Será que só a Igreja Católica errou?

A Igreja tornou-se símbolo de terror e medo entre a população, todo o aparato espiritual tinha-se perdido. Na sua procura cega de eliminar rapidamente o movimento protestante e preservar o espírito católico, o Papado mergulha sobre medidas mais violentas e perde-se num vasto mar de sangue, mar e crueldade”. (Silvia Loureiro, 2008)

Assim como este comentario acima, encontramos atualmente várias pessoas que realizam críticas sobre a Igreja Católica, principalmente com relação ao período da idade média, com relação aos tribunais da inquisição, onde a Igreja é acusada de promover atrocidades contra aqueles que eram contra a doutrina. Alguns chegam nomear está fase da Igreja, como a época negra da Igreja Católica.

Como já disse anteriormente no artigo “A Reforma Protestante” não quero aqui tentar apagar os erros da Igreja nesta época e nem minimiza-los. Mas esse tipo de crítica é unilateral, focando somente em um lado da história, sem considerar que no outro lado, os Protestantes Reformadores, utilizaram das mesmas ações para impor a sua doutrina. Nos próximos tópicos vamos destacar algumas dessas ações dos reformadores.

Atos dos Reformadores

A reforma se espandiu de forma rápida pela europa nos Sec. XVI e XVII, mas de forma violenta e muita das vezes sangrentas. Em muitos países os reis assumiam as novas doutrinas e as impunham as pessoas do seu reino, não dando liberdade a elas para escolherem onde gostariam de ficar.

Foi assim na Inglaterra, onde o rei Henrique VIII, que para conseguir se separar de sua esposa Ana Bolena, criou uma nova religião (Anglicana), obrigando o parlemento a aprovar o “ato de supremacia do rei sobre os assuntos religiosos”. Bispos, padres foram presos, decaptados e templos, mosteiros foram arrasados e tribumais religiosos (inquisição) foram instalados em todo país.

Na Suécia, Suiça, Alemanha e Holanda as regras do protestatismo eram impostas a ferro e fogo. Padres, Bispos eram proibidos de celebrarem, proibidos de porem os pés nesses países sobre pena de perderem a vida.

Na Escócia o catolicismo foi abolido e as pessoas obrigadas a se filiarem a Igreja Calvinista Presbiteriana. Quem era encontrado celebrando ou participando de uma missa era condenado a morte e tribunais de inquisição foram criados para julgar e condenar os católicos que realizavam cultos clandestinos. Em 1559, John Knox (Fundador Igreja Presbiteriana) fez um pacto com a nobreza da Escócia e decretou também que todo protestante tinha o direito e dever de perseguir e matar os cristãos católicos.

Cristiano II, na Dinamarca, ficou conhecido como “O Nero do Norte”, pois perceguia e matava os católicos desse país. Em 1569 publicou artigos onde todos os cidadãos e estrangeiros foram obrigados a assinar aderindo à doutrina luterana, sobe pena de morte se assim não o fizessem. E em 1789 decretou pena de morte a qualquer sacerdote Católico que entrasse em solo dinamarques (Moura, 2005). O rei da Dinamarca, dominava também a Noruega, seguiu, confiscando os bens da Igreja Católica e a influência católica praticamente desapareceu desses países.

Na Alemanha de Lutero, surgiu um grupo denominado anabatista tendo uma grande amplitude nas cidades deste país. Este grupo era estremamente radical contra os católicos. Thomas Munzer, chefe desse grupo, clamava todos os protestantes para extermínio dos ateus, dos sacerdotes e da nobreza fundiária. Vários templos católicos foram invadidos e saquedos por este grupo (Moura, 2005).

Os Anabatista, incomodaram até mesmo Martinho Lutero, que vendo a grande agressividade e radicalidade desse grupo, recomendou aos nobres da Alemanha que sufocassem esse grupo, exterminando-os como “cães raivosos”. Assim feito, Thomas Munzer foi decaptado e o grupo exterminado. Com esta ordem, Lutero perde parte de sua popularidade e começaram a dizer que a sua igreja não seria do povo e sim dos principes e da nobreza (Moura, 2005).

