Aprendendo com a Família de Nazaré!

Num desses dias de abril, ao rezar o quinto mistério gozoso, em que contemplamos a perda e o reencontro de Jesus, por Maria e José (Lc 2, 41-46) parei por um instante e comecei a refletir sobre os possíveis sentimentos e posicionamentos ali nascidos.

Inspirada, então, por essa experiência vivida pela Família de Nazaré gostaria de convidá-los à nossa reflexão, deste fim de mês pedindo, desde já, a Deus a graça da sensibilidade para que nos deixemos tocar e transformar por Sua Palavra.

Primeiramente, fiquei pensando na aflição e angústia da Virgem Maria e São José, pela perda do seu menino, do Deus menino. Com certeza foram três, longos, dias procurando por Jesus, em meio aquela multidão reunida em Jerusalém, em função da festa da Páscoa. Ao perguntarem aqui e ali pelo Menino imagino que respostas como: “não O vi” ou “Até O vi, mas já tem uns dias…” aumentavam, ainda mais, a aflição no coração de Seus pais.

Diante desse quadro, coloquemo-nos, por um instante, no lugar da Virgem Maria e de São José! Quais seriam os nossos sentimentos e atitudes? Divido com vocês que há uns anos perdi meu irmão, por uns 20 ou 30 minutos, quando ele tinha apenas uns dois aninhos e lhes confesso: foi uma experiência terrível! Um medo e uma angústia, sem tamanho, tomaram o meu coração… Já Jesus ficou longe de seus pais por três dias! Pensa só no sofrimento!

Mas, enfim, ao mergulhar nessa cena me veio ao coração que a perda foi uma realidade vivida pela Virgem Maria e São José e que, embora tristes, optaram por não ficarem sentados, chorando e lamentando, ou culpando as circunstâncias, ou mesmo, um ao outro. Diante daquele fato, o que fizeram? Levantaram-se e puseram-se a procurar por Jesus.

É neste ponto que me veio uma lição: diante de situações duras que se instalam em nossa vida, sem que as convidemos ou mesmo provoquemos, o início da solução já está em não reclamarmos, não nos justificarmos, ou buscarmos culpados. Ou, ainda, em não perguntarmos: Por que comigo? Já que, com isso, o que conseguiríamos é enfraquecermo-nos, ante um tempo que, ao contrário, nos pede força e coragem. Então, que tal aprendermos com a Família de Nazaré?

Hoje, talvez, sejamos nós que, diante desses tempos difíceis, incertos e desafiadores pelos quais passamos acabamos nos distanciando de Jesus, ou tendo a sensação que O perdemos no caminho de nossa vida. Mas, então, qual a nossa escolha diante dessa situação?

Façamos como a Virgem Maria e São José, coloquemo-nos a caminho, primeiramente, por meio da oração, pedindo luz e sabedoria a Deus para que, assim, saibamos lidar com as angústias do caminho até que, por fim, nos reencontremos com Jesus.

Claudete de Freitas
Coordenadora da RCC Viçosa