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RCC Viçosa – Renovação Carismática Católica de Viçosa
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"Não tenha medo, pequeno rebanho, porque o Pai de vocês tem prazer em dar-lhes o Reino."(Lucas 12,32)

Um presente que caiu do Céu


Pároco do Santuário Santa Rita de Cássia. Jubileu de Prata Sacerdotal 1984 - 2009
E-mail: santuariosrc@lince.tdnet.com.br
Site: http://www.rccvicosa.com

Alegrem-se quantos souberem que, após sua jornada nesta existência temporal, MARIA DA CONCEIÇÃO COELHO DE SOUZA continuará beneficiando os mais necessitados, especialmente as crianças e menores.

Viçosa inteira pode se alegrar com a generosidade desta sua filha. Com seu valioso presente à Paróquia Santa Rita de Cássia, engrossa as fileiras dos que sabem investir nas ações inspiradas no Reino de Deus. Doando todos os seus bens móveis e imóveis, (ou seja, um prédio de dois pavimentos com terraço, uma casa, algum recurso financeiro, móveis, eletrodomésticos e demais utensílios de sua residência), por meio de um testamento, Conceição fortalece as atividades sociais do Santuário, dando-nos a possibilidade de viabilizar mais do que um projeto, um verdadeiro sonho: o “Berçário e Creche Santa Rita de Cássia”.

O que significa tal gesto em nossos dias?

Trata-se de um consistente apoio ao voluntariado de nossas pastorais. Com a alegria dos servidores de Cristo, seu exemplo contagia a sociedade e faz a esperança florescer, pois os pequenos serão agraciados com esta nova obra social, desenvolvida no patrimônio por ela doado. Seu desprendimento fará com que tantos excluídos se sintam agora amados e acolhidos.

Foi com enorme alegria, portanto, que o Conselho Paroquial de Assuntos Econômicos recebeu a generosa doação, colocando-a disponível para a concretização do Projeto Centro de Educação Infantil Santa Rita de Cássia – Berçário e Creche, um sonho da Pastoral da Criança e do Menor, gerenciado pelas Religiosas Consagradas Irmãs Oblatas de Nazaré.

A atitude de Maria da Conceição Coelho de Souza, uma pessoa tão conhecida na sociedade viçosense, bibliotecária da UFV, apresenta na grandiosidade de seu amor ao próximo um belo exemplo de confiança nas iniciativas pastorais da Igreja.

Chegando à Casa do Pai, nossa benfeitora testemunha o que narram as Escrituras: “Permanecer no teu amor Senhor é o meu maior desejo” (Sl 39(40); Jo 15,9). Somente quem permanece no Amor é capaz de partilhar, em espírito de autêntica gratuidade, o que de Deus recebeu, oferecendo seus bens, colocando-os em disponibilidade como faziam as primeiras comunidades cristãs apresentadas em Atos dos Apóstolos.

Quando descobrimos que seria inviável usar o antigo Centro de Pastoral, apartamento 211 do Edifício Padre Carlos, mudamos logo sua finalidade para atender às oficinas da Pastoral do Menor e encontros de Catequese. E o berçário? E a Creche? Local? O que a gente quase se esquecia é que onde Santa Rita age, até o impossível acontece… A solução caiu do Céu! Que Deus dê a Conceição a recompensa eterna pelo bem que seu testamento vai proporcionar a tantas crianças, como era o seu sonho.

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O que a Igreja fala sobre o sexo no casamento?


Doutor em Física pela UNESP e pelo ITA; há trinta e cinco anos é professor universitário e foi Diretor Geral do Instituto de Engenharia de Lorena - da USP-SP.
E-mail: felipeaquino@cancaonova.com
Site: http://www.cleofas.com.br/
Padre Paulo Dionê Quintão

A Igreja é muito discreta ao falar de sexo; por isso dou apenas a minha opinião, já que não conheço nada da Igreja que fale claro. Penso que o casal pode fazer todo tipo de carícias genitais que aceitam, fora o sexo anal, se precisam disso para chegarem juntos ao orgasmo. O marido pode fazer as caricias, inclusive orais, na esposa, desde que ela aceite. As posições podem ser usadas desde que ambos aceitem.