João Calvino (fundador do calvinismo) foi um dos mais radicais e mandava matar todos os que iam contra as ordens na Suiça, e chegou a ser declarar ser o “Papa de Genebra”. Ele era intolerante com todos os que iam contra a sua doutrina. Calvino mandou matar (na fogueira) o grande sábio, Miguel Servet (descobridor da circulação sanguinea), por este ser contra as suas doutrinas e questionar o seus dogmas. Calvino transformou-se num verdadeiro ditador político, religioso e moral de Genebra. Formou um consistório (espécie de tribunal), composto por pastores e anciãos, que vigiava os costumes e administrava a cidade com mãos de ferro (Pedro, 1995).

Nos 150 anos, seguintes as reformas, a europa era devastada por guerras de origens, principalmente religiosas. Os reis protestantes declaravam os católicos traidores e os executavam como se assim fossem. Grande parte dessas atrocidades se deram pelo apelo de Lutero à violencia. Em um de seus discursos aos principes alemães contra os anabatistas, na guerra dos camponeses, dizia: “Esmagai! Degolai! Trespassai de todo modo! Matar um revoltado e abater um cão danado!

Críticas á Reforma

A partir da reforma protestante se deu uma grande divisão da Igreja e Martinho Lutero viu o caos que tinha criado. Em vez de mudar se ter uma renovação da Igreja, ouvi uma grande dispresão de rebanho. Podemos perceber isso quando nos citações acima. Thomas Munzer baseado na ideias de Lutero segue um caminho, Jhon Knox outro e Calvino criou os seus próprios dogmas, bem como Henrique VIII.

Segundo os dados da Enciclopedia Crista Mundial, no ano de 1600, haviam em torno de 100 divisões, em 1900 havia 1000 divisões e em 1981 já eram mais de 20.700. Este carater da divisão no protestatismo segue até os dias de hoje, onde chega-se a marca de 33.800 denominações diferentes, com doutrinas diferentes.

Eesse fato se deve ao não cumprimento da Palavra do Senhor, pois tudo que não é edificado no Senhor está fadado ao desastre (cof. Salmo 126,10). Jesus não quiz essa divisão, pois ele mesmo disse: haverá um só rebanho e um só pastor (João 10,16) que é coroborado por São Paulo em sua carta aos Coríntios: “.…rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões” (1Coríntios 1, 10).

Lutero e os outros reformadores conheciam essas passagens, mas por algum motivo as interpretaram de forma erronea, e não deram importância a elas, assim como muitos o fazem até os dias de hoje. O certo é que não foi da vontade de Deus que isso acontecesse, poque Deus não é o autor da confusão (Conf. 1 Cor 14, 33). Toda essa confusão aconteceu pela dureza do coração humano, que muitas vezes colocam os seus interesses pessoais acima de tudo, até mesmo da vontade de Deus.

Conclusão

Podemos perceber disso tudo, que não foi só a Igreja Católica que teve o seu período negro e sombrio, mas o protestantismo também. De todos os países aqui citados que tem a maioria protestantes, nenhum foi convertido com a biblia na mão. Foram convertidos na força, na perseguição e morte de inocentes e graças as ambições de reis, principes e homens que colocaram a sua ambição por poder a frente de seus propositos. Mais uma vez, digo que não quero denigrir a imagens dos protestantes, mas sim, mostrar que a Igreja Católica não foi vilã sozinha. Todos Erraram.

Que bom que atualmente, mesmo com as divergencias doutrinais, a Igreja Católica e as Protestantes tem um dialogo com o foco naquilo que nos une: Jesus Cristo nosso Senhor e Salvador. E que a falta de dialogo e intolerância do passado sejam deixados de lado e possamos juntos, mantendo os olhos fixos em Jesus, lutar por um modo renovado, cheio de paz, amor e fratenidade e possamos juntos chegar a morada do pai. Que Deus nos abençoe!

Fontes:

BESEN, Pe. José Artulino. A Reforma da Igreja: O Concílio de Trento. Jornal Missão Jovem. pag. 9 – n.º 191 – mês de Julho – Ano 2004.

BETTENCOURT, Estevão Tavares. Crenças, religiões, igrejas e seitas: quem são? Santo André-SP: Editora o Mensageiro de Santo Antônio, 1999.

FREI BATTISTINI. A Igreja do Deus Vivo: curso bíblico popular sobre a verdadeira Igreja. Petrópolis-RJ: Editora Vozes, 2001.

MOURA, Jaime Francisco de. As diferenças entre a Igreja Católica e Igrejas evangélicas. São José dos Campos-SP: Editora ComDeus, 2005.

PEDRO, Antonio. História: Compacto 2º Grau. São Paulo: FTD, 1995.