Evangelho da Semana: Mc 15, 1-39

Antes da nossa leitura deste domingo rezemos: Sabemos Senhor que a tua palavra é luz para os nossos passos e sob a tua luz desejamos caminhar. Por isso te pedimos enviai o vosso Espírito e dai-nos clareza acerca do que deseja nos dizer através desta palavra. Fortalecei nossa decisão para que possamos optar sempre pela tua palavra. Uma vez que “só Tu Senhor tens palavras de vida eterna”

Novo tempo Litúrgico

Neste final de semana entramos na semana santa, tempo de reflexão na paixão, morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. TEMPO DE PROFUNDA REFLEXÀO SOBRE O SOFRIMENTO DE JESUS, SUA MORTE COMO SINAL DE AMOR POR CADA UM DE NÓS E SUA RESSURREIÇÃO.

Sofrimento de Jesus, sua morte como sinal de amor por cada um de nós e sua ressurreição

Evangelho de 05/04/09 – Mc 15, 1-39

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

1. Logo pela manhã se reuniram os sumos sacerdotes com os anciãos, os escribas e com todo o conselho. E tendo amarrado Jesus, levaram-no e entregaram-no a Pilatos.

2. Este lhe perguntou: És tu o rei dos judeus? Ele lhe respondeu: Sim.

3. Os sumos sacerdotes acusavam-no de muitas coisas.

4. Pilatos perguntou-lhe outra vez: Nada respondes? Vê de quantos delitos te acusam!

5. Mas Jesus nada mais respondeu, de modo que Pilatos ficou admirado.

6. Ora, costumava ele soltar-lhes em cada festa qualquer dos presos que pedissem.

7. Havia na prisão um; chamado Barrabás, que fora preso com seus cúmplices, o qual na sedição perpetrara um homicídio.

8. O povo que tinha subido começou a pedir-lhe aquilo que sempre lhes costumava conceder.

9. Pilatos respondeu-lhes: Quereis que vos solte o rei dos judeus?

10. (Porque sabia que os sumos sacerdotes o haviam entregue por inveja.)

11. Mas os pontífices instigaram o povo para que pedissem de preferência que lhes soltasse Barrabás.

12. Pilatos falou-lhes outra vez: E que quereis que eu faça daquele a quem chamais o rei dos judeus?

13. Eles tornaram a gritar: Crucifica-o!

14. Pilatos replicou: Mas que mal fez ele? Eles clamavam mais ainda: Crucifica-o!

15. Querendo Pilatos satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás e entregou Jesus, depois de açoitado, para que fosse crucificado.

16. Os soldados conduziram-no ao interior do pátio, isto é, ao pretório, onde convocaram toda a coorte.

17. Vestiram Jesus de púrpura, teceram uma coroa de espinhos e a colocaram na sua cabeça.

18. E começaram a saudá-lo: Salve, rei dos judeus!

19. Davam-lhe na cabeça com uma vara, cuspiam nele e punham-se de joelhos como para homenageá-lo.

20. Depois de terem escarnecido dele, tiraram-lhe a púrpura, deram-lhe de novo as vestes e conduziram-no fora para o crucificar.

21. Passava por ali certo homem de Cirene, chamado Simão, que vinha do campo, pai de Alexandre e de Rufo, e obrigaram-no a que lhe levasse a cruz.

22. Conduziram Jesus ao lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do crânio.

23. Deram-lhe de beber vinho misturado com mirra, mas ele não o aceitou.

24. Depois de o terem crucificado, repartiram as suas vestes, tirando a sorte sobre elas, para ver o que tocaria a cada um.

25. Era a hora terceira quando o crucificaram.

26. A inscrição que motivava a sua condenação dizia: O rei dos judeus.

27. Crucificaram com ele dois bandidos: um à sua direita e outro à esquerda.

28. [Cumpriu-se assim a passagem da Escritura que diz: Ele foi contado entre os malfeitores (Is 53,12).

