Evangelho da Semana: Jo 12, 20-33

Antes da nossa leitura deste domingo rezemos: Sabemos Senhor que a tua palavra é luz para os nossos passos e sob a tua luz desejamos caminhar. Por isso te pedimos enviai o vosso Espírito e dai-nos clareza acerca do que deseja nos dizer através desta palavra. Fortalecei nossa decisão para que possamos optar sempre pela tua palavra. Uma vez que “só Tu Senhor tens palavras de vida eterna”

Novo tempo Litúrgico

Estamos na quaresma. Tempo de oração, jejum e esmola. E neste clima caminhamos mais esta semana. Avançamos na Campanha da Fraternidade, com o tema: FRATERNIDADE E SEGURANÇA PÚBLICA e com o Lema: “A paz é fruto da justiça” (Is 32, 17).

Nesta semana refletiremos sobre o que somos chamados a ser. Se o grão de trigo não morrer, não produzirá muitos frutos.

Evangelho de 29/03/09 – Jo 12, 20-33

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

20. Havia alguns gregos entre os que subiram para adorar durante a festa.

21. Estes se aproximaram de Filipe (aquele de Betsaida da Galiléia) e rogaram-lhe: Senhor gostaríamos de ver Jesus.

22. Filipe foi e falou com André. Então André e Filipe o disseram ao Senhor.

23. Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado.

24. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto.

25. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna.

26. Se alguém me quer servir, siga-me; e, onde eu estiver, estará ali também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará.

27. Presentemente, a minha alma está perturbada. Mas que direi?… Pai, salva-me desta hora… Mas é exatamente para isso que vim a esta hora.

28. Pai, glorifica o teu nome! Nisto veio do céu uma voz: Já o glorifiquei e tornarei a glorificá-lo.

29. Ora, a multidão que ali estava ao ouvir isso, dizia ter havido um trovão. Outros replicavam: Um anjo falou-lhe.

30. Jesus disse: Essa voz não veio por mim, mas sim por vossa causa.

31. Agora é o juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo.

32. E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim.

33. Dizia, porém, isto, significando de que morte havia de morrer.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

Gostaríamos de ver Jesus

Ao iniciar a reflexão deste final de semana já nos deparamos com algo intrigante: gregos desejando ver a Jesus. Ou seja, pessoas de fora do convívio dos Judeus desejando também a ver Jesus. E procuraram a Felipe para que ele os levasse a Jesus. Naturalmente isso aconteceu porque Felipe provavelmente tinha uma postura de discípulo, de alguém com intimidade a Jesus, que o conhecesse, tivesse acesso. Assim deve ser a nossa presença na universidade: que através e de nós os que estão próximos possam também ver Jesus. Aqueles que são realmente discípulos e missionários de Jesus são procurados, pois a sede de Deus é muito grande e aí se apresenta uma oportunidade de mostra-Lo. Mas algo muito triste que se contrapõe a esta realidade é que, na ausência de “Felipes”, ou seja de discípulos de Jesus nas universidades e no mundo do trabalho, as pessoas procuram “outros Felipes”. E lá estarão os traficantes, os prostitutos, os enganadores que tentam saciar a sede e o desejo dos nossos irmãos/amigos. NÃO EXITE, SEJA UM DISCIPULO, SEJA REFERENCIA NA FÉ. QUE MUITOS VENHAM A VOCE DESEJANDO VER JESUS. CORAGEM!

Se o grão de trigo não morre

(Frei Raniero Cantalamessa OFM, pregador da casa pontifícia)

“Se o grão de trigo não cai na terra e morre, fica só; mas se morre, dá muito fruto”.

A imagem do grão de trigo serve para nos transmitir um ensinamento sublime que põe luz, antes de tudo, em seu caso pessoal, e depois também no de seus discípulos.

O grão de trigo é, antes de tudo, o próprio Jesus. Como um grão de trigo, Ele caiu em terra em sua paixão e morte, reapareceu e deu fruto com sua ressurreição. O “muito fruto” que Ele deu é a Igreja que nasceu de sua morte, seu corpo místico.

