A questão da excomunhão

O caso da menina que ficou grávida aos 9 anos violentada pelo padrasto em Recife e que por autorização da mãe, teve a gestação interrompida continua causando celeuma na Imprensa. Internada a criança recebeu doses de um medicamento para interromper a gravidez. Não se distinguindo os assuntos a confusão é enorme. Houve o crime hediondo do estrupo, deu-se o assassinato de duas pessoas humanas inocentes e indefesas no seio materno e a posição da Igreja condenando os pecados cometidos. Foram desprezados dois mandamentos da Lei de Deus: o quinto e o sexto mandamentos. Não foi a Igreja quem os promulgou e pecados gravíssimos foram perpetrados. O Código do Direito Canônico no Cânon 1398 diz o seguinte: “Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae”, ou seja, decorrente do fato mesmo. A excomunhão, palavra chocante, que causa tanto horror à opinião pública, colocada em evidência na mídia encobriu de certo modo as citadas perversidades e foi ocasião para que as forças do mal que perseguem a Igreja abrissem sua artilharia para atacar esta Instituição e o que tem sido dito na imprensa falada e escrita demonstra da parte de alguns o único objetivo de a denegrir. A excomunhão é uma censura de foro externo aplicável ao católico em determinadas circunstâncias bem definidas pelo Direito Canônico. O que se esquece é que toda sociedade devidamente constituída possui valores determinados. A Igreja, sendo uma sociedade teândrica, isto é, divina e humana fundada por Jesus Cristo prega os princípios da fé atinentes à salvação eterna. Pode, portanto, empregar também meios coercitivos para manter a ordem que deve ser observada por todos os fiéis. A sociedade civil para alcançar harmonia pune também os relapsos. A Igreja possui suas leis e sanções visando o bem comum maior da sociedade cristã. Ao aplicar a censura o que a Igreja espera é o retorno do prevaricador às sendas da salvação. No fim dos tempos, está claro nas palavras de Cristo, Ele virá julgar os vivos e os mortos e Ele deixou também evidente que haverá uma recompensa eterna para os bons e um castigo perene para quem não observou os Mandamentos. Eis as palavras textuais do divino Redentor: “E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna” (Mt 25,46). Há passagens na Bíblia que muitos gostariam de apagar e eis aí a demonstração de uma fé vacilante, frouxa, anêmica. Seja a religião culto esplendoroso da divindade, sem leis que se oponham às veleidades das paixões tal o ideal vazio de muitos cristãos. Seria bom que se relesse este trecho do Evangelho: “Um jovem aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna? Disse-lhe Jesus: Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos. Quais?, perguntou ele. Jesus respondeu: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo (Mt 19, 16-19). Portanto, quem não observa tais mandamentos não entrará na vida eterna, estando portando condenado.