Evangelho da semana: Mc 6, 30-34

Antes da nossa leitura deste domingo rezemos: Sabemos Senhor que a tua palavra é luz para os nossos passos e sob a tua luz desejamos caminhar. Por isso, te pedimos, enviai o vosso Espírito e dai-nos clareza acerca do que deseja nos dizer através desta palavra. Fortalecei nossa decisão para que possamos optar sempre pela tua palavra, uma vez que “só Tu Senhor tens palavras de vida eterna”.

Evangelho de 19/07/09 – Mc 6, 30-34

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

30. Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-lhe tudo o que haviam feito e ensinado.

31. Ele disse-lhes: Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que iam e vinham e nem tinham tempo para comer.

32. Partiram na barca para um lugar solitário, à parte.

33. Mas viram-nos partir. Por isso, muitos deles perceberam para onde iam, e de todas as cidades acorreram a pé para o lugar aonde se dirigiam, e chegaram primeiro que eles.

34. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

“Voltaram para junto de Jesus”

Nossa reflexão inicia-se no evangelho da última semana, onde Jesus enviou os discípulos dois a dois em missão. Hoje, o evangelista Marcos, diz que, os que outrora foram enviados em missão, “voltaram para junto de Jesus”. Creio ser esta atitude uma fonte de renovação para aqueles que saem em missão, em nome de Jesus, da igreja, assim como nós o fazemos regularmente no meio universitário, no mundo do trabalho, ou ainda em outros trabalhos missionários, como o projeto Amazônia.

Voltar para junto de Jesus após uma missão demonstra sabedoria e desejo da melhor companhia. Temos um enorme desafio, ou seja, fazer ecoar o evangelho na realidade universitária. Quantos frutos bonitos colhidos, mas ainda falta muito.

Voltar a Jesus após uma missão, partilhar as dificuldades, “chorar os foras”, agradecer os frutos, bendizer ao socorro/acompanhamento do Espírito Santo será sempre um sinal de humildade, amizade, de compromisso para com Jesus, o SENHOR.

Muitas vezes se deseja encontrar um amigo, orientador, uma pessoa a quem admiramos pelo seu testemunho,… para partilhar-lhe a nossa missão e isso é realmente importante e ajuda no amadurecimento para com a nossa missão. Porém, o mais importante é que voltemo-nos para junto de Jesus.

Jesus nos envia em missão e depois nos acolhe junto dEle.

Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco

(Jesus ensina como viver as férias, mostra pregador do Papa1)

Na passagem do Evangelho, Jesus convida seus discípulos a separar-se da multidão, do seu trabalho, e retirar-se com Ele a «um lugar deserto». Ele lhes ensina a fazer o que Ele fazia: equilibrar ação e contemplação, passar do contato com as pessoas ao diálogo secreto e regenerador consigo mesmo e com Deus.

O tema é de grande importância e atualidade. O ritmo de vida adquiriu uma velocidade que supera nossa capacidade de adaptação. A cena de Charlot concentrado na linha de montagem em Tempos Modernos é a imagem exata desta situação. Perde-se, desta forma, a capacidade de separação crítica que permite exercer um domínio sobre o fluir, freqüentemente caótico e desordenado, das circunstâncias e das experiências diárias.

Jesus, no Evangelho, jamais dá a impressão de estar agitado pela pressa. Às vezes, ele até perde o tempo: todos o buscam e Ele não se deixa encontrar, absorto como está na oração. Às vezes, como em nossa passagem evangélica, Ele inclusive convida seus discípulos a perderem tempo com Ele: «Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco». Ele recomenda freqüentemente que não se agitem. Também o nosso físico, quanto bem recebe através de tais «folgas».

Entre essas «pausas», estão precisamente as férias. Elas são, para a maioria das pessoas, a única oportunidade de descansar um pouco, para dialogar de forma distendida com o próprio cônjuge, brincar com os filhos, ler algum bom livro ou contemplar a natureza em silêncio; em resumo, para relaxar. Fazer das férias um tempo mais frenético que o resto do ano significaria arruiná-las.

Ao mandamento «Lembrai-vos de santificar as festas», seria preciso acrescentar: «Lembrai-vos de santificar as férias». «Parai (literalmente: vacate, tirai férias!), sabei que eu sou Deus», diz Deus em um salmo (Salmo 46).

Esta exigência de tempos de solidão e de escuta se apresenta de forma especial aos que anunciam o Evangelho e aos animadores da comunidade cristã, que devem permanecer constantemente em contato com a fonte da Palavra que devem transmitir aos seus irmãos.

É preciso dizer que as férias de Jesus com os apóstolos foram de breve duração, porque as pessoas, vendo-o partir, seguiram-no a pé até o lugar de desembarque. Mas Jesus não se irrita com as pessoas que não lhe dão trégua, senão que «se comove», vendo-as abandonadas a si mesmas, «como ovelhas sem pastor», e começa a «ensinar-lhes muitas coisas».

