O mistério da Santíssima Trindade

Cremos pela luz da fé que há um só Deus em três pessoas. Em Deus não há senão uma natureza, uma só essência, apenas uma substância, que subsistem em três pessoas, três centros de atribuição. São três centros de consciência, três modos de existir, três hipóstases ontologicamente relacionadas e não apenas em plano meramente dinâmico.

Tríade divinal que patenteia o Pai, o Filho e o Espírito Santo eternamente unidos no mesmo nome, no idêntico poderio e glória, numa inefável reciprocidade de conhecimento e afeição profunda. Foi preciso que o Filho, que se encarnou no seio da Virgem Maria, viesse a este mundo para expor esta realidade divina. Aos Apóstolos ele ordenou: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19. Quando Filipe pediu “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta. Respondeu Jesus: Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe!

Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai (Jo 14,8-9). É que Ele já havia dito aos Apóstolos: “Eu e o Pai somos um”    (Jo 10,30). Prometeu a seus discípulos: “O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito (Jo 14,26). No Antigo Testamento este mistério não foi revelado, mas insinuado. Quando Deus criou Adão ele disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, o que denota várias pessoas em Deus (Gn 1,26).

Quando da destruição de Sodoma ele enviou três Anjos revestidos da figura humana, os quais se hospedaram com Abraão que lhes falava como a um só. Santo Agostinho diz que o Patriarca via três e que não adorou senão um, porque os três representavam as três Pessoas da Santíssima Trindade que não são senão um Deus. O Profeta Isaías nos diz que teve uma visão na qual os Serafins que estavam perto do trono de Deus cantavam em coro: “Santo, Santo, Santo”, repetição que indica bem as três Pessoas da Trindade. Muitos filósofos antigos provaram pela razão a existência de Deus, mas não falaram da Trindade divina.

Foi preciso, de fato, que pessoalmente Cristo viesse ensinar esta sublime verdade que não é um absurdo para a razão humana. Desde toda eternidade o Pai se conhece. Este pensamento é eterno, substancial, é a imagem de toda vida divina igual a sua origem. Eis a segunda pessoa, o Filho, o Verbo eterno. O Pai e o Filho eternamente se amam. Este amor é essencial, intemporal, é o Espírito Santo, Terceira Pessoa, que procede do Pai e do Filho.Cumpre, portanto, agradeder a Deus a graça que fez aos homens de revelar-lhes este mistério. Daí uma fé inabalável nesta verdade porque Deus mesmo a fez chegar até nós e a Igreja sempre a ensinou e a propôs como o primeiro e maior mistério da fé.

Cumpre, além disto, estar o cristão consciente de que é o templo da Santíssima Trindade. Nunca se recordam demais as palavras de Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremOS morada” (Jo 14,23). Eis por que se deve consagrar às três Pessoas da Trindade as três faculdades da alma: o entendimento, a memória e a vontade, que são de certo modo imagem deste mistério. O entendimento, intuindo nos acontecimentos e nas maravilhas espalhadas pelo mundo o poder e majestade do Ser Supremo. A memória, agradecendo continuamente tantos benefícios de cada instante.

A vontade ininterruptamente unida à vontade divina à qual se deve inteiramente aderir. Para isto nada melhor do que se lembrar deste hóspede lá no íntimo de cada um, saudando-o com o “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”! Nem se pode esquecer que o domingo é o dia da semana  dedicado à Santíssima Trindade. Nele se rende a ela o melhor de todos os louvores que é o  Sacrifício da Missa com os seus quatro fins. Culto latrêutico, isto é de adoração, pois ao Ser infinitamente poderoso, devemos prestar uma reverência total.

Instante de propiciação, isto é, de reparação. Deus somente é infinitamente perfeito. Todos os homens têm suas falhas, sendo algumas graves, outras leves. Que felicidade, entretanto para o cristão, pois apesar das fraquezas e negligências humanas, durante a Missa ele pode se purificar e oferecer ao Senhor Onipotente uma reparação cabal de seus erros. Momento eucarístico, ou seja, de ação de graças por tudo que se recebe do Deus Uno e Trino.

Instantes de súplica, pois a Missa é também uma oblação impetratória, a mais excelsa das preces. Por tudo isto à Trindade Santa toda honra e toda glória: “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do universo ”.