Louvor: exercício celeste

A natureza, em toda a sua diversidade, pode ensinar-nos a ter uma vida de louvor a Deus, uma vez que, como dizia Santo Agostinho, “tudo o que fizeres, faze-o bem e terás louvado a Deus”. Acreditando nisso, podemos apreciar hinos de louvor no canto dos pássaros; no barulho dos ventos e na brisa suave que toca o nosso rosto; no barulho das ondas do mar que nos inspira; na chuva que cai que molha a relva; no sol que brilha e nos aquece; no arco-íris que pinta o horizonte e a nossa alma; nas nuvens que se desenham no céu e despertam nossa criatividade; na flor que desabrocha e nos encanta; na água que mata a nossa sede; na mãe que amamenta o seu filho…

E ainda, na vela que se consome; num templo que se ergue e nos aponta o céu; no abraço entre amigos que consola; no sorriso sincero e até na lágrima que insiste em cair dos olhos sofridos.

Poderíamos enumerar vários outros exemplos. Todavia, abro espaço aqui para o seu coração acrescentá-los… Louve, enquanto trilha por estas palavras…

O Catecismo da Igreja Católica ensina-nos que o louvor integra as outras formas de oração e as leva Àquele que é sua fonte e termo final. Diz ainda que é a forma de oração que reconhece o mais imediatamente possível que Deus é Deus. Cantamos pelo o que Deus é, muito mais do que por aquilo que Ele faz. (Cf. CIC…) É por isso que, quando fazemos bem aquilo que nos cabe, estamos em atitude de louvor. Esta deve ser uma postura que deve permear toda a nossa vida. Caso não seja uma atitude tão natural quanto é o canto para os pássaros ou o brilho para o sol, devemos e podemos exercitar-nos.

O mesmo Santo Agostinho dizia que: “Nossa meditação é uma espécie de treino no louvor do Senhor. Se a felicidade da vida futura consiste em louvar a Deus, como poderemos louvá-lo se não formos treinados? Louva e bendiz ao Senhor todos e em cada um dos teus dias para que quando venha esse dia sem fim, possas passar de um louvor ao outro sem esforço”.

Percebe-se assim que o ato de louvar a Deus é um viver antecipadamente as maravilhas que nos aguardam no céu. É o exercício de fé, antes de vermos Deus em Sua glória. É um cantar verdades supremas e plenas, sem mesmo vê-Lo. E, por isso, pode-se afirmar que “a fé é assim um puro louvor” (CIC 2642).

Diga-se ainda que a fé pode ser um ato heróico de louvor, uma vez que, na medida que tiramos os olhos de certas situações de nossas vidas para exaltarmos Aquele que é maior e vencedor sobre todas as coisas, permitimos que Deus, a Seu tempo, aja em nosso coração e transforme, se não a situação em si, a nossa maneira de encará-la.

E assim Te pedimos, Senhor. Aumente a nossa fé. Dá-nos uma fé viva, capaz de te louvar em qualquer situação. Dá-nos um coração destemido como o do mar que não se constrange em se lançar à praia. Dá-nos a versatilidade dos ventos para Te agradecer na tempestade ou na bonança. Que nosso olhar brilhe como o sol, sendo capaz de aquecer os corações sofridos e levá-los a Te bendizer. Dá-nos corações que se encantem com o céu, com as nuvens e com o arco-íris para que todos os nossos atos sejam o mais sincero louvor a Ti.

“Quero exaltar-te e bendizer teu nome eternamente e para sempre. Quero bendizer-te todo dia, louvar teu nome eternamente e para sempre.” Sl 145,1s.