
O episódio ocorrido na casa do fariseu Simão (Lc 7,36-50) foi ocasião propícia para que Jesus mostrasse quão grande é a misericórdia divina para com os pecadores. Sublimes suas palavras à pecadora: “Teus pecados estão perdoados”. Uma verdade que nem sempre é bem analisada é, realmente, sobre a misericórdia divina. Surge uma questão que é mal posta: mereço ou não a clemência de Deus? Nunca se merece a misericórdia do Ser Supremo, porque ela é dada por acréscimo por um ato generoso da parte daquele que é o Senhor de tudo.
Trata-se de um fato divino que ultrapassa a inteligência humana. Com efeito, o ponto culminante da comiseração do Pai foi a Paixão e Morte do Filho Unigênito, objeto de todas as suas complacências, e isto para a redenção da humanidade. São João admirado proclamou: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Portanto, quem crê em Jesus Cristo já está envolto na misericórdia do Pai, a não ser que, peremptoriamente, a recuse. Se o Todo-Poderoso agisse no plano da estrita e pura justiça a humanidade estaria perdida. Cumpre, porém, àquele que tem fé se imergir no oceano da bondade do Deus misericordioso, não colocando empecilho à ação de suas graças superabundantes. Daí uma confiança sem limites nele.
O salmista assim se expressou: “Clemente e misericordioso é o Senhor, tardo para a ira e sumamente benévolo. Bom é o Senhor para todos, e a sua misericórdia estende-se sobre todas as criaturas” (Sl 144, 8-9). Nas parábolas contadas por Jesus deparamos quão grande é, realmente, a clemência de Deus. Ele se manifesta como o Pastor que muito ama suas ovelhas e se interessa pelas que se extraviam (Lc 15,4-7). Todo filho pródigo que volta para a casa paterna é recebido com festas (Lc 15,2-32). Se o pecador é uma dracma perdida Ele sai a sua procura (Lc 15, 8-10). Trata-se de um cuidado providente e perseverante que não abandona quem se extravia de seu destino eterno e isto com uma solicitude sem igual. Na sua passagem por este mundo Cristo demonstrou inúmeras vezes esta comiseração como o fez na residência de Simão.
Ele perdoou os muitos pecados daquela mulher que chorava a seus pés com lágrimas, absolveu a presunção de Pedro, anistiou a mulher adúltera, canonizou Dimas, o bom ladrão. Jesus opõe à miséria radical do homem a ternura radical de seu coração. Olha-o na sua bondosa humanidade. Ele abrasou em fé e amor a Samaritana, junto do poço. Os fariseus espantavam-se e murmuravam por ver Cristo junto aos publicanos, pecadores, gente desencaminhada, como assim procedia Simão. É que Ele viera ao mundo enviado pela misericórdia do Pai, Deus que perdoa, Deus que recebe no seu seio, todos os que choram, sofrem e padecem por seus desvios. É que Deus é a sede eminente e superabundante de toda bondade.
Que doçura, que consolo, que arrebatamento de amor deve produzir nas almas o pensamento da misericórdia de Deus! Uma lágrima sincera de arrependimento e o indulto total! Muitos pecados, mais perdões possui Cristo no seu coração, desde que haja firme propósito de emenda. A misericórdia só não pode descer sobre a soberba, a obstinação, a empáfia, a rebeldia. É que a confiança em Deus não pode ser brincadeira nem cálculo. Jesus sempre dizia a quem ele perdoava: “Vai e não peques mais”. À infinita misericórdia de Deus se deve corresponder com generosidade, com perseverança no bem, com sinceridade absoluta.
Quando, de fato, a alma sofre por se ter desviado de Deus, e o seu sofrimento se exprime em confissões humildes e dolorosas, não se pode duvidar do perdão, pois isto seria injurioso para Deus, mas Este exige uma contrição leal. Na História da Igreja entre tantos remidos pela clemência divina lembremo-nos, por exemplo, de um Santo Agostinho, de uma Santa Margarida de Cortona, cuja conversão foi radical.
Todas estas reflexões levam ao verdadeiro motivo da confiança na misericórdia divina, porque Deus pode salvar dado que é todo poderoso; Deus quer salvar uma vez que é Pai infinitamente bom; Deus salva porque deixa-se vencer pelo arrependimento confiante e está sempre oferecendo oportunidade a todos os pecadores para que se convertam e se salvem.
— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, 11Jesus dirigiu-se a uma cidade chamada Naim. Com ele iam seus discípulos e uma grande multidão. 12Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade a acompanhava. 13Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: “Não chores!” 14Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” 15O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. 16Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”. 17E a notícia do fato espalhou-se pela Judeia inteira, e por toda a redondeza.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Após o rico tempo da Páscoa, voltamos ao tempo litúrgico Comum, que não menos rico nos convida a participar das coisas de Deus no nosso comum de cada dia.
Neste domingo, o Senhor nos presenteia com o Evangelho da viúva de Naim: o fato da mulher ser viúva já nos remete a um estado de vida solitário e precário, pois ela já não tinha a companhia de seu marido, que provavelmente era ainda quem sustentava a casa. E agora, como se não bastasse, ela perde o seu filho único, quanto sofrimento deve ser para uma mãe enterrar seu filho… Jesus então se vê diante de uma mulher viúva, de uma mãe que perdeu o seu filho e assim o Homem-Deus, sentiu compaixão para com ela. Penso que até nós mesmos sentiríamos “compaixão” neste caso, como sentimos em tantos outros, talvez até mais comoventes nos dias atuais. Coloquei compaixão entre aspas, porque na verdade o que sentimos é apenas dó, porque a verdadeira compaixão é mais do que simplesmente, ver uma cena triste e ficar tocado com aquilo… Jesus nos ensina: Ele sentiu compaixão e falou àquela mulher, Ele não ficou de longe olhando, comentando com o seu grupo de amigos sobre as desgraças daquela mulher, nem pode seguir seu caminho depois de ter visto aquilo. Jesus, ao contrário, parou e falou com ela: ‘Não chores!’. Imagino eu que esta mulher tenha chorado ainda mais… como assim que alguém, um desconhecido, entra na sua vida em um momento tão difícil e pede logo que ela não chore? De um coração tão entristecido só podiam sair lágrimas sofridas. Mas, a verdadeira compaixão, transforma… e Jesus fez isso com a vida daquela família… com a vida daquele povo. Ao tocar o menino e lhe ordenar que levantasse, Jesus ergue também a sua mãe e os que estavam ali… e, porque não, também nós! A Palavra de Deus é viva e não importa o que vivemos hoje, podemos ter a certeza que Deus caminha conosco e dia-a-dia Ele nos vê, Ele nos fala, Ele nos toca, Ele nos faz renascer!
Muito me encanta a maneira como Deus visita o seu povo, e hoje Ele nos chama a observar esses momentos… nos convida a sermos presença dEle no mundo. Alimentados da Palavra e da Eucaristia, nós podemos e devemos levar Cristo aos outros, tendo sempre compaixão daqueles que não conhecem e não amam a Deus, daqueles que sofrem, daqueles que se afastaram do Primeiro Amor… mas uma compaixão ativa, que transforma… mesmo com poucas palavras, mesmo com poucos gestos!
Gostaria de aproveitar para partilhar uma linda experiência que tive estes dias. Desde Abril deste ano estou na cidade de Rennes, na França. Domingo passado fui a Pontmain, um vilarejo bem próximo daqui, no qual a Virgem Maria apareceu as crianças no século XVIII (só as crianças podiam vê-la). Foi uma aparição em um único dia, fruto da oração do padre daquele lugar, que desde que viu seus jovens irem para a guerra, todos os dias antes da missa acendia quatro velas a Nossa Senhora e colocava na intenção da missa a vida daqueles rapazes e o fim da guerra. Mesmo quando todos já estavam desanimados o padre os encorajava, pedindo que continuassem a confiar em Deus. As primeiras crianças a verem, eram irmãos de um rapaz que tinha ido para a guerra e todos os dias, como prometido ao seu irmão, eles rezavam 5 Pai-nosso e 5 Ave-maria, antes do jantar, pelo fim da guerra. No céu as crianças viram a mensagem: “Rezem meus filhos, o Senhor os atenderá em breve ● Meu Filho se deixa tocar”.
O Evangelho de hoje nos mostra que realmente Jesus se deixa tocar por nós, pelos nossos sofrimentos, pelas nossas dores, por nossas lutas diárias. Ele se deixa tocar por nossas orações, então rezemos… façamos como Nossa Mãezinha do Céu nos aconselhou, rezemos pelos nossos sacerdotes, para que permaneçam firmes no seu ministério, rezemos para que Deus toque o coração dos jovens e suscite novas e santas vocações sacerdotais. Rezemos e não percamos a esperança, porque Deus visita o seu povo!
Ninguém viu a Deus em plenitude, isso é impossivel nesta vida; a nossa natureza não aguentaria a experiencia; Moisés teve visões veladas de Deus.
