Eu tenho tempo… E agora?

Eis que encerramos mais um mês e, como continuidade de nossas últimas reflexões, gostaria de conversar um pouquinho com vocês sobre o que temos visto, ouvido e vivenciado neste tempo tão diferente. Aproveitando a oportunidade pensemos, sobretudo, na maneira como temos nos comportado frente a tudo isso. Quem poderia imaginar que viveríamos uma Quaresma tão singular como a deste ano não é mesmo?

Neste tempo em que a Igreja tão sabiamente nos convida à conversão, por meio da oração, penitência e caridade compreendo que estamos sendo convocados a vivermos a nossa fé de maneira, ainda mais, concreta e madura!

Ao tomarmos a Palavra de Deus podemos ver que um dia Jesus, em sua Onisciência nos alertava para o fato de que no mundo haveríamos de ter aflições […] (Jo 16, 33b). E, por mais uma vez, constatamos no cotidiano de nossas vidas quão verdadeira e atual é Sua voz em nossa história.

Creio que concordamos, ainda, que em nossa vida já foram muitos os momentos de aflição vividos por nós não é verdade? E como foram!!! Seja por uma dúvida de fé que um dia veio nos visitar, um problema de saúde nosso ou dos que amamos, por uma dificuldade financeira, um vício… Enfim, inúmeras foram (talvez ainda sejam) as situações particulares que enfrentamos, porém, agora passamos juntos por uma mesma aflição, ou seja, a necessidade de um isolamento social, decorrente de uma pandemia provocada por um Vírus e suas consequências.

Privados, temporariamente, do convívio social no trabalho, nas reuniões em família e na comunidade, por meio da participação na Santa Missa, nos Grupos de Oração, reuniões com os amigos e outros encontros, entramos, sim, numa quarentena, porém não devemos nos esquecer: Estamos na Quaresma! Tempo forte de conversão, de nos voltarmos para Deus e para o próximo, em toda e qualquer circunstância.

E por falar em circunstância, quem sabe não é essa a oportunidade que estamos tendo, de maneira ainda mais efetiva, de nos voltarmos para os de dentro e para a vivência do perdão em nossa casa? Para os gestos concretos de amor e atenção para com aqueles que convivem conosco! Diante disso, que tal pensarmos: O que eu posso fazer neste tempo para amar mais?

Você já parou para pensar que vivíamos tão corridos e, por vezes, reclamávamos tanto da falta de tempo para cuidar melhor de nossa casa, dos nossos, de nós… e, por vezes, dizíamos: “Se eu tivesse mais tempo leria, estudaria, rezaria mais, brincaria mais com meus filhos, daria mais atenção ao meu esposo, esposa, meus pais, irmãos etc. pois bem: Eis o tempo! Até que enfim, ele chegou! E agora? O que faremos com ele?

Assim como nos exortou São Paulo, em sua carta aos Efésios, que nossa conduta não seja “de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus” (Ef 5, 15-16). Então, vamos juntos aproveitar melhor este tempo?

Embora, estejamos vendo e ouvindo tantas coisas que, muitas vezes, nos amedrontam e nos impedem de enxergar direito por onde andar e o que devemos fazer, fato é que estamos caminhando juntos por este deserto e, mesmo sem sabermos por quanto tempo durará essa travessia, como povo de Deus, creiamos que iremos passar por isso e vencer!

Por fim, em meio a toda essa incerteza, que a esperança e a fé não abandonem o nosso coração, mas ao contrário, alimente em nós esta verdade: Jesus caminha à nossa frente e está no controle de, absolutamente, tudo! Mesmo que nossos olhos não possam ver ainda a saída sigamos firmes crendo na Palavra de Deus que, além de não ser revogada jamais, nos garante a Sua voz a nos dizer: “Coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16, 33b).

Seguimos…

Claudete de Freitas
Coordenadora da RCC Viçosa