter um padre e três religiosas em sua casa: duas Carmelitas, ela e a Irmã Ignez e uma Vicentina, Irmã Maria de Lourdes.

Quando era Postulante, sua mãe faleceu. Seu pai foi buscá-la para ajudar na formação  e cuidado dos irmãos. Irmã Ignez estava apenas com dois anos. Depois que a Irmã Ignez já estava na Congregação e seu pai faleceu, Irmã Natalina regressou logo para o Convento.

Honrar sua memória hoje passa pela recordação da rica história do carisma que a encantou. Voltemos, então, ao final do século XIX. Era 1899, ocasião em que no Rio de Janeiro, mais precisamente no coração de Rita de Cássia Aguiar, abrigava um sonho que, regado com a paciência dos que crêem, foi se traduzindo em realidade. Como gaivota, o ideal da agora Madre Maria das Neves alçou vôos tão altos que conseguiu pousar não só na capital fluminense, mas em outros lugares próximos e distantes, surgindo assim a Congregação das Irmãs Carmelitas da Divina Providência. Como um pássaro que busca as alturas, Irmã Natalina aninhou seus sonhos no carisma do Monte Carmelo.

Seu nome civil era: Maria da Conceição Costa Val, tendo recebido o nome religioso de Maria Natalina da Encarnação. Fez sua Primeira Profissão no dia 16 de agosto de 1942. Na vida religiosa consagrada, gostava muito da pastoral educativa nas escolas e trabalhou em várias casas da Congregação, entregando sem reservas a sua vida a serviço dos irmãos, fazendo do dom absoluto de sua vida UM SÉCULO DE DOAÇÃO.

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Evangelho da Semana (João 10,27-30)


— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!


Naquele tempo, disse Jesus:
27“As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão.
29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz”.

É essencial ao nosso coração sermos lembrados a cada momento que não pertencemos a nós mesmos. Como diz São Paulo, “quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rom 14,8).

Às vezes, determinados acontecimentos em nossas vidas geram em nós a sensação de solidão, como se estivéssemos sozinhos e os nossos passos não nos levassem a lugar nenhum. Contudo, quando Jesus, tão carinhosamente, se refere a nós, dizendo que somos suas ovelhas, isto nos dá a certeza de que nunca estamos sozinhos, nem nunca estaremos, porque Jesus nos recebeu das mãos do Pai e nos assumiu na vida dele, a ponto de ouvirmos de seus lábios que ninguém poderá nos roubar de suas mãos.

Se pertencemos ao Senhor, porque foi Ele quem nos criou e nos preserva por amor, tudo o que nos acontece tem um sentido e um objetivo: levar-nos sempre mais para perto de Deus que nos ama, e que tem para nós plenitude de vida.

Para ouvir a voz do pastor é necessário conhecê-lo, não apenas com a inteligência, à luz da razão, mas sobretudo com o coração; ouvi-lo, não com os ouvidos humanos, mas com alma contemplativa, voltada para a obra de salvação por Ele realizada a nosso favor, desde a sua encarnação, passando pela vida, paixão, morte e ressurreição, deixando-nos, ainda, sua promessa de que estaria conosco todos os dias, até o final dos tempos (Mt 28,20).

Refletindo sobre estas verdades, concluímos aliviados: não estamos sós. Deus me ama, e, em Jesus, encontro a vida que não é ausência de dor e de sofrimento, mas garantia de paz, porque tenho um pastor que se importa comigo, que me toma pela mão e me guia às fontes de águas puras, restaurando as forças de minha alma (Salmo 22).

Precisamos estar atentos às oportunidades que o Pastor nos concede para ouvirmos sua voz: Ele está sempre a nos falar: nos encontros de espiritualidade, nas homilias, nas leituras bíblicas, na vivência dos sacramentos, na oração pessoal e, ainda, de muitas outras formas. Ouvir a sua voz e segui-lo é condição primordial para estarmos seguros em suas mãos, e podermos permanecer de pé, mesmo quando os ventos forem contrários, porque, conforme São Paulo, “sabemos em quem depositamos nossa confiança” (II Tim 1,12).

Debaixo da tua figueira


No Evangelho de São João há a descrição de forma muito interessante do encontro de Jesus com os primeiros discípulos, o que pareceu bastante ocasional, pois Jesus estava passando (João 1, 36).

É possível entender que tudo o que para nós é simplesmente ocasional, para Deus não, há um proveito e uma intenção em todos os momentos de nossas vidas, foi assim com os discípulos pelo que conhecemos da Escritura e acreditamos que acontece da mesma forma até os dias de hoje.

Jesus passava e ia convidando àqueles que ele queria como explica a Palavra. No Evangelho de São João há um diálogo profundo entre Jesus e Natanael que esclarece isso, pois, apesar de Filipe testemunhar que havia encontrado àquele que Moisés havia dito na lei, o messias, filho de José de Nazaré; Natanael não se sentiu empolgado e mais ainda, duvidou de que da cidade de Nazaré pudesse sair coisa boa (Jo 1, 46).