Veja o que diz o Pe. João Mohana no livro CÉU E CARNE NO CASAMENTO:

“Dentro da faixa de normalidade, o casal possui ampla liberdade de expressões eróticas aptas a saciar qualquer psiquismo sadio, qualquer corpo sensível, qualquer espírito cultivado. Toda as manifestações, todas as carícias, inclusive orogenitais, toda a linguagem física do amor compatível com a higiene, todas essas estão ao alcance de qualquer casal que gosta de sexo, mas não ambiciona deixar o sexo destruir o amor, liquidar o casamento”. (pg. 227).

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Pão vivo descido do céu


A multiplicação dos pães operada por Cristo (Jo 6, 1-15) é bem o símbolo da maravilhosa multiplicação do pão eucarístico. Jesus tomou cinco pães e dois peixes, elevou os olhos ao céu e os abençoou e os distribuiu à grande multidão que viera a ter com ele. Trata-se de um prodígio surpreendente que constitui como que o início de um longo processo histórico: a multiplicação sem cessar na Igreja do Pão de vida nova para os homens de todas as raças e de todas as culturas. Ministério sagrado confiado aos Apóstolos e a seus sucessores que, fiéis à ordem do Mestre não param de romper e distribuir o Pão eucarístico de geração em geração. O Povo de Deus o recebe com uma participação devotada. Deste Pão de Vida, medicina da imortalidade, se alimentaram milhares de santos e de mártires, nele encontrando a força para resistir igualmente às duras e longas tribulações. São todos aqueles que acreditaram nas palavras que Jesus pronunciou um dia em Cafarnaum: “Eu sou o pão vivo que desci do céu. Quem come deste pão viverá para sempre e o pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo.” (Jo 6,51). Sublime mistério de nossa salvação! Cristo, o único Senhor, hoje e para sempre, quis ligar sua presença salvífica no mundo e na história ao sacramento da Eucaristia. Quis se tornar o pão rompido para que cada um de seus epígonos se nutrissem pela participação no Sacramento de seu Corpo e seu Sangue. Como aqueles que escutaram estupefatos o discurso de Jesus em Cafarnaum muitos acham que é difícil acreditar neste mistério eucarístico (Jo 6,6). Quantos dão uma interpretação errônea às palavras do Mestre divino e se afastam dele, dizendo: “É dura esta linguagem, quem pode escutá~la?” (Jo 6, 60. 66) Aos bispos de Quebec que foram a Roma para a visita ad limina, Bento XVI enfocou admiravelmente este aspecto, sobretudo porque se vive numa sociedade marcada pelo pluralismo, o subjetivismo e o secularismo crescente. Cumpre, dizia o Papa, uma renovação do sentido e da prática eucarística. A Eucaristia sempre vista como “dom de Deus para a vida do mundo”. Os fiéis, lembrava o Pontífice, devem estar convencidos do caráter vital da participação fiel nas assembléias eucarísticas, para que haja o crescimento da fé. Isto se dá porque a Eucaristia une e conforma o cristão ao Filho de Deus. A Igreja se consolida na sua unidade através deste Sacramento. Lembrou o ensinamento de João Paulo II: “Recebendo o Pão da vida, os discípulos de Cristo se dispõem a realizar, com a força do Ressuscitado e de seu Espírito, as tarefas que devem cumprir na sua vida de cada dia” (Dies Domini, n.45). Além disto, é preciso acentuar que a Igreja vive da Eucaristia, porque ela nasceu do mistério pascal e está, deste modo, no centro da vida eclesial. Esta dimensão nunca pode ser olvidada. Sacrifício, presença real e comunhão são três aspectos basilares deste Sacramento. O sacrifício entendido como a renovação incruenta do Sacrifício do Gólgota, memória de sua Paixão salvadora e de sua Ressurreição gloriosa. A presença real está intimamente ligada à Ressurreição do Senhor que está vivo na Eucaristia e se faz o pão da vida.(Jo 6,35. 48). A comunhão é a participação no banquete que é o dom do Espírito Santo, penhor da ressurreição final e antecipação escatológica da vida eterna. Tal é a doutrina que se encontra na Encíclica de João Paulo II sobre a Eucaristia. A recepção do Corpo de Cristo supõe que o fiel esteja na graça santificante e comungar em estado de pecado mortal é um gravíssimo sacrilégio, dado que é a profanação do Mistério do Amor de Cristo. Atitude interior de devoção que deve se manifestar exteriormente pelo modo como cada um se aproxima deste Sacramento. Isto se patenteia ainda nas diversas manifestações de piedade como as Horas Santas, as Visitas ao Santíssimo Sacramento, práticas estas que remontam a priscas eras e que mostram como os batizados têm procurado corresponder à dileção de Jesus que se fez contemporâneo de todas as gerações, morando entre os homens. Nem se poderia deixar de ressaltar que a multiplicação dos pães lembra que não se deve nunca se esquecer daqueles que necessitam do pão material para seu sustento. Além disto, muitos grãos,mas um só pão. Assim os cristãos são muitos, mas todos unidos no Corpo Místico a Jesus Cristo e aos irmãos.