Cremos pela luz da fé que há um só Deus em três pessoas. Em Deus não há senão uma natureza, uma só essência, apenas uma substância, que subsistem em três pessoas, três centros de atribuição. São três centros de consciência, três modos de existir, três hipóstases ontologicamente relacionadas e não apenas em plano meramente dinâmico.
Tríade divinal que patenteia o Pai, o Filho e o Espírito Santo eternamente unidos no mesmo nome, no idêntico poderio e glória, numa inefável reciprocidade de conhecimento e afeição profunda. Foi preciso que o Filho, que se encarnou no seio da Virgem Maria, viesse a este mundo para expor esta realidade divina. Aos Apóstolos ele ordenou: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19. Quando Filipe pediu “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta. Respondeu Jesus: Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe!
Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai (Jo 14,8-9). É que Ele já havia dito aos Apóstolos: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30). Prometeu a seus discípulos: “O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito (Jo 14,26). No Antigo Testamento este mistério não foi revelado, mas insinuado. Quando Deus criou Adão ele disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, o que denota várias pessoas em Deus (Gn 1,26).
Quando da destruição de Sodoma ele enviou três Anjos revestidos da figura humana, os quais se hospedaram com Abraão que lhes falava como a um só. Santo Agostinho diz que o Patriarca via três e que não adorou senão um, porque os três representavam as três Pessoas da Santíssima Trindade que não são senão um Deus. O Profeta Isaías nos diz que teve uma visão na qual os Serafins que estavam perto do trono de Deus cantavam em coro: “Santo, Santo, Santo”, repetição que indica bem as três Pessoas da Trindade. Muitos filósofos antigos provaram pela razão a existência de Deus, mas não falaram da Trindade divina.
Foi preciso, de fato, que pessoalmente Cristo viesse ensinar esta sublime verdade que não é um absurdo para a razão humana. Desde toda eternidade o Pai se conhece. Este pensamento é eterno, substancial, é a imagem de toda vida divina igual a sua origem. Eis a segunda pessoa, o Filho, o Verbo eterno. O Pai e o Filho eternamente se amam. Este amor é essencial, intemporal, é o Espírito Santo, Terceira Pessoa, que procede do Pai e do Filho.Cumpre, portanto, agradeder a Deus a graça que fez aos homens de revelar-lhes este mistério. Daí uma fé inabalável nesta verdade porque Deus mesmo a fez chegar até nós e a Igreja sempre a ensinou e a propôs como o primeiro e maior mistério da fé.
Cumpre, além disto, estar o cristão consciente de que é o templo da Santíssima Trindade. Nunca se recordam demais as palavras de Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremOS morada” (Jo 14,23). Eis por que se deve consagrar às três Pessoas da Trindade as três faculdades da alma: o entendimento, a memória e a vontade, que são de certo modo imagem deste mistério. O entendimento, intuindo nos acontecimentos e nas maravilhas espalhadas pelo mundo o poder e majestade do Ser Supremo. A memória, agradecendo continuamente tantos benefícios de cada instante.
A vontade ininterruptamente unida à vontade divina à qual se deve inteiramente aderir. Para isto nada melhor do que se lembrar deste hóspede lá no íntimo de cada um, saudando-o com o “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”! Nem se pode esquecer que o domingo é o dia da semana dedicado à Santíssima Trindade. Nele se rende a ela o melhor de todos os louvores que é o Sacrifício da Missa com os seus quatro fins. Culto latrêutico, isto é de adoração, pois ao Ser infinitamente poderoso, devemos prestar uma reverência total.
Instante de propiciação, isto é, de reparação. Deus somente é infinitamente perfeito. Todos os homens têm suas falhas, sendo algumas graves, outras leves. Que felicidade, entretanto para o cristão, pois apesar das fraquezas e negligências humanas, durante a Missa ele pode se purificar e oferecer ao Senhor Onipotente uma reparação cabal de seus erros. Momento eucarístico, ou seja, de ação de graças por tudo que se recebe do Deus Uno e Trino.
Instantes de súplica, pois a Missa é também uma oblação impetratória, a mais excelsa das preces. Por tudo isto à Trindade Santa toda honra e toda glória: “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do universo ”.
Tem um compositor/poeta da Igreja Presbiteriana, Stênio Marcius que compôs uma música chamada Senhor do Tempo, ele conseguiu traduzir o perigo que nos ronda por causa do tempo que está sempre passando e que pode nos desanimar, afastar de Deus, ao final da letra diz assim: “mestre fala neste homem que se emocione, vá recomeçar. Faz-me correr e assim, retornar ligeiro ao primeiro amor. Deixa-me ver novamente o meu nome escrito nas santas mãos do Senhor do tempo.”