Ao ver Natanael, Jesus mostra a ele primeiramente que conhecia o seu caráter ao chama-lo de verdadeiro israelita, no qual não há falsidade (Jo, 1,47), ele por sua vez questiona Jesus com certo estranhamento: “Donde me conheces?” e Jesus responde o que Natanael não esperava e nós também por muitas vezes não esperamos ou esquecemos: “Antes que Felipe te chamasse, eu te vi quando estavas debaixo da figueira.” (Jo, 1, 48).

Lendo um pequeno texto sobre esta passagem, o autor explica que estar embaixo daquela figueira poderia representar as coisas pessoais que Natanael estava vivenciando que somente ele e Deus sabiam – e continua – a figueira que parecia ser um lugar de solidão apenas de Natanael, era também lugar de Deus que o havia visto a pensar na vida e nas decisões que precisava tomar.

O que podemos pensar sobre tamanha sabedoria de Jesus está relacionado ao quanto Ele também confia em nós, por isso chamou Natanael que nem acreditava que dele pudesse vir algo de bom; e continua chamando até os dias de hoje, Deus confia em nós, por isso nos vê sentados embaixo da nossa figueira e assim mesmo, nos convida, ele diz: “Vem e segue-me”.

A fala de Jesus muito impressionou Natanael que logo mudou o discurso reconhecendo: “Rabi, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel” e Jesus responde: “Verás coisas maiores do que essas…” (Jo, 1,49).

As vezes não escutamos a voz do mestre e ficamos sentados tentando resolver todas as coisas, como se Ele não soubesse de todas elas, não pudesse nos auxiliar ou ensinar o melhor caminho e dessa forma, nos sentimos tão aprisionados que nos é impossível ver coisas maiores como bem disse Jesus, a gente não acredita que ele também confia em nós.

Deus nos conhece perfeitamente, sabe que pecamos, erramos, mas a todo o momento ele não deixa de confiar em nós, de dizer que nos vê e sabe que tipo de homem e mulher somos, é assim mesmo, não de outro jeito ou do jeito como gostaríamos. Ele vê e nos diz hoje, mesmo que só acreditemos porque lemos agora que ele também nos vê como viu Natanael e tantos outros, devemos crer que poderemos ver coisas maiores, basta reconhece-lo, nos apresentarmos e segui-lo pelo caminho.

Esse diálogo profundo entre Jesus e Natanael mostra a presença de alguém que o conhecia quando estava isolado, pensativo debaixo de sua figueira. Pela fé que temos podemos pensar que Jesus também dialoga conosco o tempo todo, dizendo para que possamos confiar nele e não esquecer que Ele também confia em nós, pois nos vê sempre debaixo da nossa figueira e que se nós crermos veremos coisas ainda maiores.

Repito: “Ele nos vê, ele confia em nós!”

NESTA QUARTA-FEIRA, DIA 21/04/10 ACONTECERÁ MAIS UMA NOITE DE CURA, NO GRUPO DE ORAÇÃO RESGATE

Acontecerá amanhã, quarta-feira, dia 21/10/10 mais uma noite de cura na Capela da UFV, a partir das 19h15′. Haverá: Missa, Adoração ao Santíssimo e Oração por Cura. Convide seus amigos, parentes, vizinhos e junte-se a nós em mais uma noite de cura, bênçãos e milagres em nossas vidas!

Evangelho da Semana (João 21,1-19)


Servo atuante na RCC Viçosa, pertencente ao Grupo de Oração "Cenáculo do Senhor"
E-mail: deliodacapela@yahoo.com.br
Site: http://www.rccvicosa.com
Flaviane Ferreira

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!


Naquele tempo, 1Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim:
2Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus.

3Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”.
Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. 4Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?”
Responderam: “Não”.
6Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”.
Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. 7Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!”

Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. 8Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes.
Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. 9Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão.
10Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”.
11Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu.
12Jesus disse-lhes: “Vinde comer”.

Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe.
14Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos. 15Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?”
Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”.
Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”.
16E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?”
Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”.

Jesus lhe disse: “Apascenta as minhas ovelhas”.
17Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?”
Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”.
Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas.
18Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”.
19Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Ao romper do dia…

Fico imaginando como devia estar o coração dos discípulos de Jesus naqueles dias, após a sua morte e sua ressurreição manifestada nas duas aparições anteriores narradas pelo Evangelista João.

Penso que deviam estar como que anestesiados, primeiro pela morte recente de Jesus e, por causa deste fato, estarem privados da companhia amável do Senhor e ao mesmo tempo também estavam perplexos com a Sua ressurreição, algo ainda incompreensível para eles.

Deve ser este o motivo daquela reação inusitada de Pedro: “Vou pescar”. Soa como se dissesse: “Vou fugir, pois esta situação está muito difícil e não vejo saída para nenhum de nós. Estamos perdidos. Por isto vou voltar à minha vida tranqüila de pescador de peixes. Eu não tinha os problemas que tenho hoje. A vida era mais fácil…” Ele estava voltando para a vida velha e por um momento havia se esquecido que foi chamado a ser pescador de homens. E não era só ele que se sentia assim, pois outros seis discípulos o seguiram.