Artigos de

Conversão e remissão dos pecados 11/12/2011
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A quem muito foi confiado, muito será exigido 20/11/2009
Significado da esmola 12/11/2009
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Bicentenário de Darwin 15/02/2009
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Produzir frutos 11/10/2008
A beleza da gratidão 07/10/2008
Intercessão Dos Santos 07/10/2008
Advento; Sombras e Alegrias 07/10/2008
Teologia de São João 07/10/2008
O serviço humilde 07/10/2008
Os dois irmãos 07/10/2008

SEARA 2009: Quando o céu se aproxima

Na segunda-feira de carnaval, a santa missa foi encerrada com uma homenagem à irmã Luciana, serva de grande importância para a cidade de Viçosa.

Irmã Luciana foi serva do grupo de oração Fonte de Vida, em Viçosa; em 2005 fez vínculo de aliança com a Fraternidade Pequena Via. Ela carregava consigo o sonho de se tornar religiosa. Já em 2006 ela se torna comunidade de vida e vai morar na chácara Betânia e em 2007 ingressa no Instituto.

A orientação do padre Paulo Nobre, era sempre: “Seja uma pequena via, Deus cuidará do resto”. Com fotos que recordavam a história da irmã Luciana, sua alegria, seu serviço, seu despojamento e sua doação, embalados pela música Lindo Céu, os amigos da RCC homenagearam a grande irmã e serva de Deus!

A saudade dos irmãos é agraciada pela certeza de que Deus já recebeu a irmã Luciana com bastante carinho, cumprindo as promessas feitas para a vida da querida serva de Deus!

Louvor: exercício celeste


Pertencente à RCC Viçosa
E-mail: tsrico@gmail.com
Site: http://www.rccvicosa.com
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

A natureza, em toda a sua diversidade, pode ensinar-nos a ter uma vida de louvor a Deus, uma vez que, como dizia Santo Agostinho, “tudo o que fizeres, faze-o bem e terás louvado a Deus”. Acreditando nisso, podemos apreciar hinos de louvor no canto dos pássaros; no barulho dos ventos e na brisa suave que toca o nosso rosto; no barulho das ondas do mar que nos inspira; na chuva que cai que molha a relva; no sol que brilha e nos aquece; no arco-íris que pinta o horizonte e a nossa alma; nas nuvens que se desenham no céu e despertam nossa criatividade; na flor que desabrocha e nos encanta; na água que mata a nossa sede; na mãe que amamenta o seu filho…

E ainda, na vela que se consome; num templo que se ergue e nos aponta o céu; no abraço entre amigos que consola; no sorriso sincero e até na lágrima que insiste em cair dos olhos sofridos.

Poderíamos enumerar vários outros exemplos. Todavia, abro espaço aqui para o seu coração acrescentá-los… Louve, enquanto trilha por estas palavras…

O Catecismo da Igreja Católica ensina-nos que o louvor integra as outras formas de oração e as leva Àquele que é sua fonte e termo final. Diz ainda que é a forma de oração que reconhece o mais imediatamente possível que Deus é Deus. Cantamos pelo o que Deus é, muito mais do que por aquilo que Ele faz. (Cf. CIC…) É por isso que, quando fazemos bem aquilo que nos cabe, estamos em atitude de louvor. Esta deve ser uma postura que deve permear toda a nossa vida. Caso não seja uma atitude tão natural quanto é o canto para os pássaros ou o brilho para o sol, devemos e podemos exercitar-nos.

