O Caminho do Céu

É um indescritível presente de Deus atingir setenta anos de ministério presbiteral. Trata-se de uma vida longa! A comunidade viçosense se rejubila com a generosa vida de seu querido filho Sacerdote: MONSENHOR JOAQUIM DA SILVA GUIMARÃES que acabou de fechar, em 27 de novembro próximo passado, 69 anos de Padre e ingressa em seu ANO JUBILAR.
Discípulo missionário do Sumo e Eterno Sacerdote, incansável apóstolo da Igreja de Cristo, Monsenhor Guimarães nos encanta com um longevo e edificante pastoreio na Messe do Senhor. Exímio mestre que se distingue pela pedagogia da presença, participando da vida do povo de modo intenso, cultivando perseverantes amizades. Configurado a Cristo Sacerdote, personifica o Bom Pastor para todos nós.

A união hipostática permitiu a Jesus ter Sua Pessoa revestida de duas naturezas: divina e humana. Esta deu-lhe a possibilidade de ser Sacerdote: dom e oferta apresentados a Deus. A natureza divina proporcionou caracteres infinitos à oferenda. Este foi o jeito que Deus descobriu para dar totalidade ao gesto a Ele oferecido. Qualquer oferta humana, mais generosa que fosse, seria incompleta, seja quanto à adoração, súplica, ou reparação, ou ao louvor. Em Jesus Cristo, reúne-se a humanidade inteira em perfeita oferenda ao Pai, pela força do Espírito Santo.

Sustentado pelo Espírito Santo, Jesus cumpre o projeto que o Pai lhe confiara. Antes, porém, de seu retorno com a ascensão, Ele institui o sacramento do amor: a Eucaristia. A nova e eterna Aliança é o acontecimento simbólico, (no sentido de reunir tudo), de toda a missão do Verbo encarnado na história. Trata-se do propósito Divino de “reunir todos em Cristo”. Na última Ceia e primeira Missa que Jesus ofereceu, reúnem-se Sua vida e morte. Gesto de amor, manifestando a expressão do amor de Deus.

Jesus, que esgotou a totalidade da Salvação em sua vida, paixão, morte e ressurreição, deu dinamicidade ao que, na verdade, é ininterrupto; a Redenção não cessa seus efeitos. Em cada pessoa, em toda a história, Ele quer reatualizar sua missão salvífica. Aqui nasce o ministério Sacerdotal.

Ser Padre é, pois, agir in persona Christi, sendo orientado (=ordenado) por Ele para Lavar os Pés da Humanidade, ou seja, prestar-lhe o serviço da salvação. Ser Padre é entregar a vida para Jesus e, com Ele, n’Ele e por Ele, tornar-se oferta gratuita à humanidade.

Ser feliz por ser Padre não depende de prestígio popular, muito menos de status quo. Não se vincula a êxitos administrativos, sociais ou políticos; nem mesmo ao sucesso externo das ações pastorais. Depende, isto sim, de ser um com Jesus Cristo. Este último fundamento favorece a abertura à ação da graça sacramental, onde Deus age através da natureza humana e possibilita a eficácia da missão do Sacerdote como: ALTER CHRISTUS. Sendo, pois, um OUTRO CRISTO, nenhum encargo, dentro ou fora da instituição eclesiástica, ultrapassa ou sequer alcança tamanha honra e igual responsabilidade.

Monsenhor Guimarães vive mergulhado profundamente neste mistério de nossa fé. Consagrando sua vida a Cristo Sacerdote, cingiu-se com a toalha da caridade e, como servidor da missão salvífica, expressa a ternura de Deus para conosco. A Arquidiocese de Mariana, seus familiares e nós seus amigos e amigas entoamos juntos Te Deum Laudamus!
Neste Jubileu de Vinho dos setenta anos de consagração Sacerdotal, podemos recordar o que, há duzentos anos, São João Maria Batista Vianney, o Cura D’Ars, disse ao pastorzinho, na estrada em direção à sua Paróquia: você pode me apontar o caminho para Ars? Com prontidão, naquela encruzilhada de 1818, onde a neblina, até para os pedestres ofuscava a direção a seguir, o garoto disse: “É por aqui!”, indicando a estrada correta. Em seguida, pôde ouvir daquele Padre que seguia a pé para pastorear seu novo Rebanho: “Você me mostrou o caminho para Ars, e eu vou mostrar-lhe O CAMINHO PARA O CÉU!”.

Padre Paulo Dionê Quintão
Pároco de Santa Rita de Cássia em Viçosa

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