E se na cabeça daqueles homens a situação estava ruim, ela ficou pior ainda. Lançaram as redes durante a noite inteira e nada pescaram. Se eles estavam tristes e abatidos no dia anterior, imagine agora.

Mas ao romper do dia, Jesus estava de pé na praia, mas os discípulos não sabiam que era Ele.

No coração dos discípulos só havia tristezas e lamúrias, e já de manhã Jesus estava na margem do lago de Tiberíades e os discípulos não reconheceram que o Mestre era quem estava ali, pois naquele momento Jesus estava também à margem do coração deles. Naquele momento Ele não era o centro da vida dos que estavam na barca, pois as preocupações e o medo de cada um com o futuro devia estar ocupando este lugar. Por isto não reconheceram o Senhor. Tudo fica mais difícil quando tiramos Jesus do centro da nossa vida. As dificuldades tornam-se bem maiores e o nosso cansaço aumenta consideravelmente. E tudo isso faz com que o nosso olhar se desvie do Nosso Senhor Jesus Cristo se fixando nas nossas necessidades e nos nossos problemas.

“O povo que andava na escuridão viu uma grande luz, para os que habitavam as sombras da morte uma luz resplandeceu” (Is 9, 1). Aleluia! Glória a Deus!

É Jesus novamente quem toma a iniciativa do encontro e pergunta aos pescadores se eles têm alguma coisa para comer. E eles respondem com toda sinceridade que não. Só pode ser cheio aquilo que está vazio. Só recebe auxílio na direção quem reconhece que está perdido. E quando Jesus manda que joguem a rede do lado direito da barca, com certeza Pedro e os outros sentiram um frio correndo pela espinha. Eles já haviam escutado aquela frase. E sem discutir jogaram a rede, e foram tantos peixes que não conseguiram puxá-la para dentro da barca. Todos ali, por já haverem presenciado este milagre antes, já deviam estar olhando para aquele homem na margem do lago com os seus corações ardendo, como os discípulos de Emaús ao ouvirem as palavras de Jesus.

Mas foi João, o mais jovem de todos, quem teve a coragem de externar o que o seu coração gritava: É o Senhor! Os corações mais simples têm esta capacidade de enxergar com mais facilidade o Senhor e de revelar aos outros Sua presença no mundo.

Quando escuta que é o Senhor, Pedro desce do barco e nada até a margem. Tem pressa de ficar perto do Senhor. Naquele momento Jesus continuava na margem do lago, mas já era de novo o centro do coração de cada um daqueles discípulos e por isto os outros também chegam rapidamente com o barco, ávidos por ver O mestre e escutar suas palavras.

Quando eles chegam à praia Jesus os esperava com brasas acesas com peixe e pão em cima delas. E Jesus pede para que tragam alguns peixes dos que tinham apanhado. Jesus já tinha preparado a refeição para eles, mas Ele sempre valoriza o nosso esforço. Por menor ou mais insignificante que seja o nosso trabalho humano, Jesus quer sempre contar com ele para alimentar aos outros e a nós mesmos.

E logo depois Ele pergunta a Pedro três vezes: Tu me amas? E esta pergunta deve ter acompanhado Pedro em toda a sua vida, quando foi colocado diante do Sinédrio, quando foi preso em Jerusalém, e tempos depois, no derradeiro momento do seu martírio.

Tu me amas? É esta mesma pergunta que Jesus faz a cada um de nós e a melhor resposta que podemos dar não é com as palavras, mas com o exemplo da nossa vida. Que esta pergunta também nos acompanhe durante toda nossa trajetória, pois todos os dias nós temos a oportunidade de começar de novo.

O trabalho doméstico


Pároco do Santuário Santa Rita de Cássia. Jubileu de Prata Sacerdotal 1984 - 2009
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Délio Duarte

Olhando de perto toda atividade humana possui seu encanto. Há, porém, no rol dos afazeres os que trazem peculiar afeição; entre as quais, podíamos destacar o trabalho doméstico. É no interior dos lares que vem à tona a espontaneidade e transparência da vida. A faina diária elege o ambiente familiar como espaço privilegiado para recomposição das energias e harmonização existencial.

Quem sai de sua residência para o exercício de sua profissão na de outrem, de alguma forma se insere no contexto privativo do local de trabalho. Os resultados podem ser os melhores ou não. O aspecto afetivo não isenta o cultivo dos parâmetros profissionais.

No passado, existia em muitas paróquias a Associação de Santa Zita. Os altares barrocos das igrejas históricas, com sua catequese iconoclasta, expõem a imagem de sua padroeira. Os arquivos paroquiais dão conta da existência da referida associação, descrevendo épocas em que ficara inativa e reflorescendo com viço noutras, inclusive na atualidade.

