Evangelho da Semana (Lucas 22,14-23)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

14. Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se à mesa, e com ele os apóstolos.

15. Disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer.

16. Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus.

17. Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós.

18. Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus.

19. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.

20. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós…

21. Entretanto, eis que a mão de quem me trai está à mesa comigo.

22. O Filho do Homem vai, segundo o que está determinado, mas ai daquele homem por quem ele é traído!

23. Perguntavam então os discípulos entre si quem deles seria o que tal haveria de fazer.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

Jesus não queria o sofrimento, mas não fugiu dele. Tinha saltado das alturas do Pai para o seio de sua santa Mãe. Mas, havia chegado o momento de partir outra vez para o Pai. Só tinha feito uma coisa durante a travessia: amar. E agora, no fim de sua vida, dispunha-se a lançar sua suprema ofensiva de amor: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer”.

Não procurava a morte. Nunca tinha saído ao encontro dos que não o aceitavam para desafiá-los, dizendo: estou aqui, façam de mim o que quiserem. Pelo contrário, tratara de esconder-se quanto fora possível. Arriscou uma ou outra vez a sua vida, mas não queria a morte; só queria a conversão de Israel. O resto havia entregado nas mãos do Pai.

Jesus tinha um objetivo a alcançar e sabia que o sofrimento fazia parte dele. Todavia, o seu relacionamento com o Pai era de uma profundidade a toda prova e ele tinha certeza de que não estava sozinho: “Eis que vem a hora em que sereis espalhados, cada um para o seu lado, e me deixareis sozinho. Mas não estou só, porque o Pai está sempre comigo” (Jo 16, 32).

Esta foi, sem dúvida, uma fantástica lição de vida que Jesus nos deixou: precisamos ter com Deus um relacionamento tal de intimidade que nos permita perceber se a nossa caminhada está de acordo com sua vontade ou não. Quando permitimos que o Senhor manifeste em nossa vida os seus desígnios, não precisamos ter medo dos sofrimentos, incompreensões, solidão, que fazem parte da caminhada de todo ser humano, mas que é possível suportar e superar quando se tem a certeza da presença de Deus.

Na noite que antecedeu a paixão e morte de Jesus, Ele convidou seus amigos para cear. Não se tratava, porém, de uma ceia simplesmente para matar a fome, mas uma demonstração suprema do amor que Ele tinha pela humanidade. Não queria deixar-nos sós, porque sabia que não daríamos conta de sermos os continuadores de sua missão, se Ele mesmo não permanecesse conosco todos os dias, curando, libertando, renovando as forças na caminhada. Por isto disse que desejava ardentemente comer aquela ceia com os discípulos.

Por sua presença no pão e no vinho, ele se constituía companheiro inseparável de toda solidão humana até o fim dos tempos. A Eucaristia iria garantir sua presença nos corações habitados pela dor, garantiria o sono tranqüilo aos órfãos, pois se sentaria à sua sombra com coração de mãe. Seria o consolo e a fortaleza para as mães que choram seus filhos mortos. Para os feridos à beira do caminho seria o remédio, bem como um firme amparo para os encurvados sob o peso da idade.

Enfim, pela Eucaristia, seria uma ilha no oceano da solidão e um oásis no deserto da humanidade. A partir daquela noite, ninguém teria o direito de se lamentar de sua solidão ou de sua orfandade, porque Ele é para todos presença ressuscitada no pão e no vinho.

Quando perdemos alguém que amamos muito, tudo o que a pessoa fez ou falou nos momentos finais de sua existência, tem para nós uma importância toda especial. Considerando que esta pessoa é o próprio Deus no meio de nós, ao participarmos da procissão para receber a Eucaristia, instituída por Jesus pouco antes de sua morte, dobremos o nosso coração em louvor e agradecimento por esse amor que foi às últimas conseqüências com o objetivo de nos trazer plenitude de vida. LSNSJC!