29. Os que iam passando injuriavam-no e abanavam a cabeça, dizendo: “Olá! Tu que destróis o templo e o reedificas em três dias,

30. salva-te a ti mesmo! Desce da cruz!”

31. Desta maneira, escarneciam dele também os sumos sacerdotes e os escribas, dizendo uns para os outros: Salvou a outros e a si mesmo não pode salvar!

32. Que o Cristo, rei de Israel, desça agora da cruz, para que vejamos e creiamos! Também os que haviam sido crucificados com ele o insultavam.

33. Desde a hora sexta até a hora nona, houve trevas por toda a terra.

34. E à hora nona Jesus bradou em alta voz: “Elói, Elói, lammá sabactáni?”, que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”

35. Ouvindo isto, alguns dos circunstantes diziam: “Ele chama por Elias!”

36. Um deles correu e ensopou uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta de uma vara, deu-lho para beber, dizendo: “Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo”.

37. Jesus deu um grande brado e expirou.

38. O véu do templo rasgou-se então de alto a baixo em duas partes.

39. O centurião que estava diante de Jesus, ao ver que ele tinha expirado assim, disse: “Este homem era realmente o Filho de Deus”.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

És tu o rei do Judeus?

A resposta de Jesus a este questionamento foi apenas um sim, da mesma forma como Maria respondeu ao apelo do anjo. Então, neste contexto o próprio Jesus dá testemunho de quem ELE é.

E para mim, quem é realmente Jesus? É Ele realmente o Rei? Alguém por quem tenho feito a minha opção de servir? Sim, Jesus é também nosso rei, não apenas dos judeus. Primeiramente, é Deus porque deu seu sangue, sua vida pela minha/sua/nossa salvação. É Ele que nos batiza no Espírito Santo.

Se Ele é o nosso rei, merece um espaço de rei em nossas vidas, devemos gastar tempo com Ele, nos envolver com o seu reino, com seus valores, e também saber o que Ele nos oferece, seus feitos, poderes, para assim acolhê-lo realmente como rei.

Se de nossos ídolos sabemos muito, mantemos muitas coisas que nos remetem a eles, vamos ao seu encontro, fazemos coisas inacreditáveis para estarmos com eles, imagine-se então o que deveremos fazer para estarmos com nosso rei, que naturalmente é muito mais do que um ídolo!

Quanto tempo tenho gasto com meu rei? Que tipo de loucura eu já fiz por Ele? Quais as coisas que tenho que me remetem a Ele? Qual crédito dou às palavras Dele? ELE influencia a minha vida?

SERA QUE JESUS É MESMO O MEU REI?

Jesus deu testemunho Dele mesmo sendo o rei dos Judeus e somente eu/você podemos dar testemunho de que Ele é também nosso rei, nos comprometendo com Ele e com seu reino.

Inveja

Esse sentimento que faz com que tenhamos pesar pela prosperidade de alguém é um sentimento que muito atrapalha a nossa vida, nossa caminhada, quer seja no serviço na igreja, quer seja no âmbito profissional, nos estudos e nas demais realidades de nossa vida.

Será que eu me alegro quando um colega de sala tira nota melhor que a minha? Ou quando um colega de trabalho é promovido? Ou, contrariamente, permito ser dominado por um sentimento de desejo de fracasso desta pessoa. PENSE BEM!

Santo Agostinho dizia “Elimina a inveja e o que é meu será teu, e se eu elimino a inveja será meu o que possuis”.

Assim, amados, devemos buscar o auxílio divino para arrancarmos este sentimento de nossa vida e cultivarmos em nós a alegria pela vitória de outrem. O fracasso alheio em nada nos ajudará a sermos melhores e contribuirmos com a construção de um mundo melhor, mais justo e fraterno. O que precisa ser feito para que o outro seja vitorioso, deve ser feito, pois foi exatamente isso que Jesus fez por nós.