Afinal, quem foi Santa Zita? Natural de Montesegradi, Itália, filha de pais pobres, honestos e piedosos, nasceu Zita em 1212 e, graças à sólida educação que recebeu na casa paterna, bem cedo seguiu o caminho da virtude e da perfeição cristã. Graças à sua mansidão e modéstia, Zita era uma menina querida de todos. Dada ao recolhimento e ao trabalho, aos doze anos empregou-se na casa de uma família nobre, residente perto da Igreja de São Fridigiano, na cidade de Luca. Bem cedo, antes dos outros se levantarem, Zita participava da Santa Missa. Durante quarenta e oito anos Zita trabalhou naquela casa. Não perdia a Missa, nem se atrasava em suas obrigações. Sempre a mesma pontualidade e dedicação. Ela costumava dizer que são quatro as qualidades que não podem faltar em uma doméstica: “temor de Deus, obediência, fidelidade e amor ao trabalho”. Seus biógrafos atestam que ela possuía estas qualidades em seu mais alto grau. Zita se destacava pela sua paciência e bom humor. O tempo que lhe restava, ela o preenchia com orações e boa leitura. Adotava as práticas penitenciais da época com abnegação e grande virtude. Sua prática sacramental era edificante. Em sua presença ninguém ousava falar mal do próximo. As vítimas da maledicência tinham em Zita uma defensora certa. Sabia partilhar a vida e dons. Com os pobres, distribuía a comida e o salário que recebia. Vasta é a descrição de sua preciosa história. Seu corpo não conheceu a decomposição. Canonizada pelo Papa Inocêncio XII, sua festa litúrgica é celebrada a 27 de abril, data de sua morte/entrada no céu, ocasião em que se eleva esta especial prece: “Ó gloriosa Santa Zita, que soubestes aliar o trabalho à oração, integrando os exemplos de Maria e de Marta, do Senhor alcançai-nos esta ciência divina: a santificação do trabalho pela fé. Uma Fé viva que me ensine a ver nas pessoas e em seus atos a Mão carinhosa da Providência que, pelo Calvário e pela Cruz, me quer conduzir ao triunfo da Ressurreição. Assim seja”.

Atualmente, sob o sodalício da Pastoral das Domésticas, a Associação de Santa Zita é um eficiente mecanismo de resgate da cidadania e de agremiação, favorecendo a identidade por meio da vida comunitária, valorizando O TRABALHO DOMÉSTICO.

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Pirataria é pecado?


Doutor em Física pela UNESP e pelo ITA; há trinta e cinco anos é professor universitário e foi Diretor Geral do Instituto de Engenharia de Lorena - da USP-SP.
E-mail: felipeaquino@cancaonova.com
Site: http://www.cleofas.com.br/
Padre Paulo Dionê Quintão

Não conheço documento algum da Igreja sobre a prática da pirataria; mas é certo que isso é errado, e a Igreja não precisa, portanto, dizer mais nada. No entanto, como a prática se alastrou, esse costume acaba gerando uma certa atenuante no erro. Uma vez que as autoridades não o coibem suficientemente – certamente por falta de meios – e o povo se acostuma a isso, a prática passa de certa forma a fazer parte do “costume” do povo e passa a ser aceito por ele. E assim não há como negar que o pecado fica diminuido. No entanto, não deve se fechar os olhos para ele, pois há pessoas que são prejudicadas com isso.

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Caminhando com Prof. Felipe Aquino... 15/11/2008

Toda a RCC em prol da construção da sede nacional

Os participantes do ENF 2010 tiveram o privilégio de conhecer o Projeto de Construção da Sede Nacional da RCC na manhã de sábado (30/01). Num momento de muita unção, Marcio Zolin, Diretor Executivo do Escritório Nacional da RCC, introduziu o assunto e passou a palavra para o engenheiro civil do projeto Vitor Alécio Sevilha Gorzoni. A apresentação do projeto emocionou a muitos, não só pelo fato de depois de mais de 40 anos de vida ativa da RCC no Brasil existir o projeto e o espaço para a sede, mas pelos preciosos detalhes dos quais Deus tem cuidado.

O engenheiro Vitor Gorzoni, atual coordenador estadual do Ministério Universidades Renovadas (MUR) no Paraná, conta com a ajuda de mais dois arquitetos no projeto fazendo um trabalho voluntário, na crença de que a construção que será erguida erguerá também muitas almas para Deus.

Em meio à apresentação, o engenheiro valorizou o MUR (Ministério Universidades Renovadas), o qual coordena, dizendo que se ele está hoje fazendo este trabalho, isto se deve a uma evangelização recebida no meio acadêmico, quando o mesmo era ainda um estudante da graduação na Universidade Estadual de Maringá. “O Senhor está derramando uma unção de reconstrução na vida dos fiéis (…). Estamos tomando posse das promessas de Deus, posse da terra prometida (…) Mais do que uma construção física, é uma construção espiritual. (…)”

Desfazendo mitos sobre pedofilia envolvendo sacerdotes


Doutor em Física pela UNESP e pelo ITA; há trinta e cinco anos é professor universitário e foi Diretor Geral do Instituto de Engenharia de Lorena - da USP-SP.
E-mail: felipeaquino@cancaonova.com
Site: http://www.cleofas.com.br/
Professor Felipe Aquino

Abril 2nd, 2010 Deal Hudson, Revista Crisis magazine

1- É provável que os padres católicos sejam mais pedófilos do que qualquer outro grupo masculino.