Isso nos mostra que é preciso estar dispostos a interromper até o merecido descanso frente a uma situação de grave necessidade do próximo. Também aqui cabe uma pequena sugestão prática: olhar à nossa volta e ver se existe alguém a quem ajudar a sentir-se menos sozinho na vida, com uma visita, uma ligação, um convite a vê-lo um dia no lugar das férias: aquilo que o coração e as circunstâncias sugiram.

Aproveitando o gancho do pregador da casa papal, lancemos um olhar sobre a nossa faculdade e neste “tempo de férias” que alguns vivem. Busquemos nossos irmãos que possam estar longe das suas famílias, devido a falta de recursos para viajar, convide-o (a) a passar alguns dias na companhia da sua família, ou a fazer parte de sua viagem de férias. Ou ainda existe alguém com dificuldade em alguma disciplina? Que tal “investir” algum tempo para que esta pessoa possa recuperar-se? Ou ainda, logo chegará o inicio do semestre, que tal ajudar a alguém a arrumar uma república para se alojar… Seriam tantas as oportunidades e realizações a serem oferecida como parte de nossa acolhida cristã à comunidade universitária. REFLITAMOS!

Jesus e a Universidade

“de todas as cidades acorreram a pé para o lugar aonde se dirigiam”

No texto evangélico, percebe-se pessoas vindas de todas as partes ao encontro de Jesus, uns vinham por causa das curas, outros por causa das palavras. O fato é que Jesus atraia as pessoas e após algum contato, convívio com ELE as pessoas eram transformadas, ou melhor, eram SALVAS, por que acima de tudo essa era a missão de Jesus.

Semelhante fato acontece hoje com as nossas faculdades/universidades. Pessoas vem de muitas partes (cidades) até elas, em busca de formação, de cura (da ignorância), de capacitação e também de salvação. A universidade também pode se tornar uma grande fonte de salvação, ao assumir seu papel de formadora de profissionais comprometidos com valores evangélicos ( não necessariamente o evangelho e muito menos confessional), mas ao preparar profissionais que buscam e agem em nome da verdade, da justiça, comprometidos com transformações sociais. Não apenas preocupados com uma colocação profissional, e pior ainda a serviço de grupos particulares.

Assim como Jesus era fonte de salvação, as Universidades Renovadas, devem ser sinais de salvação, ao colaborem com a formação destes profissionais, ao ajudar na chegada, na permanência, na vivência dos estudantes no dia a dia da vida acadêmica. Ainda ao produzir de forma concreta, pessoas comprometidas com transformações, com um mundo mais justo e mais fraterno, mais solidário.

As universidades, assim como Jesus, devem ter compaixão para com a sociedade e seus desafios e devem ser apresentar na busca de soluções aos problemas. Em nossas terras onde a maioria de declara cristão/católico, nosso desafio é ainda maior. Então, que possamos colocar a mão na massa e depois voltemos para junto de Jesus para partilhar as atividades da nossa missão.

Reflexão Final

Estar na companhia de Jesus sempre será a maior de todas as virtudes do homem, portanto, independentemente da sua crença, reserve sempre um tempo para a companhia de Jesus. Lá se pode partilhar os acontecimentos da vida, do trabalho, da missão e então reabastecer-se junto do mestre dos mestres.

Contar a Jesus o que temos feito será, no mínimo, um grande desabafo, embora ELE espere muito mais de nós. Ao “falarmos” com o SENHOR o que temos feito, as dificuldades, as quedas da nossa vida, bem como os sucessos e avanços nos permitirá reflexão e amadurecimento diante dos desafios e missão.

O descanso é tempo especial de reabastecimento e Jesus sabia disso, por isso proporcionou, mesmo que por pouco tempo, esta graça aos apóstolos. Muitos de nós estamos em período de férias, devemos então procurar a companhia de Jesus de “forma especial” e na presença dele se abastecer. Ao contrário do proposto acima, alguns entendem que este tempo é o tempo para tirar todo o atraso das baladas, festas, aventuras… e se enchem de tantas coisas, deixando o SENHOR fora de cena das suas vidas. Com certeza será um semestre mais difícil pela frente, pois não voltaremos abastecidos.

Após um semestre puxado ou uma temporada de trabalho árduo, um merecido descanso na presença do Senhor é a melhor de todas as escolhas. A compaixão de Jesus nos convida a rever o uso que fazemos de nossas férias. Somos chamados a mostrar com gestos concretos a profundidade e riqueza de nossa fé. Adotar um amigo (a), levando-o (a) a passar alguns dias com nossas famílias, ou ainda investir algum tempo com alguém que possa estar com dificuldades acadêmicas, pode ser o maior testemunho cristão que as Universidades Renovadas podem oferecer à comunidade acadêmica.

VEM ESPÍRITO SANTO, VEM!

1 Frei Raniero Cantalamessa, ofm cap, sobre a liturgia de 21 julho de 2006.