O mesmo Santo Agostinho dizia que: “Nossa meditação é uma espécie de treino no louvor do Senhor. Se a felicidade da vida futura consiste em louvar a Deus, como poderemos louvá-lo se não formos treinados? Louva e bendiz ao Senhor todos e em cada um dos teus dias para que quando venha esse dia sem fim, possas passar de um louvor ao outro sem esforço”.

Percebe-se assim que o ato de louvar a Deus é um viver antecipadamente as maravilhas que nos aguardam no céu. É o exercício de fé, antes de vermos Deus em Sua glória. É um cantar verdades supremas e plenas, sem mesmo vê-Lo. E, por isso, pode-se afirmar que “a fé é assim um puro louvor” (CIC 2642).

Diga-se ainda que a fé pode ser um ato heróico de louvor, uma vez que, na medida que tiramos os olhos de certas situações de nossas vidas para exaltarmos Aquele que é maior e vencedor sobre todas as coisas, permitimos que Deus, a Seu tempo, aja em nosso coração e transforme, se não a situação em si, a nossa maneira de encará-la.

E assim Te pedimos, Senhor. Aumente a nossa fé. Dá-nos uma fé viva, capaz de te louvar em qualquer situação. Dá-nos um coração destemido como o do mar que não se constrange em se lançar à praia. Dá-nos a versatilidade dos ventos para Te agradecer na tempestade ou na bonança. Que nosso olhar brilhe como o sol, sendo capaz de aquecer os corações sofridos e levá-los a Te bendizer. Dá-nos corações que se encantem com o céu, com as nuvens e com o arco-íris para que todos os nossos atos sejam o mais sincero louvor a Ti.

“Quero exaltar-te e bendizer teu nome eternamente e para sempre. Quero bendizer-te todo dia, louvar teu nome eternamente e para sempre.” Sl 145,1s.

Dom Luciano, que saudades! A Luz foi morar no Céu


Pároco do Santuário Santa Rita de Cássia. Jubileu de Prata Sacerdotal 1984 - 2009
E-mail: santuariosrc@lince.tdnet.com.br
Site: http://www.rccvicosa.com
Ricardo Teixeira

Qualquer abordagem sobre o duodécimo bispo e quarto arcebispo de Mariana por certo ficará sempre aquém dos múltiplos gestos traduzidos numa ampla jornada de ação, brotada de um ser que nunca pensou em si, pois se ocupou sempre do bem estar de seus semelhantes.

O perfil de DOM LUCIANO PEDRO MENDES DE ALMEIDA pode facilmente ser comparado ao de grandes personalidades que marcaram a história. Referir-se a ele, nos faz pensar numa Madre Teresa de Calcutá, em São Francisco de Assis, etc. Basicamente todos estes, na verdade, nos remetem a JESUS CRISTO. Deparamos aqui com o amor feito doação.v

DE ONDE NOS VEIO ESTE DOM

Da cidade maravilhosa. Não somente para os meandros da Igreja, mas para o mundo contemporâneo, floresceu um ser enamorado pela vida. O Rio de Janeiro era a capital do país, quando aos 5 de outubro de 1930, o lar do casal Cândido Mendes de Almeida e Emília de Mello Vieira Mendes de Almeida se enriqueceu ainda mais com a chegada de um novo filho. A avó logo invocou a intercessão de Nossa Senhora de Lourdes, para que a vida prevalecesse quando a saúde corria risco. Foi assim que a Mãe de todos nós o quis conservar para o bem de incontáveis futuros beneficiados.