Isto é simplesmente falso. Não existe absolutamente nenhuma evidência de que haja mais probabilidade de padres violentarem as crianças do que qualquer outro grupo de homens. O uso e abuso de crianças como objeto de satisfação sexual de adultos é uma epidemia que atinge todas as classes, profissões, religiões e comunidades étnicas espalhadas pelo mundo todo, como indicam claramente as estatísticas em pornografia infantil, incesto e prostituição infantil.

A pedofilia (o abuso sexual de uma criança pré-adolescente) entre os padres é extremamente rara, afetando 0,3% de todo o clero. Este número, citado no livro “Pedófilos e Padres” (Pedhofiles and Priests) do escritor não-católico Philip Jenkins, vem do estudo mais completo feito até hoje que descobriu que 2.252 padres pesquisados durante um período de 30 anos apresentavam sintomas de serem atormentados pela pedofilia.

No escândalo recente de Boston, quatro dos mais de 80 padres acusados pela mídia de “pedófilos” são na verdade culpados de molestar crianças pequenas.

A Pedofilia é um tipo particular de doença compulsiva sexual na qual um adulto (homem ou mulher) abusa de uma criança pré-adolescente.

A grande maioria dos escândalos de abuso sexual no clero que agora vêm a tona não envolvem pedofilia. Pelo contrário, eles envolvem efebofilia – atração homossexual a meninos adolescentes. Mas mesmo que o número total de violentadores sexuais no sacerdócio seja maior do que os culpados de pedofilia, este número é menor do que 2% – quando comparado com os entre os homens casados (Jenkins, “Pedophiles and Priests”).

Em vista da crise atual na Igreja, outras denominações religiosas e instituições não-religiosas admitiram ter problemas parecidos tanto com pedofilia como com efebofilia entre os níveis de seu clero. Não existe nenhuma evidência de que seja mais provável os prelados católicos serem pedófilos do que os ministros protestantes, líderes judeus, médicos, ou qualquer outra instituição na qual os adultos estejam numa posição de autoridade e poder sobre as crianças.

2- O celibato dos padres os leva à pedofilia.

O celibato não tem nenhuma relação de causa com nenhum tipo de vício sexual, incluindo a pedofilia. Na verdade, homens casados são tão suscetíveis à violência sexual de crianças como os padres celibatários (Jenkins, “Priests and Pedophilia”). Na população em geral, a maioria dos violentadores são homens heterossexuais reprimidos que violentam sexualmente meninas. Também se encontram mulheres entre os violentadores sexuais.

Mesmo sendo difícil obter estatísticas precisas sobre abuso sexual infantil, os padrões característicos do violentador sexual em série de crianças tem sido bem explicados. Os perfis do molestador de crianças jamais incluiu adultos normais que são atraídos eroticamente pelas crianças como resultado de abstinência. (Fred Berlin, “Compulsive Sexual Behaviors” in Addiction and Compulsion Behaviors [Boston: NCBC, 1998], Patrick J. Carnes, “Sexual Compulsion: Challenge for Church Leaders” in Addiction and Compulsion; O’Leary, “Homosexuality and Abuse”).

3- O casamento do clero faria a pedofilia e outras formas de má-conduta sexual desaparecer.

Algumas pessoas – incluindo alguns católicos dissidentes – estão explorando esta crise para atrair a atenção do público para suas causas próprias. Alguns estão exigindo a condição de casamento para o clero católico em resposta ao escândalo, como se o casamento fosse fazer com que os homens parassem de machucar as crianças. Isto vai de cara com a estatística mencionada acima de que os homens casados são tão suscetíveis a abusar de crianças quanto qualquer celibatário. (Jenkins, “Pedophilia and Priests”). Já que nem o fato de ser católico nem o de ser celibatário predispõe uma pessoa a desenvolver pedofilia, o casamento do clero não resolveria o problema (“Doctors call for pedophilia research”, The Hartford Courante, March 23). Basta olhar para crises parecidas em outras denominações e profissões para ver isto. É fato concreto que jamais se soube que homens heterossexuais física e psicologicamente saudáveis tenham desenvolvido atrações eróticas por crianças como resultado de abstinência sexual.

4- Celibato do Clero foi uma invenção medieval.

Errado. Na Igreja Católica Ocidental, o celibato se tornou uma prática universal no século IV, a começar com a adoção de Santo Agostinho pela disciplina monástica para todos os seus sacerdotes. Além das várias razões práticas para esta disciplina – presumia-se que ela desencorajava o nepotismo – o estilo de vida celibatário fazia com que os padres fossem mais independentes e disponíveis. Este ideal também sensibilizou os padres diocesanos para que vivenciassem o mesmo testemunho de seus irmãos de vida monástica. A Igreja não mudou suas diretrizes sobre o celibato, porque através dos séculos ela percebeu o valor prático e espiritual deste costume (Pope Paulo VI, “On the Celibacy of the Priesthood”, Encyclical letter, 1967). De fato, até mesmo na Igreja Católica de Rito Oriental – que aceita padres casados – os bispos são escolhidos somente entre os padres solteiros. Cristo revelou o significado e o valor verdadeiro do celibato. Os padres católicos desde São Paulo até hoje imitam-no na auto-doação total a Deus e aos outros como celibatários. Embora Cristo tenha elevado o casamento ao plano de um sacramento que revela o amor e a vida da Trindade, Ele também era testemunha viva da vida no mundo que a de vir. O sacerdócio celibatário é para nós uma testemunha viva para esta vida na qual a unidade e a alegria do casamento entre um homem e uma mulher é superada na comunhão amorosa perfeita entre homem e Deus. O celibato devidamente compreendido e vivido libera a pessoa para amar e servir os outros como Cristo fez. Durante os últimos quarenta anos, o celibato tem sido uma testemunha ainda mais poderosa para o sacrifício de homens e mulheres que se oferecem a serviço de suas comunidades.

