Entrevista com Padre Paulo Dionê Quintão

Paulo Dionê Quintão – Sacerdote católico, pertencente ao Presbitério da Arquidiocese de Mariana, MG, onde atuou como Vigário Episcopal e membro dos Conselhos de Pastoral e Presbiteral da Arquidiocese. Atualmente exerce seu ministério como Pároco de “Santa Rita de Cássia”, em Viçosa, MG. Escritor e poeta, com duas de suas obras já publicadas, “Mensagens de Vida e Esperança”, Brasília, CNBB, 1994 e “Juntos no Caminho”, São Paulo, Edições Loyola, 1999. Nasceu aos 19 de março de 1958, em Abre Campo, MG, sendo seus pais Sebastião Quintão Filho e Ambrosina Mendes Quintão.

Auto-descrição

Uma alegria: Ser cristão, católico e sacerdote.

Uma tristeza: O tanto de gente que ainda não conhece Jesus Cristo, no sentido de amá-Lo e seguir seus ensinamentos.

Livro de Cabeceira: A Palavra de Deus.

Expectativas para o futuro: Doar tudo de mim a Cristo, por meio de Sua Igreja, a começar dos mais desprezados e esquecidos.

A Paróquia: Continuo feliz e agradecido a Deus pela oportunidade de servir, por meio do Ministério Sacerdotal. Muito tem sido feito. Haveremos dar continuidade e fazer ainda mais, pois o Senhor Nosso Deus merece que nos doemos inteiramente a Ele na pessoa de cada irmão e irmã que ele congrega na estrada de nossa História.

Mensagem: Agradeço muitíssimo à RCC de Viçosa pelo carinho e amizade que temos cultivado. Sempre avante na Evangelização. Que a Santíssima Virgem Maria cubra a todos com o Seu manto de amor materno, São José e Santa Rita de Cássia nos protejam sempre!

RCC Viçosa: Quais os projetos que já foram realizados e os que pretende realizar para a ação social em Viçosa?
Padre Paulo Dionê Quintão: Assumi a missão de Pároco em Viçosa no dia 26 de agosto de 2003. Cheguei aqui com o propósito de levar adiante as conquistas positivas da longa e bela História da Paróquia Santa Rita de Cássia. Trouxe a expectativa de desempenhar a tarefa que me foi confiada em comunhão com o Bispo, com o Presbitério, em fraterna comunhão e intensa colaboração com as Religiosas e com os Fiéis Cristãos Leigos de nossas comunidades, dimensões, pastorais, movimentos, irmandades, associações e demais organismos da ação evangelizadora. Penso que a missão continua a mesma, pois compete ao Presbitério da Arquidiocese, em intima colaboração com o seu Pastor, o arcebispo, a solicitude por esta porção do Povo de Deus que se encontra na Igreja Particular de Mariana. Neste sentido, o Plano de Pastoral Arquidiocesano é o fio condutor desta unidade, pois o construímos juntos, à luz da Palavra de Deus e do Magistério Eclesiástico.

Neste espírito de comunhão e participação, procurei dedicar-me à articulação da Pastoral da Criança e do Menor, criando o CENTRO DE CONVIVÊNCIA ao lado do Santuário, com extensão no Edifício Padre Carlos e núcleos de apoio nos bairros. Conseguimos expandir este trabalho de 47 crianças cadastradas para perto de duas mil. Além das crianças de zero a seis anos, temos a Pastoral do Menor, que atende perto de 380, (trezentos e oitenta), menores. Para este trabalho, contamos com dezenas de voluntários (as) e educadores (as). No dia 19 de fevereiro de 2009, concretizamos um grande sonho da comunidade: inauguramos o CENTRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL SANTA RITA DE CÁSSIA.

Intensificamos a ação da Pastoral Carcerária, com voluntários e oferta de material de limpeza, higiene pessoal, etc. para atender os 131, (cento e trinta e um), internos do Presídio Bom Jesus. Abraçamos a causa da APAC – Associação de Proteção e Assistência aos Condenados, que acolhe 41 recuperandos na antiga Cadeia, dando-lhes total assistência, ao lado da Diretoria e do voluntariado que abraça esta causa.