Seu nome, uma mensagem e uma missão: LUCIANO PEDRO. Portador da luz de Cristo sustentada a punho alto, capaz de clarear os caminhos não só de indivíduos, mas de iluminar o rosto que a Igreja veio alcançando em seu País e no Continente. A Igreja na América traz muito dos raios que espargiram deste tocheiro luminoso. Luz e Pedra. Divina e preciosa. Revestido de Cristo, sua firmeza não se baseava jamais em arrogância ou qualquer lastro de negligência. Uma segurança que sempre soube esperar. Não desistia, nem perdia a ternura. Sabia, porém, flexibilizar-se diante do que o Senhor lhe falava ao coração.

Seu veio cultural conservou as raízes do que aprendeu no douto lar; no primeiro grau que cursou no Colégio Santo Inácio, RJ (1941-45); no segundo grau, no Colégio Anchieta, Nova Friburgo, RJ (1946-50); na Filosofia, ainda em Nova Friburgo, na Casa de Formação dos Jesuítas, (1951-53). Como águia feita para vôos mais altos, seus superiores o enviam para Roma, onde cursou a Teologia, na Pontifícia Universidade Gregoriana, (1955-59). Seu percurso acadêmico foi coroado com o Doutoramento em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, Roma/Itália (1960-65). De lá até o fim de sua vida, aos 27/8/2006, nunca deixou de aprender e ensinar.

EM QUE POSSO AJUDAR

A filosofia parece ter ampliado ainda mais, em Dom Luciano, sua paciência e bondade. Ele soube perguntar e ajudar a fazer perguntas. Manteve o diálogo sempre aberto. Não importa com quem; dos mais fragilizados em seu pensar até os mais astutos interlocutores. Nunca soube que fechasse a porta para quem quer que seja. Dos mais afastados aos mais cansativos. Todos encontraram oportunidade de pensar junto com ele.

Sua tese de doutorado, em 1965, “A Imperfeição da Inteligência Humana”, retrata bem o seu modo de ser. Alguém que soube se curvar diante da Verdade. Teve um coração de quem sabe baixar o olhar, estender as mãos e, revestido de humildade, dizer a respeito de sua própria contingência ao Deus de sua fé. Soube confiante erguer a cabeça, esboçar um sorriso e com os olhos brilhando dizer: obrigado Senhor!

Esteve sempre pronto a repartir com os outros o que sabia e podia. Foi ao encontro de cada pessoa onde ela estivesse. Impressionava pela lucidez da reflexão sobre a conjuntura social, econômica, política, religiosa e cultural de cada época. Participou de todos os Sínodos em Roma, após o Concílio Vaticano II. Apresentou intervenções eficientes nas assembléias em que tomou parte em nível nacional, internacional e quaisquer outras iniciativas em todos os níveis. Seu referencial foi constantemente o ser humano. É quando de tais lutas pela vida, que o pudemos conhecer melhor em suas enormes capacidades e grande preparo. Com seus dons abalou colossais estruturas quando estas agrediam a vida.

FELIZ POR FAZER O BEM AOS OUTROS

Quem conheceu Dom Luciano sabe que ele tinha uma chama interior. Uma luz que fazia brilhar uma alegria. O sorriso que esboçava tinha ressonância em seu ser. Um escudo que o mantinha forte, mesmo se o mar estivesse tempestuoso. Uma cantiga que ele entoava junto com Deus. Quando sua acolhida deparava com alguém contente, sua canção vinha à tona. Deve ser por isso que ele agüentou a poeira das estradas, as distâncias, a turbulência dos vôos e a canseira que lhe causamos com nosso corpo pesado e passos lentos… Mas ele soube nos esperar, nos animar… Ele aprendeu a nos amar. Sempre foi treinado nisto. Soube cultivar o aprendizado constante de amar as pessoas. Acolheu a todos, porque foi fiel aluno do Bom Pastor. Amou sempre, mesmo quando precisava fazer e refazer caminhos para que todos se sentissem acolhidos pela alegria de viver.

Sem a iluminação do Bom Pastor, dificilmente compreenderíamos como Dom Luciano soube valorizar os seres humanos. Todos! Podia ser a comunidade mais humilde e simples. Ele sabia aterrissar de corpo e alma onde ele se encontrava. Seu cotidiano foi feito de atenção constante a todos. Além de dar importância e respeitar a dignidade de cada pessoa, ele foi além: A gratuidade deste amor o colocava como um irmão, um amigo que facilmente se posicionava como que abaixo das pessoas. Esta foi sua vida. Faz-nos recordar o testemunho de Jesus descrito no texto de Filipenses: “esvaziou-se de si mesmo…” É desde aí que ele se pôs a caminho com seu semelhante.