5- Sacerdócio Feminino ajudaria a resolver o problema.

Não existe simplesmente nenhuma conecção lógica entre o comportamento anormal de uma pequena minoria de padres e a inclusão de mulheres em sua classe. Mesmo sendo verdade que a maioria das estatísticas sobre molestação de crianças mostre que existe uma probabilidade maior de homens violentarem crianças, o fato é que algumas mulheres também são molestadoras. Em 1994, o Centro Nacional de Pesquisa de Opinião (National Opinion Research Center) mostrou que a segunda forma mais comum de abuso sexual de crianças envolviam mulheres violentando meninos. Para cada três violentadores masculinos, havia uma violentadora. Contudo, as estatísticas sobre infratoras sexuais são mais difíceis de se obter porque o crime é mais encoberto (Interview with Dr. Richard Cross, “A Question of Character”, National Opinion Research Center; cf. Carnes). Também, a maioria de suas vítima (meninos) tem menos probabilidade de denunciar o abuso sexual que as meninas, especialmente quando o infrator é uma mulher (O’Leary, “Child Sexual Abuse”). Existem razões do porquê a Igreja não pode ordenar mulheres (conforme o Papa João Paulo II explicou várias vezes). Mas isto está além do problema.

O debate sobre a ordenação de mulheres não tem absolutamente nenhuma relação com o problema da pedofilia e outras formas de má conduta sexual.

6- A Homossexualidade não está conectada com a pedofilia.

Isto é totalmente falso. Os homossexuais têm uma probabilidade três vezes maior de serem pedófilos do que os heterossexuais. Enquanto a pedofilia exclusiva (atração de um adulto por uma criança pré-adolescente do sexo oposto) seja um fenômeno extremo, um terço dos homens homossexuais sentem atração por meninos adolescentes (Jenkins, “Priests and Pedophilia”). A sedução de um menino adolescente por um homem homossexual é um fenômeno bem documentado. Esta forma de comportamento anormal é o tipo mais comum de abuso clerical e está diretamente conectado com o comportamento homossexual. Como mostra Michael Rose no seu livro “Goodbye! Good Men”, existe uma certa sub-cultura homossexual dentro da Igreja. Isto se deve a vários fatores. A confusão da Igreja no início da revolução sexual dos anos 60, o tumulto subseqüente ao Concílio Vaticano II, e a maior aprovação do comportamento homossexual em geral pela sociedade criou um ambiente que fez com que homens homossexuais ativos que aceitaram o celibato fossem admitidos e tolerados no sacerdócio. A Igreja também passou a se apoiar em profissões psiquiátricas para examinar candidatos e para tratar aqueles padres identificados como problemáticos. Em 1973, a Associação Americana de Psicologia (American Psychological Association) mudou a caracterização de homossexualidade para a orientação objetivamente desordenada e removeu-a do Manual de Diagnóstico e Estatística (Diagnostic and Statistic Manual IV (Nicolosi, J., 1991, “Reparative Therapy of Male Homosexuality”, 1991; Diamond, E., et al., “Homosexuality and Hope”, unpublished CMA document)). O tratamento dos comportamentos sexuais anormais seguiram o mesmo processo. Contudo, mesmo que o comportamento da Igreja para com aqueles que lutavam contra as atrações homossexuais seja compassivo, ela tem sido consistente em manter a visão de que a homossexualidade é objetivamente desordenada e que o casamento entre um homem e uma mulher é o contexto apropriado para a atividade sexual. Atualmente tem havido maiores esforços da Igreja em não concordar que homens com indícios de homossexualidade sejam aceitos para o sacerdócio.

7- A hierarquia católica não fez nada para abordar a pedofilia.