RCC Viçosa: Quando aqui chegou, quais as dificuldades encontradas? Como a população viçosense o recebeu?
Padre Paulo Dionê Quintão: Fui acolhido em Viçosa com um carinho indescritível. Não encontrei nenhuma resistência, somente apoio e interesse intenso por parte de todos. As dificuldades encontradas estão ligadas à extensão da Paróquia, abrangendo inúmeros bairros urbanos e rurais. Vi que seria impossível dar o acompanhamento pastoral necessário. Com o apoio de todos, elaboramos o projeto do desmembramento do território paroquial, criando, a 19 de fevereiro de 2005, a quarta paróquia em Viçosa, denominada Paróquia São João Batista. De lá até aqui facilitou imensamente o aperfeiçoamento dos serviços pastorais.

RCC Viçosa: Hoje o mundo está passando por vários momentos difíceis, como guerras, terremotos, fome, miséria. Qual seria a reação da Igreja para ajudar a solucionar estes problemas?
Padre Paulo Dionê Quintão: A Igreja não se deixa vencer por quaisquer abalos que afetam a humanidade, pois cremos que a vida não é só aqui. Com este pensamento multiplicamos todas as iniciativas possíveis para alterar o quadro ameaçador. Defendemos o respeito à natureza, iluminando a ecologia com a ética cristã, pregamos e insistimos no perdão na reconciliação e na harmonia entre os povos, vencendo os conflitos, pois nada justifica a guerra. Lutamos pela justiça social, pois sua ausência tem causado verdadeiras guerrilhas, por exemplo, o narcotráfico. Para superar a fome e a miséria, lutamos pela partilha e assim o fazemos, procurando viver uma vida modesta, sem ambições financeiras, praticando a partilha, por meio da pastoral do dízimo e a ação social no resgate da dignidade da Pessoa Humana.

RCC Viçosa: Quais as obras que já foram publicadas? Em que se baseiam suas obras?
Padre Paulo Dionê Quintão: Tive a alegria de publicar duas obras:
– “Mensagens de Vida e Esperança” – Brasília, editora da CNBB, 1994.
– “Juntos no Caminho” – São Paulo, edições Loyola, 1999.
– Trata-se de uma coletânea de crônicas e poemas ligados aos temas reflexivos, com mensagens positivas e narrativas de eventos.

RCC Viçosa: Qual a mensagem que gostaria de deixar para a população de Viçosa?
Padre Paulo Dionê Quintão: Agradeço a fraterna acolhida, concedendo-me inclusive a Cidadania Honorária. Recordo, com alegria, a mensagem do Evangelho de Lucas, capítulo 5, versículos 11 e seguintes: Duc in altum! Faze-te ao largo! É hora de lançar novamente as redes. Desta vez em águas mais profundas. Por que não? Alguma vez foi fraca a pescaria? Mesmo assim, é hora de obedecer ao Senhor, como fizeram os discípulos no lago de Genezaré. Por certo o resultado será surpreendente! O brilho nos olhos de alguém que estava triste, a esperança devolvida a quem estava caído… Tudo vai manter nossa chama interior acesa, pois estabeleceremos longos e profundos diálogos com o Senhor, pois somos uma Igreja que vive da Eucaristia.

Proponho a continuidade da caminhada, seguindo as diretrizes da Igreja. Cuidando de tudo que nos compete a todos. Abraçaremos sempre mais o que nos inspira o clássico capítulo 25, versículos 35 e seguintes, de Mateus, referindo-se ao “Juízo Final”, quando Jesus se identifica com todos necessitados: “Estive com fome, nu, preso, doente… e você veio me socorrer” e em João 10,10: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente”, dando maior consistência à ação social. A expansão do voluntariado, o apoio às obras sociais nos bairros e comunidades será a grande razão para cada um dos colaboradores perguntar: em que eu posso ajudar?

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