Expôs e deu sua vida por nós. Passou noites em claro com quem estivesse precisando dele. Morria em seus objetivos pessoais. Despojava-se constantemente de qualquer exuberância. Sentia-se envergonhado quando posto em destaque, pois da janela de sua alma estava olhando para os mais enfraquecidos. Estava constantemente envolvido em gestos espontâneos que nos faziam corar o rosto diante de nossos enganos e ilusões. Teve consciência de sua missão e, por isso, soube fazer-se pequeno.

ENAMORADO DO ESSENCIAL

Eu gosto de ficar imaginando as entrelinhas do percurso histórico de Dom Luciano desde sua infância, passando pelo convívio com os livros até o exercício do ministério, ensinando nas escolas e, nestes últimos 30 anos, como Bispo. Há uma história que pode ser narrada que prossegue dos tempos de estudante, (1941-65), época em que foi ordenado presbítero, (5/7/1958), após a defesa da tese, seu retorno ao Brasil, como Professor de Filosofia (1965-72); Instrutor da 3ª Provação para Sacerdotes Jesuítas (1970-75); na Conferência dos Religiosos do Brasil (1974-75); como Bispo Auxiliar na Arquidiocese de São Paulo e responsável pela Pastoral do Menor (1976 –88); Secretário Geral da CNBB por dois mandatos (1979-86); Presidente da CNBB, também por dois mandatos, (1987-95); vice-presidente do CELAM (Conselho Episcopal Latino Americano, (1995-98); Membro da Comissão do Secretariado para o Sínodo, (1994-99); Membro da Comissão Pontifícia de Justiça e Paz, (1996-2000); Delegado à Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para a América por eleição da Assembléia da CNBB e confirmado pelo Papa João Paulo II, (1977 e 2005) e, finalmente, para maior glória de Deus e grande felicidade para esta porção do Povo de Deus que está na Igreja Primaz de Minas Gerais, Arcebispo de Mariana, (1988-2006). Em toda sua trajetória, o cotidiano a gente percebia rápido: colocava-se ao lado dos que com ele estão a caminho. Que se tratava de um bom filho, excelente aluno, exímio professor, grande sacerdote notava-se em seu jeito de ser. Uma história marcada pela eficiência e exemplar abnegação. Compaginada com esta biografia, estava uma espécie de “generosidade transbordante”. Aqui a gente vislumbrava o místico que não perdeu seu encanto. É como se ele tivesse ocupado este tempo tocando violino, (já ia adiantado nesta arte), ou jogando xadrez como bem o sabia fazer. Não. O violino, ele nunca nos disse o deixou. O xadrez ficou na saudade. Sua arte e lazer transbordaram em uma criatividade e percepção para com “OS QUE NÃO PODEM”. Altruísmo, inteligência, habilidades, eficiência e todo o seu ser não se importava de que o avançar das horas o fizesse emendar um dia com o outro. Bastava que alguém estivesse precisando. Não importava se fosse um bêbado, um alucinado, um mendigo… Ele sabia entrar no tom certo, mexia com a peça certa, na hora exata… Hora? Não, para ele o tempo não contava… Neste jogo, nesta sinfonia, mais do que nos outros, ele bem soube esquecer-se do tempo…

As entrelinhas da história deste místico, que soube contemplar o amor de Deus, foram marcadas por episódios interessantes. Por este “Brasilzão” afora correm muitas histórias edificantes e até pitorescas de Dom Luciano…

Ele construiu a morada de seu ser como o contemplativo de Deus e viveu enamorado do essencial. Nunca o vimos em desgaste com o acessório. Ocupado do Absoluto, estava em constante disponibilidade e aberto a todos e a tudo. Por isso não só acolhia quem chegava, mas sabia achegar-se para acolher. Uma luz. UMA LUZ QUE FOI MORAR LÁ NO CÉU!