Esta acusação, mesmo não sendo percebida, é falsa. Quando o código de Direito Canônico da Igreja foi revisado em 1983, uma passagem importante foi adicionada: “O clérigo que comete qualquer ofensa contra o sexto preceito do Decálogo (sexto mandamento), principalmente se a ofensa foi cometida com violência ou ameaças, publicamente ou com um menor de 16 anos (agora extendido para 18 anos), deve ser punido com punições justas, não excluindo a expulsão do estado clerical” (1395:2). Mas certamente esta não é a única coisa que a Igreja fez. Os bispos, a começar pelo Papa Paulo VI, em 1967, publicaram uma advertência aos fiéis católicos sobre as conseqüências negativas da revolução sexual. A encíclica do papa, “Sobre o Celibato dos Sacerdotes”, abordou a questão do celibato sacerdotal em face a uma cultura que clamava por uma “liberdade” sexual maior. O papa confirmou o celibato mesmo quando chamou os bispos a serem responsáveis por “colegas padres perturbados por dificuldades que colocavam seriamente em perigo o dom divino que possuíam”. Ele aconselhou os bispos a procurarem ajuda apropriada para estes padres, ou, em casos graves, a dispensarem os padres que não pudessem ser ajudados. Além disso, ele os pressionou para serem mais prudentes aos julgarem a aptidão de candidatos para o sacerdócio. Em 1975, a Igreja lançou outro documento chamado “Declaração sobre Alguns Pontos de Ética Sexual” (Joseph Ratzinger) que abordou explicitamente, entre outras questões, o problema da homossexualidade entre os padres. Ambos os documentos de 1967 e 1975 abordaram os tipos de anormalidade sexual, incluindo a pedofilia e a efebofilia, que são especialmente prevalescentes entre os homossexuais. Em 1994, o Comitê Ad Hoc sobre Abuso Sexual publicou as diretrizes para as 191 dioceses do país na época para ajudá-las a desenvolver políticas para lidar com o problema do abuso sexual de menores. Quase todas as dioceses responderam e desenvolveram suas políticas próprias (documento da USCCB: “Guidelines for dealing with Child Sexual Abuse”, 1993-1994). Nesta época, a pedofilia foi reconhecida como uma doença que não podia ser curada, e um problema que estava se tornando mais prevalescente devido ao aumento da pornografia, sobretudo infantil. Antes de 1994, os bispos pegaram a deixa dos especialistas em psiquiatria que acreditavam que a pedofilia podia ser tratada com sucesso. Os padres culpados de abuso sexual eram mandados para uma das várias clínicas de tratamento espalhadas pelos Estados Unidos. Os bispos confiavam com freqüência na opinião dos especialistas para determinar se os padres estavam aptos para o ministério. Isto não diminuiu a negligência da parte de alguns membros da hierarquia, mas dá uma idéia sobre o caso. Em resposta aos escândalos recentes, algumas dioceses estão cirando comissões especiais em abuso infantil, bem como grupos de defesa das vítimas; e estão reconhecendo oficialmente que qualquer alegação legítima de abuso deve ser tratada imediatamente.

8– O problema real é a doutrina da Igreja sobre Moralidade Sexual, não a pedofilia.

A doutrina da Igreja sobre moralidade sexual está enraizada na dignidade da pessoa humana e no bem da sexualidade humana. Esta doutrina condena o abuso sexual de crianças em todas as suas formas, da mesma forma que condena outros crimes sexuais repreensíveis como o estupro, incesto, pornografia e prostituição, infantil e adulta. Em outras palavras, se esta doutrina fosse vivenciada, não existiria o problema da pedofilia. A noção de que esta doutrina de alguma forma leve à pedofilia é baseada num engano ou numa má-interpretação deliberada da moralidade sexual católica. A Igreja, fundamentada na Palavra, reconhece que a atividade sexual sem o amor e o compromisso encontrado unicamente no matrimônio abala a dignidade da pessoa humana e é por fim destrutivo. Com relação ao celibato, séculos de experiência provaram que homens e mulheres podem se abster de atos sexuais quando vivem uma vida plena, saudável e profunda.

9- Os jornalistas católicos têm ignorado o problema da pedofilia.

Esta afirmação é completamente falsa. Nossa reportagem de capa de outubro de 2001 apresentava “THE PRICE OF PRIESTLY PEDERASTY”, uma exposição sobre o escândalo que só explodiria na mídia três meses depois. E nós não fomos os únicos a cobrir o problema da pedofilia/pederastia. Charles Sennot, autor do “Broken Covenant”, Rod Dreher da “The National Review”, Ralph MacInercy co-fundador da CRISIS, Maggie Gallagher, Dale O’Leary, a Catholic Medical Association, Michael Novak, Peggy Noonan, Bill Donohue, Dr. Richard Cross, Philip Lawler, Alan Keyes e o Monsenhor George Kelly, todos abordaram a questão com exaustão. Só porque a mídia popular escolheu ignorar nosso trabalho não quer dizer que o trabalho não tenha sido feito.

10- A exigência do celibato limita o número de homens candidatos ao sacerdócio, resultando num alto número de padres com sexualidade desequilibrada.

Primeiramente, não existe um “alto número de padres com sexualidade desequilibrada”. Existe sim uma ênfase maliciosa e direcionada da mídia mundial sensacionalista, na exígua minoria(fala-se de 2% no máximo) de clérigos indignos. A grande maioria de padres são normais, saudáveis e fiéis. Todo dia eles se mostram merecedores de crédito e confiança por parte daqueles confiados aos seus cuidados.