Esta expressão nos remete aos ensinamentos de Jesus sobre as bem aventuranças, somos bem aventurados, quero dizer, bem aventurado é todo aquele que vai recomeçar, retornando ligeiro ao primeiro amor e assim pode rever o seu nome escrito nas santas mãos do Senhor que é por excelência o Senhor do tempo.
Bem aventurados são todos os pobres no coração; os mansos; os que têm fome e sede de justiça; os misericordiosos; os puros de coração; os amigos da paz; os perseguidos por causa da justiça; os que ouvem a palavra de Deus e a põe em prática, porque deles é o reino dos céus.
Bem aventurados são todos aqueles que cavam muito para retirar de todo o sofrimento e alegria a felicidade de cada tempo da vida, pois este sabe viver,mas também sabe morrer.
Poderíamos perguntar também? O que mais Deus precisa nos dar? Ele já deu tudo, por isso somos bem aventurados, porque a Salvação já nos foi alcançada.
Podemos chamar também de Bem Encaminhado todo aquele que retorna ligeiro ao primeiro amor, aquele que enxerga seu nome escrito nas santas mãos do Mestre. Bem encaminhado é aquele que acorda todo o dia na ânsia por encontrar o específico de sua missão, de sua história e no caminho se põe a trilhar.
Bem encaminhado é aquele que cai, despedaçado e infeliz como muitas vezes nos mostra o salmista, grita ao mestre e assim com humildade pode escutar “hoje mesmo estará comigo no Paraíso” Lc 23:43.
Bem encaminhado, aventurado, somos todos nós que ao nos enxergarmos humanos, vamos nos unindo e por isso passamos a construir o Reino dos Céus!
A segunda pregação de Gilson Paixão no Seara 2010 e que também deu início as atividades na parte da tarde desta segunda-feira (15-02) utilizou-se da palavra de Deuterômio 18,9, que tem como foco de reflexão questões atinente ao profetismo e a advinhação. Entre as crenças em outros deuses e de diversas naturezas há uma lista de práticas que são abomináveis aos cristãos. Nesse sentido, Gilson orientou a pregação na perspectiva da defesa de nossa fé, enfatizando, que isto não seria uma denúncia, mas, apenas, tomar posse da terra em que o Senhor preparou a nós. Outro momento foi marcado por indagações e afirmações a assembléia. Dentre eles, o pregador questionou “quem é o rei da sua vida” e, em outro, afirmou que muitos têm perdido o céu por desobediência á Deus. Por fim, fechou com uma oração de renúncia.
Mortificação é qualquer penitência oferecida a Deus: um jejum, deixar de beber algo, de comer alguma coisa, etc. Jesus fez do sofrimento a matéria prima da salvação da humanidade e São Paulo disse que “completo na minha carne o que falta para a paixão de Cristo no seu corpo que é a Igreja”. (Cl 1, 24). Assim, todo sofrimento é salvífico desde que Cristo morreu na cruz; como estamos unidos a ele por nosso Batismo; nosso sofrimento se junta ao dele na salvação do mundo. Dai o seu valor.
Não tem sido incomum escutar mães dizendo que depois que seus filhos cresceram e se tornaram adolescentes ou jovens, já não querem ir mais à missa, frequentar a Igreja, catequese ou outras atividades religiosas.
Fico pensando o quanto isto é ruim, o quanto fará mal a este ser humano em desenvolvimento, pois, ao abandonar suas práticas religiosas, ele vai aos poucos minando sua fé, e em breve Deus não passará de uma ideia vaga e distante, sem qualquer incidência prática em sua vida.
Acontece, porém, que todo ser humano precisa de Deus para conferir sentido mais profundo à sua vida; toda pessoa possui um recôndito tão intimo no seu ser que ninguém pode penetrar a não ser Deus. E chegará um momento em que ele precisará de uma presença que lhe preencha aquela solidão que todo ser humano possui, aquele lugar dentro de nós onde estamos absolutamente sós, de tal modo, que nem aqueles que mais nos amam podem estar conosco, ninguém além de nós e Deus, se o permitirmos.