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Ler as parábolas da minha vida


Professor, escritor e pesquisador, Denis Duarte possui graduação em Letras, licenciado em Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Literatura Portuguesa. É especialista em Literatura Bíblica na área de Tradição Profética. É também mestre em Ciências da Religião na área de Literatura e Religião no Mundo Bíblico.
E-mail: denisufv@yahoo.com.br
Site: http://www.denisduarte.com/
Padre Paulo Dionê Quintão

Jesus pôs-se novamente a ensinar, à beira do mar, e aglomerou-se junto dele tão grande multidão, que ele teve de entrar numa barca, no mar, e toda a multidão ficou em terra na praia.

E ensinava-lhes muitas coisas em parábolas… (Mc 4,1-2a)

Este texto que abre o capítulo 4 do Evangelho de São Marcos é o início da parábola do semeador, tão conhecida por nós.

Nessa parábola Jesus compara o anúncio da Palavra ao semeador que sai a espalhar suas sementes no campo (Um homem saiu a semear…v.4); compara a maneira com que as pessoas recebem essa Palavra aos diferentes terrenos nos quais a semente é lançada pelo homem do campo (O semeador semeia a palavra… v.14).

Assim Jesus fez por diversas vezes: E ensinava-lhes muitas coisas em parábolas…

Mas o que é a Parábola?

A parábola é um tipo de comparação, pois se utiliza de imagens da realidade para expressar uma outra realidade mais profunda.

Quando Jesus usa esse recurso é porque quer explicar algo, ele quer ir além daquilo que as imagens por ele apresentadas evocam. E desse modo, usa essas imagens (semeador, campo, semente, espinhos, pedras…) para, a partir delas, transmitir seu ensinamento sobre o anúncio da Palavra, sobre o Reino dos Céus, para questionar a realidade…

Mas afinal, por que Jesus ensinava em parábolas?

Porque essas comparações eram sempre feitas com coisas concretas do cotidiano dos seus ouvintes. Por exemplo: uma família que morava no campo, pobre e sem instrução poderia entender perfeitamente: “O Semeador semeia a Palavra”, “O reino de Deus é como um grão de mostarda”, “O reino de Deus é como um fermento”… . Essas imagens eram fixadas a tal ponto que, depois que a pessoa tivesse contato com a semente, com um semeador, um grão de mostarda ou visse sua árvore, lembraria das palavras de Jesus, e, principalmente, faria essa ligação entre o cotidiano e as verdades reveladas pelo mestre e entenderia seu ensinamento.

Precisamos nos lembrar que na época de Jesus ainda não havia o hábito de se tomar nota das palavras dele. Seu ensinamento era transmitido oralmente e assim repassado às gerações seguintes. Numa cultura em que a oralidade era a forma mais usada para a transmissão do conhecimento, a fixação do ensino através de imagens, símbolos e situações era muito importante nesse processo.

Desta forma, a parábola tinha ligação muito concreta com a vida diária dos ouvintes de Jesus.

Aprender um pouco mais sobre as parábolas pode, neste mês da Bíblia, nos ajudar a entendermos melhor estes textos presentes no Evangelho e nos animar a lê-los e a nos instruirmos com eles mais frequentemente.

Mas, sobretudo, no contato com a Bíblia, podemos compreender que o nosso cotidiano é matéria-prima para Jesus ensinar as verdades sobrenaturais. Devemos nos atentar para isso. Ensinado por parábolas, Jesus nos mostra que a nossa vida cotidiana e nossa vida espiritual estão atreladas. Precisamos aprender mais essa verdade com Jesus! E também utilizarmos da nossa vida diária para ouvirmos e entendermos melhor o que Jesus nos fala.

Que nossa vida seja uma parábola: um lugar onde olhamos para as coisas concretas que vemos e conhecemos, e dali retirarmos as inspirações e os ensinamentos divinos. Divinizemos nosso dia-a-dia!

Santo Agostinho nos diz que quem não é espiritual na carne, torna-se carnal até no espírito.

Que neste mês da Bíblia, experimentemos na sua leitura, esse Verbo Divino que faz da nossa vida cotidiana um espaço privilegiado para ouvirmos a sua voz e a transmitirmos aos outros.

Que Deus nos abençoe!