As disputas por notas na academia se nos estimularem a estudar mais, a nos prepararmos mais, serão sempre saudáveis, porém, se geram em nós sentimentos como a inveja devem ser revistas, da mesma forma em nosso trabalho e no serviço ao reino.

Quando estamos a serviço, a manifestação de um carisma na vida de nossos irmãos deve produzir em nós alegria e não a inveja e provocar em nós sentimentos que desejam o fracasso, o erro ou a queda da pessoa agraciada. OUSARIA A DIZER QUE ISTO É DEMONIACO!

Crucifica-o

Eis um trecho da reflexão proposta pelo Frei Raniero Cantalamessa, OFM. Pregador da casa pontifícia. (traduzida por Zenit)

No Evangelho do domingo de Ramos, escutamos por completo o relato da Paixão segundo São Marcos. Nós nos propomos a questão crucial, e para responder a ela foram escritos os Evangelhos: por que um homem assim acabou na cruz? Qual é o motivo e quem foram os responsáveis pela morte de Jesus?

A conclusão que podemos tirar das considerações históricas realizadas é, portanto, que poder religioso e poder político, os chefes do Sinédrio e o procurador romano, participaram ambos, por motivos diferentes, na condenação de Cristo. Devemos acrescentar, em seguida, que a história não diz tudo, nem o essencial sobre este ponto. Pela fé, quem deu morte a Jesus fomos todos nós com os nossos pecados.

Deixemos agora de lado as questões históricas e dediquemos algum instante a contemplá-lo. Como se comporta Jesus na Paixão? Sobre-humana dignidade, paciência infinita. Nem um só gesto ou palavra que desminta o que Ele havia pregado em seu Evangelho, especialmente nas bem-aventuranças. Ele morre pedindo o perdão para seus verdugos.

Contudo, não há nada n’Ele que se assemelhe ao orgulhoso desprezo da dor do estóico. Sua reação ao sofrimento e à crueldade é humaníssima: treme e sua sangue no Getsêmani, desejaria que o cálice passasse dele, busca apoio em seus discípulos, grita sua desolação na cruz: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?».

Uma marca desta grandeza sobre-humana de Cristo na Paixão me fascina: seu silêncio. «Jesus calava» (Mt 26, 63). Cala ante Caifás, cala ante Pilatos, quem se irrita por seu silêncio; cala ante Herodes, que esperava vê-lo fazer um milagre (cf. Lc 23, 8). «Ao ser insultado, não respondia com insultos; ao padecer, não ameaçava», diz d’Ele a I Carta de Pedro (2, 23).

Só um instante antes de morrer rompe o silêncio e o faz com aquele «forte grito» que lança desde a cruz e que arranca do centurião romano a confissão: «Verdadeiramente este era Filho de Deus».

Reflexão final

Quem é Jesus para cada um de nós? Será mesmo o Rei? Se ELE é mesmo o nosso rei, busquemos andar segundo as leis de seu reino.

Muitas vezes em eventos passamos a aclamá-lo: Ei, ei, ei, Jesus é nosso rei! E não muitas vezes fazemos isso pelo ambiente emocional daquele momento, mas na semana santa somos chamados a uma reflexão aprofundada, em clima de fé e não apenas de emoção comum aos nossos encontros.

Que na reflexão destes dias possamos ser tocados pela força dos acontecimentos da paixão, morte e ressurreição de Jesus e nos comprometamos com o seu reino.

A inveja é um vício detestável, pois nos torna incapazes de alegrarmo-nos com um bem que é do outro, dá origem a muitas contradições, ultrajes e perseguições, e muitas vezes tem como consequências a violência e disto propomos a nos livrar nesta Campanha da Fraternidade.

Todo cuidado com nossos atos, pensamentos e, até mesmo, com nossas omissões, pois se pode dessa maneira, estar crucificando a Cristo como outrora o fizeram outros.

VEM ESPÍRITO SANTO, VEM!