Potencialmente, o “fruto” é toda a humanidade –não só nós, os batizados–, porque Ele morreu por todos, todos foram redimidos por Ele, também quem ainda não sabe disso. A passagem evangélica conclui com estas significativas palavras de Jesus: “Eu, quando for elevado da terra, atrairei todos para mim”.

Mas a história do pequeno grão de trigo ajuda também, em outro versículo, a entender a nós mesmos e o sentido de nossa existência. Depois de ter falado de trigo, Jesus acrescenta: “Pois aquele que quiser salvar a sua vida vai perdê-la, mas o que perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la” (Mt 16, 25). Cair em terra e morrer não é, portanto, só o caminho para dar fruto, mas também para “salvar a própria vida”, isto é, para seguir vivendo! O que ocorre com o grão de trigo que rejeita cair na terra? Vem algum pássaro e o come, ou se seca ou desfalece em um lugar úmido, ou é moído na farinha, comido e aí termina tudo. Em todo caso, o grão, como tal, não continuou. Se ao contrário é semeado, reaparecerá e conhecerá uma nova vida, como nesta estação vemos que sucedeu com os grãos de trigo semeados no ano passado.

No plano humano e espiritual isso significa que se o homem não passa pela transformação que vem pela fé e o batismo, se não aceita a cruz, mas fica agarrado a seu modo natural de ser e a seu egoísmo, tudo acabará com ele, sua vida se encaminha a um esgotamento. Juventude, velhice, morte. Se, ao contrário, crê e aceita a cruz em união com Cristo, então se lhe abre o horizonte de eternidade.

Há situações, já nesta vida, sobre as quais a parábola do grão de trigo coloca uma luz tranqüilizadora. Tu tens um projeto que te importa muitíssimo; por ele trabalhaste, havia-se convertido no principal objetivo na vida, e eis aqui que em pouco tempo o vê como caído na terra e morto. Fracassaste; ou talvez te privasses dele e ele foi confiado a outro que recolhe seus frutos. Lembra-te do grão de trigo e espera. Nossos melhores projetos e afetos (às vezes o próprio matrimônio dos esposos) devem passar por esta fase de aparente escuridão e de gélido inverno para renascer purificados e cheios de frutos. Resistem-se à provação, são como

o aço depois que foi submerso em água gelada e saiu “temperado”. Como sempre, constatamos que o Evangelho não está longe, mas muito perto de nossa vida. Também quando nos fala com a história de um pequeno grão de trigo.

Ao final, estes grãos de trigo que caem na terra e morrem seremos nós mesmos, nossos corpos confiados à terra. Mas a palavra de Jesus assegura-nos que também para nós haverá uma nova primavera. Ressurgiremos da morte, e desta vez para não morrer mais.

Se alguém me serve, meu pai o honrará

Que maravilha esta promessa deixada por Jesus, assim que nenhum de nós duvide que o nosso serviço ao reino deixará de ter o seu labor e muito mais a sua honra, por Ele exercida. Aqui desejo destacar duas coisas: 1) se estamos a serviço na igreja o fazemos ao Senhor Jesus e não a pessoas, esta certeza de que servimos a Deus pode evitar alguns conflitos, como desapontamentos ( por falta de reconhecimento, por falta de paciência, por alguma limitação, etc…) e então tudo fica mais doce e suave, pois se coloca mais afinco, compromisso, generosidade, amor.

2) Ninguém que trabalha na messe do Senhor deixará de ser honrado, a promessa é clara “meu pai o honrará”, sendo assim também não é necessário ficar esperando a honra já aqui neste mundo pelo serviço prestado. Isso é algo que se consegue com diligencia ao coração e até mesmo explica por que muitos trabalhos executados não produzem os frutos esperados, pois ao ser feito já se espera a honra. Um político graduado da Inglaterra ao comparar seus feitos como político, aos de Madre Tereza de Calcutá disse assim: Madre Tereza e eu fazemos muitas obras para a humanidade, porém a diferença entre nós é que eu as faço por algo (fama, poder, honrarias) e ela o faz por alguém, que é Jesus.

