Padre Efrahim Solano: Rocha Sacerdote querido e admirado

De sua longa e abençoada vida sacerdotal, curto período foi a paroquiar em Viçosa, quando quis fazer-se apenas um de nós. Mas além do dom sacerdotal, seus dotes musicais (clarinetista) e seu vozeirão grave o fizeram um marco vivo no cotidiano desta cidade. Além de nos aproximar de Deus com seu piedoso exemplo de vida cristã e profunda espiritualidade, manteve acesa a chama de nossa memória histórica, especialmente por sua inestimável dedicação à reestruturação da Lira Santa Rita. Este é o testemunho de viçosenses, que se recordam de suas palavras de despedida, em 1963, como que uma paródia do Rei Guerreiro Davi, jurando não se esquecer de Viçosa, caso contrário sua língua se lhe pegaria ao paladar; sua mão direita se paralisaria. De fato, inevitável foi a composição de um quadro de comprometimento afetivo entre o pároco e seus paroquianos. Ele asseverou que levava “saudades de tudo e de todos de Viçosa”. Disse, em sua modéstia: “Aqui, em Viçosa, eu não vim dar lição de amor a Deus, de cristianismo. Eu vim receber estas lições… O pouco ou nada que fiz, foi impulsionado pelo desejo e boa vontade de todos”.

Nos dez meses em que aqui permaneceu, incentivou a Lira Santa Rita, resgatando a sua força e prestígio. A antiga banda do maestro José Jacinto Dias de San’Anna, que completa prováveis 92 anos neste 2009, passou por momentos duros e difíceis, mas em diversas fases foi dinamizada por regentes e diretores competentes, desprendidos, idealistas e entusiastas. Entre 1962 e 1963, sob a liderança do então pároco, a exemplo de seu antecessor, Pe. Seraphim, a mais tradicional corporação musical viçosense teve resgatada a sua tradição, consolidando-a um marco de várias épocas,com seu importante papel na vida cultural viçosense. Aualmente ele serve em Ipatinga (MG) como capelão do Hospital Márcio Cunha, da Usiminas, e aqui substituiu Pe. Carlos dos Reis Baêta Braga, que então estudava em Roma.

Um imortal legado do Pe. Efrahim é “Ditos e Ditados”, livro em cuja confecção não se teve o propósito de ser dicionário ou coletânea completa, publicada pela Imprensa da Universidade Federal de Viçosa em 1986, e de real utilidade aos pesquisadores de hoje e de amanhã sobre pensamentos populares, que “passam com o tempo. E surgem novos com os homens do tempo”, conforme realça o próprio autor. Nele foram inseridas frases latinas, acompanhadas de seu significado. “É pena que o latim vai perdendo sua força até nas citações religiosas e parlamentares. É nossa língua-mãe. Não podemos esquecê-la”, ressalta Pe. Efrahim, que se lembrou de incluir no livro “filosofia de pára-choque de caminhão” e até juramentos, reunindo, enfim, nesta preciosa coletânea, ditos, “refrões, frases, chistes, provérbios, filosofia”, frases da sapiência popular reunidas neste livro nascido de seu hábito de anotar em pedaços de papel todos os adágios populares que ouvira ou lera em lugares vários, uns extraídos de jornais, livros e revistas e outros citados de memória.

“O importante não são os passos que se dão e sim as pegadas que se deixam”, disse um dos autores citados no livro dele. Pois Pe. Efrahim deixou seus passos bem marcados entre seus velhos amigos viçosenses, dos quais levou saudades, e esses de suas lições, amizade e dedicação à Paróquia de Santa Rita também jamais se esquecerão.

Padre Efrahim Solano