Em segundo lugar, aqueles que não sentem vocação para a vida celibatária não são chamados ipso facto a serem padres católicos. Na verdade, a maioria dos homens não estão destinados ao celibato. Contudo, alguns estão – e destes alguns são chamados por Deus para o sacerdócio.
A vocação sacerdotal, assim como o matrimônio, exige o consentimento livre e mútuo de ambas as partes. Assim, a Igreja deve discernir se um candidato é de fato merecedor e apto mental, física e espiritualmente ao compromisso de uma vida de serviço sacerdotal. O desejo do candidato para o sacerdócio não constitui uma vocação em si mesmo e por si só. Os diretores espirituais e vocacionais hoje estão afinados com as falhas de caráter que tornam um candidato desqualificado.

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O perdão dos pecados


Após sua ressurreição, tendo dado a prova definitiva de sua divindade, Jesus disse aos Apóstolos: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos!” (Jo 20,23). Sem a fé as verdades bíblicas e a doutrina da Igreja não possuem sentido, são vistas como algo até ridículo. Falta o meio, o instrumental para captar a qüididade do que é proposto por Deus através da Escritura ou do magistério eclesial.

Em nossos dias, entre outras manifestações religiosas contestadas, sofre, por vezes, violento ataque o sacramento da Penitência, da qual faz parte integrante a confissão das rebeldias contra o Senhor do Universo. É abrir a Bíblia e lá verificar que Cristo perdoou pecados. A cena do paralítico é típica. Por ser grande a aglomeração em torno dele, descem pelo teto alguém retido no leito por não andar. Querem a cura daquele homem. Jesus serve-se da oportunidade para mostrar que lhe compete anistiar pecados, prerrogativa que, mais tarde transmitiria aos Apóstolos. Diz então ao doente: “Teus pecados são-te perdoados”.

Os circunstantes ficaram atônitos, pois logo pensaram: “Quem pode perdoar pecados senão Deus”? Era o que o Mestre esperava, pois indagou: “Por que pensais mal em vossos corações?” Imediatamente acrescentou: “Que coisa é mais fácil dizer: São-te perdoados os pecados, ou dizer: levanta-te e caminha? Pois para que saibais que o Filho do Homem tem poder sobre a terra de perdoar pecados: Levanta-te, disse então ao paralítico, toma o teu leito e vai para sua casa. E ele levantou-se e foi para sua casa” (Mt 9, 5-7). Jesus agraciou a Madalena, a mulher adúltera, a Zaqueu e a tantos outros com um indulto total, detentor que era de uma autoridade deífica. Uma vez demonstrado que tinha faculdade de assim proceder, depois de ressuscitar gloriosamente, Ele confere aos apóstolos a sublime atribuição de perdoar os pecados. Magnífico presente pascal!

Foram muito claras as palavras do Redentor. Entretanto, é apenas para seu autêntico seguidor que há o aspecto eclesiológico do pecado, assim como a faceta eclesiológica do perdão, indissoluvelmente ligado à vontade de Deus sobre a sua Igreja. Nos dizeres de Cristo aparecem os elementos essenciais deste sacramento: a matéria, ou seja, as faltas e o arrependimento e a forma, isto é, a declaração do perdão divino pelo ministro jurisdicionado para tal. O pecado é o que mais de negativo existe no comportamento humano: é um não dado à Sabedoria eterna, que estabeleceu uma ordem ética à qual o ser racional deve livremente se submeter.

Na atitude de quem se recusa a obedecer um dos dez mandamentos, há três pontos que devem ser salientados: a perda de Deus – hamartia; a oposição a Ele – anomia; a dívida para com Sua justiça – adikia. O Criador é amor e o pecado é o não amor. Esta postura tem repercussões sociais profundas, pois qualquer infração ao decálogo é anti-social uma vez que acarreta sempre prejuízos a alguém e à harmonia geral.

De fato, a prevaricação moral como decisão livre afeta a dimensão do homem, inclusive a sua fundamental dimensão comunitária. É óbvio que há deslizes leves e outros graves, dependendo da espécie de violação legal, do conhecimento e do consentimento. É mais pernicioso mentir, lesando conscientemente direitos alheios, do que faltar a verdade em assuntos de somenos importância. Há circunstâncias que fazem um ato pecaminoso mais grave: infringir, por exemplo, o sexto mandamento com uma pessoa casada é um adultério.

A condição ou aborrecimento do mal cometido é condição essencial para que haja a remissão do erro. Implícita deve estar a resolução ou o propósito de lutar, evitando as ocasiões de pecado. Isto não quer dizer que o sacramento confere a impecabilidade. Apenas Deus é imaculável. A declaração das culpas é necessária, conforme o ensinamento da Igreja.

A 16 de junho de 1972 a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé recordava que “a confissão individual é íntegra, bem como a absolvição permanecem o único modo ordinário pelo qual os fiéis se reconciliam com Deus e com a Igreja, a não ser que a impossibilidade física ou moral escuse de algum modo a confissão”.

Tranqüilidade íntima é o que aufere quem, bem disposto, se aproxima deste manancial de salvação que é o Sacramento da Penitência. Os dons que dele advêm são uma força medicinal que cura a ferida do pecado e uma energia espiritual, levando à adesão firme ao bem e à verdade.

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