Chega uma hora na vida em que as tribulações são tão intensas, como uma doença terrível de alguém que amamos, um acidente, medos, etc., nas quais estes meninos e meninas terão que recorrer a Deus como última instância e não conseguirão fazê-lo, pois o expulsaram, sutilmente, de suas vidas. Fecharam de tal modo suas portas a Ele, o ignoraram ou relativizaram sua importância que já não conseguirão encontrá-lo com a facilidade e a urgência que a necessidade requeria. Não que Deus os tivesse deixado de amar, mas é que eles, há muito, deixaram de amar a Deus, que agora lhes parece um estranho com quem não têm a menor familiaridade.
O que farão então nessa hora? Conseguirão acreditar para ver Deus agir? Quererão ainda tentar? Se entregarão ao desespero?
É verdade que Deus nos ama tanto e tem mil caminhos de se achegar a nós, mas às vezes colocamos tantas barreiras entre Ele e nós que o que nos chegaria facilmente pela via de amor, muitas vezes só nos chegará pela via da dor.
Meu caro jovem, não exclua Deus da prática da sua vida, pois fora da fé tornada prática de vida, só resta ao adulto que você será mais tarde um caminho árduo e sofrido, do qual Deus lhe deseja poupar.
O olhar de Deus sobre a história humana é sempre um olhar de esperança. O coração de Deus é tecido com músculos replenos do ágape que jorra incessante em direção à obra criadora. O colírio da fé purifica nossos olhos e nos dá uma abordagem alvissareira do futuro da humanidade. Nossa mística é o aprendizado da pedagogia divina.
Olhemos com esperança para o novo ano que abre as cortinas de novas oportunidades. Tudo só continuaria a mesma coisa se nos acomodássemos. Se nos deixarmos contagiar pelo espírito de partilha descobriremos claramente o que nos realiza como seres humanos. O altruísmo é a elucidação do projeto de Deus para nós. Uma comerciária certa vez me disse: “Em meu trabalho, durante o ano inteiro, cada funcionário cede uma parcela de seu salário para formar mensalmente cestas básicas que socorrem pessoas desempregadas”. Este testemunho demonstra consciência da extensão dos problemas sociais.
A cidadania é o despertador que libertou tanta gente da sonolência do indiferentismo. Tem feito o povo reconhecer que não basta amparar as goteiras. É preciso consertar o telhado estragado. Este novo ano é tempo propício para uma boa reforma na cobertura, pois serão realizadas eleições para a Presidência da República, Senado, Câmara Federal, Governo Estadual e Assembléia Legislativa. Quem sabe todos perceberão que nossas escolhas têm a ver com o empobrecimento da população, a indigência e a mendicância? Enfim, tem a ver com o próprio orçamento familiar, as políticas públicas e tudo o que pode mudar este País?
E a Copa do Mundo?
O Campeonato Mundial de Futebol ocasiona o congraçamento entre os povos, valorizando a vida saudável. Tendo alcançado o pentacampeonato em 2002; permitido a Itália chegar ao mesmo patamar em 2006, agora o Brasil entra no ritmo da vibração em busca do “EXA”. A mesma cidadania que nos veste de verde e amarelo para torcer pela vitória deverá ajudar-nos a ficar atentos aos candidatos em campanha eleitoral. A coincidência dos eventos não nos impedirá de votar no Brasil que queremos. O foco voltado para as seleções e, de modo especial, a nossa é claro, não há de ser o ópio da população. Ninguém pense que ficará mais fácil para continuar empurrando “goela a dentro” a intragável metodologia de condução desta nossa Pátria pouco amada pelos que vilipendiam suas riquezas, sucateando seus recursos naturais, empregando mal do dinheiro público.
Quem sabe este novo ano desponte no horizonte com um recado de cidadania? Quem sabe o Brasil priorize a pessoa humana em lugar da economia de mercado? Quem sabe o despertar da solidariedade nos ajude na construção da unidade em torno de quem acredita na vida? Os que doaram uma cesta de Natal ou um brinquedo, para fazer sorrir uma criança, ainda podem mudar este País, pois acreditam e apreciam a vida. Não perderam o encanto com a mais preciosa riqueza que possuímos: nós mesmos.
Não há obstáculo que possa deter a força do amor. A inteligência, por vezes, se coloca a serviço de interesses paralelos à vida plena. Com o amor é diferente. Quem ama não faz guerra, não agride o meio ambiente com especulação imobiliária e outros, nem terrorismo oriundo de fanatismo religioso ou poderio econômico. Santo Agostinho disse: “Ama e fazes o que queres”. Quem ama acerta o caminho da vida e é solidário. Os que se abrem ao amor de Deus poderão fazer deste novo ano O BANQUETE DA VIDA!