AMADOS FILHOS, PEÇO-VOS AGORA A RECOLHEREM-SE UM MINUTO EM ORAÇÀO PARA PEDIRMOS AO PAI A GRAÇA DE TERMOS ESTA CONVICÇÀO EM NOSSOS CORAÇÒES, OU SEJA, A DE QUE SERVIMOS AO SENHOR E QUE ENTÀO NOSSO CORAÇÀO SEJA DESPRENDIDO DE TODA HONRA DO MUNDO, E AO CONTRÁRIO BUSQUE A HONRA DO PAI CELESTE.

Mas é exatamente para isso que vim

Nesta expressão de Jesus, percebe-se a plenitude da compreensão da sua missão. E como seria bom que caminhássemos com esta certeza. Aqueles que hoje caminham como estudantes se tornem exemplos, modelos. Que nós, membros do MUR, possamos ser o exemplo a ser seguido pelos demais e depois dizer como Jesus: foi exatamente para isso que vim.

Aqui poderia dar-se ênfase aos estudantes de pós graduação que ao escolherem os assuntos alvos das suas pesquisas, o fizessem com o mesmo espírito de serviço a sociedade e buscassem assuntos de relevância também social. Da mesma forma, aquele que já conseguiu a sua formatura e agora se encontra no mundo do trabalho, que este desempenhe se trabalho com afinco, com o olhar no sucesso da sua carreira, que é uma aspiração justa, mas também que se comprometa com a sociedade na solução de seus problemas.

UM PROFISSIONAL DO REINO É SINAL DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS, TRAZ LUZ SOBRE OS DESAFIOS DA COMUNIDADE, É RESPONSÁVEL, JUSTO, FRATERNO, COMPROMETIDO COM OS VALORES DO REINO. É TAMBÉM PROFETA QUE DENUNCIA OS VALORES DE MORTE E ANUNCIA OS VALORES DA VIDA. É SINAL DE ESPERANÇA E PAZ.

É TAMBÉM PARA ISSO QUE NOS FORMAMOS!

Reflexão final

O desejo de ver Jesus é algo da nossa natureza, alguns até se dispõe a fazer como Zaqueu que subiu em “pontos privilegiados” de observação. Ao cristão cabe adotar as duas posturas, a de quem deseja ver o Senhor, e ao mesmo tempo como cristão na realidade acadêmica tem o desafio de ser “Felipe” que é procurado por aqueles que desejam ver o Jesus, e que não são poucos, para que os conduzamos a Jesus.

A morte deve ser mais companheira daqueles que desejam a perfeição no serviço ao reino. Todos desejamos a vida e Jesus veio nos trazê-la em abundância, mas nosso crescimento, amadurecimento encontra-se na morte do nosso eu, da nossa forma de pensar, do quere fazer do meu jeito e então ao morrer-se nestes valores, brota se uma vida em abundancia.

Todos que já fomos agraciados de uma forma ou de outra pelo Senhor, somos chamados a servi-lo imediatamente, assim como aconteceu com a sogra de Pedro (cf. Mc 1, 30-31) e então diz Jesus que o Pai nos honrará. EXISTE HONRA MELHOR?

ENTÀO AMIGOS… AO SERVIÇO!

Uma das coisas gostosas da vida, é ter a certeza de que aquilo que esta sendo realizado era o que deveria ser, outra coisa é quando estamos em um lugar e tem-se a certeza de que era ali mesmo que se deveria estar. Que bom quando se assume a vivência da fé com todas as suas conseqüências e pode se concluir que é isso mesmo que se deseja. Então contribuímos com a construção de um mundo melhor, mas justo e fraterno.

VEM ESPÍRITO SANTO, VEM!