A bênção João de Deus

No sugestivo dia 25 de março, Solenidade da Anunciação do Senhor, inspirada na perícope “Deus nos chamou à santidade” – 1 Ts 4,7, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dirigiu-se aos católicos e às pessoas de boa vontade para manifestar sua alegria e gratidão ao Senhor pela beatificação do Servo de Deus, João Paulo II, a primeiro de maio. Ele amava muito o Brasil e visitou-nos por três vezes. Entre nós, foi carinhosamente acolhido e aclamado como “João de Deus”.

Sobressaltado, o mundo inteiro acompanhou a fase terminal de sua existência. A fatídica notícia trouxe profunda consternação. Na verdade, o coração da família humana recebeu estupefato o comunicado: “Karol Josef Wojtyla, o papa João Paulo II, morreu neste sábado, 2/4/2005, aos 84 anos em Roma, após dois dias de agonia. O sumo pontífice morreu às 21h37 [16h37 de Brasília] em seu apartamento no Palácio Apostólico”.

As exéquias traduziram de modo explícito o que foi mesmo a prodigalidade de dons que Deus fez nele florescer, um inigualável patrimônio não só da Igreja, mas da humanidade inteira.

Em João Paulo II foi admirável o testemunho da fé alimentada com prolongada e intensa oração, a exemplo de Cristo. A Conferência Episcopal de nosso País declarou: “Sua vida foi um testemunho eloquente de santidade, pela grande fé, amor à Eucaristia, devoção filial a Maria e pela prática do perdão incondicional. A Palavra de Deus foi por ele intensamente vivida e anunciada aos mais diferentes povos. A espiritualidade da cruz o acompanhou na experiência da orfandade e da pobreza, nas atrocidades da guerra e do regime comunista, mas principalmente no atentado sofrido na Praça de São Pedro. De maneira serena e edificante, suportou as incompreensões e oposições e as limitações da idade avançada e da doença”

Nenhum outro Papa se encontrou com tantas pessoas: em cifras, mais de 17.600.100 peregrinos participaram em mais de 1160 audiências gerais, sem incluir as especiais e as cerimônias religiosas (mais de oito milhões de peregrinos durante o Jubileu do ano 2000), e os milhões de fiéis, durante as viagens, além de numerosas personalidades de governo durante as 38 visitas oficiais e as 738 audiências e encontros com chefes de Estado e 246 com Primeiros Ministros.

Gostaria de destacar algo inaudito. O gesto de João Paulo II ao pedir perdão pelos pecados da Igreja. Fiel ao aspecto teândrico da Igreja, (uma instituição divina e humana ao mesmo tempo), ele nos ajudou a refletir sobre uma incontestável realidade: a Igreja é santa e pecadora. Santa, através de sua Cabeça, que é o próprio Cristo, bem como na vida de tantos membros que ontem e hoje oferecem o testemunho de uma vida verdadeiramente santa. Igreja também pecadora. Ao longo dos séculos, incluindo os dias atuais, traz a marca do pecado. Quando a limitação humana toma o lugar da ação divina e não permite a atuação do Espírito Santo. Eis os pedido de perdão:

1. Para os pecados em geral, lembrando que Deus é pequeno na ira e grande no amor e na fidelidade;

2. Confissão das culpas no serviço da verdade. Reconhecimento que também os homens da Igreja, em nome da fé e da moral, tenham recorridos às vezes a métodos não evangélicos em seu justo dever de defender a verdade;

3. Confissão dos pecados que comprometeram a unidade do Corpo de Cristo e feriram a caridade fraterna;

4. Confissão das culpas em relação a Israel, povo da aliança. Oração: “Deus de nossos pais, Tu elegeste Abraão e sua descendência para que Teu Nome fosse dado a conhecer pelas nações: dói-nos profundamente o comportamento de quantos, no curso da história, causaram sofrimento a Teus filhos e agora que Te pedimos perdão, queremos nos comprometer em uma autêntica fraternidade com o povo da aliança. Por Cristo nosso Senhor”;

5. Confissão das culpas cometidas com comportamentos contra o amor, a paz, o direito dos povos, o respeito pelas culturas e pelas religiões;

Sustentado em sua inquebrantável fé persistiu, mesmo idoso e enfermo, sem renunciar ao pontificado, argumentando: “Jesus não abandonou sua missão na cruz”. Faz lembrar o sábio ensinamento de Dom Hélder Câmara: “É graça divina começar bem. Graça maior, persistir na caminhada certa, manter o ritmo… Mas a graça das graças é não desistir.

Podendo ou não podendo, caindo, embora aos pedaços chegar até o fim…”. Por tudo isto e muito mais, podemos pedir A BÊNÇÃO JOÃO DE DEUS!