Padre Álvaro Corrêa Borges – Um nome benquisto e recordado

Com uma sempre relevante participação na vida política, cultural, econômica e social de Viçosa, Padre Álvaro Corrêa Borges, vigário encomendado de Paula Cândido por dois períodos, desvelado provedor do Hospital São Sebastião e um dos diretores do Colégio de Viçosa, além de chefe interino da administração pública do município em 1931, foi também o pároco de Viçosa de 1925 a 1947. Graças ao seu prestígio, a cidade pôde contar com uma de suas primeiras companhias telefônicas.

Mineiro de Formiga, este venerando sacerdote, nascido a 25/11/1896, faleceu em Viçosa a 12/7/1967. Grande devoto do Sagrado Coração de Jesus, dedicou-Lhe belíssima oração, amplamente difundida junto aos seus paroquianos, na qual se dirige a Ele como o “Coração do meu Jesus”; e como “Jesus do meu coração”, ainda conservada em algumas residências viçosenses. O Mês de Maria, em seu paroquiato, também era celebrado com grande pompa, como informam-nos registros e testemunhos de quem viveu aqueles saudosos tempos.

“Não havia quem não se rendesse à doçura e à serenidade de sua presença, irradiante de simpatia e conquistadora de amizades. Tudo em torno dele e por onde passava se impregnava de bondade. A par de uma alma pura, generosa, profundamente liberal, que se dispunha para o bem e para o perdão, distinguia-se pela sua brilhante inteligência e primorosa cultura. Sem deixar de ser o ‘Homo Dei’, era bem homem. Para ele o sacerdócio era amor ao próximo, no mais alto grau. Poucos, tão homens e tão sacerdotes, como ele. Nas horas de amargura, jamais proferiu uma palavra com violência ou ânimo de injuriar: apenas um triste sorriso lhe aflorava aos lábios. Removido, em 1947, como capelão, para Conselheiro Lafaiete e, posteriormente, para Belo Horizonte, onde permaneceu durante 10 anos, como vigário da Paróquia ‘Cura d’Ars’, o Padre Álvaro suportou, por muitos anos, em silêncio, na sua evangélica humildade, a dureza do quase ostracismo.

Entretanto, conservou-se sempre o mesmo, espirituoso e alegre […] Tinha a visão límpida da imensa tarefa que ao sacerdote cabe num país como o nosso […] Gravemente enfermo, veio para esta cidade onde, hospitalizado durante muitos dias, não lhe faltaram os recursos da medicina nem os cuidados de seus dignos irmãos e inúmeros amigos, todos incansáveis em servir com desvelo ao seu antigo vigário até a hora da extrema despedida da existência terrena. A vida do Padre Álvaro há de ser para nós uma inspiração, sua lembrança uma bênção e seu exemplo uma esperança,” escreveu o jornalista José Pinto Coelho.

Sob a epígrafe “Morreu o velho pastor”, Folha de Viçosa de 16 de julho de 1967 publicava seu panegírico, que destacou, dentre outros aspectos, o fato de ter Sua Revma. pessoa apascentado “as ovelhas do rebanho de Viçosa com dignificantes “dedicação e zelo espiritual”. De acordo com a publicação ele “aqui empregou os melhores anos de sua mocidade na pregação do Evangelho de Cristo, batizando em Seu nome, confortando almas aflitas, reconduzindo transviados, levando a unção da hora extrema ao moribundo. Noites sem conta, cavalgou por esses morros escuros que cercam a cidade para absolver pecados e ungir com óleo santo os que estavam prestes a morrer. Sua casa, em qualquer paróquia, foi sempre oásis espiritual de quem sofria. Ali, uma bênção piedosa, uma palavra de fé era paz, conforto, consolação. Quarenta e oito anos passou no confessionário, sussurrando conselhos e palavras de perdão! Patriota e nacionalista, no bom sentido, sempre alertava os paroquianos quanto aos deveres cívicos, ao lado dos deveres da Religião […] Morreu pobre. Nunca viveu para si. Confiou sempre no Deus que alimenta as aves do céu. E nenhum conforto lhe faltou. Nem mesmo o carinho de amigos, que, de longe, vinha prestar-lhe a homenagem derradeira. Sua agonia foi longa, mas a morte serena: tranqüila como a alma do justo. Soando a hora final, as últimas forças concentradas levaram-no a erguer-se a meio corpo e a olhar firme para o Céu, como se dissesse em sua prontidão característica: ‘Seu servo está pronto, Senhor’ e fechou os olhos para sempre.”

Os restos mortais do Padre Álvaro, a exemplo de seu antecessor imediato, Pe. Frei Seraphim Pecci (este no jazigo 129), estão sepultados no Cemitério Dom Viçoso, em Viçosa (jazigo 168) e há na cidade uma rua e uma escola pública que perpetuam o seu nome benquisto e sempre recordado, tanto por sua profunda fé como por suas grandes obras.