RCC Viçosa – Renovação Carismática Católica de Viçosa
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O que significa conversão?

Denis Duarte
Professor, escritor e pesquisador, Denis Duarte possui graduação em Letras, licenciado em Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Literatura Portuguesa. É especialista em Literatura Bíblica na área de Tradição Profética. É também mestre em Ciências da Religião na área de Literatura e Religião no Mundo Bíblico.
E-mail: denisufv@yahoo.com.br
Site: http://www.denisduarte.com/

Neste tempo especial, que é a Quaresma, devemos aproveitar ao máximo para fazer uma renovação espiritual em nossa vida. E neste ano, a Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil [CNBB], por intermédio da Campanha da Fraternidade [CF], nos convida, de modo especial, para fazermos essa nossa renovação espiritual e, sobretudo, nos convertermos em relação ao nosso dinheiro.

E o que significa conversão? Quem dirige automóveis entende bem esse termo: quando se está no carro e vemos uma placa indicando que só podemos seguir à direita, precisamos fazer uma conversão à direita, ou seja, precisamos mudar de direção, tomar um outro caminho. E essa é a proposta desse tempo quaresmal. Isso é conversão. Mudarmos o caminho. Tomarmos a direção proposta pelo próprio Cristo. Pois Ele mesmo é o caminho, a verdade e a vida.

E especificamente, nesta Campanha da Fraternidade, que nos convertamos, que mudemos de direção em relação ao uso do nosso dinheiro. Que sigamos as propostas de Jesus em relação à nossa vida econômica. E se dermos uma olhada mais cuidadosa nos Evangelhos, perceberemos que Cristo muito nos ensinou sobre dinheiro, sobre economia e sempre, como nos convida o tema da CF: uma economia para favorecer a vida! Exemplo disso é o próprio lema da CF: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Versículo 24, retirado do capítulo 6 do Evangelho de São Mateus. Esse trecho é entendido como um alerta sobre os bens materiais nos tornarem escravos da riqueza e, assim, retirarem a nossa comunhão com Deus. Por isso, existe aí uma proibição em tentar conciliar o serviço a Deus e o serviço à riqueza, pois não é possível viver dividido.

Ao personificar as riquezas, o texto mostra que o gosto pelos bens materiais pode nos dominar. E que isso não pode acontecer, pois maior deve ser o compromisso com Deus, que direciona as ações da vida diária. E, assim, se aprende a não desejar o acúmulo, mas a utilizar de modo justo o dinheiro que se tem.

Conciliar o acúmulo e a fidelidade a Deus é impossível. São projetos distintos. E projeto aqui é entendido como aquilo que temos como direção e prioridade na vida. Ambos os projetos – de acúmulo de riqueza e de Reino dos Céus – são opostos, pois tanto um quanto o outro ocupam todas as dimensões da existência. E não se pode investir a vida em duas propostas distintas.

O Evangelho é taxativo: Não podeis servir a Deus e às riquezas (Mt 6,24). A vida centrada em Deus e a vida centrada no dinheiro têm dinâmicas muito distintas. Enquanto uma se preocupa com a solidariedade e a partilha, a outra se consome na ambição desenfreada e insaciável de acumular. O Evangelho alerta sobre esta tentação.

Escolhamos o caminho, que é Jesus. Ele nos garante que, se colocarmos o Seu Reino em primeiro lugar, a Providência Divina cuidará em tudo! Pois nos diz: “Buscai primeiro o Reino dos Céus e sua justiça que tudo o mais vos será dado em acréscimo” (Mt 6,33).

Renato Luiz lança CD “Da dor a paz”!

Capa do CD Da dor a paz

Como resposta ao sofrimento, o ser humano às vezes se revolta, acreditando-se inferior ou excluído, rejeitado ou destinado ao caos existencial. Outras vezes, numa atitude de constante fuga, decide se recolher em um mundo recluso e de poucas relações. Ainda, considerando correta tal atitude, alimenta uma postura de resignação infértil e demasiadamente passiva.

Ao contrário, a proposta que brota do Evangelho e do testemunho de tantos disípulos de Jesus Cristo, é experimentar o sofrimento com um gesto de contínuo acolhimento e oferta. Aceita-o como dom, como caminho de purificação e crescimento humano-espiritual. Deste modo, experimenta-se a paz.

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (João 14,23)

Chamado amor

Preciso me calar

Renato Luiz

O CD é composto de 13 lindas canções inéditas que nos convidam a assumir o sofrimento com alegria e esperança, via segura para a paz. Todas as canções revelam a profundidade da vida cristã inspirada na figura do servo sofredor. Abaixo lista das canções:
01 – Chamado amor
02 – Preciso me calar
03 – Novo coração
04 – O abismo da minh’alma
05 – Sinais de vida
06 – Ser amante…
07 – Poder dos meus segredos
08 – Minha essência
09 – Abandono à providência
10 – Eu, aprendiz…
11 – Paradoxos do amor
12 – Amigos são dádivas
13 – Simplificando meu sentido

Novo Coração

O abismo da minh’alma…

Ser Amante…

Renato Luiz

Eu, aprendiz…

Entrevista com Renato Luiz

RCC Viçosa: Quem é o Renato Luiz. Fale um pouco de você…
Renato Luiz: Mas isso é o que eu mais quero saber! Rsrs… brincadeira. O Renato é um pequeno filho de Deus muito amado e que tem caminhado na busca por amar de uma forma humanamente plena. Nasci em Sete Lagoas e vim pra Viçosa estudar. Aqui tenho tido experiências profundas com o Bom Deus que têm me feito mudar o rumo na minha vida. Sou membro de vida da Fraternidade Pequena Via, onde compartilho com outras pessoas de uma rica espiritualidade. Sou formado em Administração e hoje estou estudando para entrar no mestrado. Dou aula de canto no ITEFE (Instituto Teresiano de Formação e Espiritualidade) e também faço parte do Projeto Nascente, outro trabalho da Pequena Via, onde dedico os meus dons musicais na gravação de CDs, shows de evangelização e principalmente atuando na Liturgia. Também sou coordenador da Dimensão Ecumênica da Paróquia Nossa Senhora de Fátima.

RCC Viçosa: Qual o significado do título do CD, “Da dor a paz”, em sua vida?
Renato Luiz: Como eu menciono no CD, esse título foi sugerido por meu amigo Thiago Brañas, e foi escolhido justamente por significar algo na minha vida. Não posso negar que as músicas falam de sofrimento e de dor, mas expressam também o júbilo e a paz encontrados no caminho de santidade. A cruz (dor) tem um sentido profundo, pois é através dela que sou salvo (paz)! Acho que é isso que o título do CD significa na minha vida!

RCC Viçosa: Como você escreveu as letras deste CD, em que contexto elas foram escritas?
Renato Luiz: A ultima canção do CD “Simplificando meu sentido” também é a ultima canção que compus desse repertório que foi gravado. Isso deve fazer uns três anos. Nesse tempo muitas coisas estavam acontecendo na minha vida. Foi um tempo intenso e de várias novidades no meu caminho na religião. Um tempo de descoberta de mim mesmo, descoberta do outro e principalmente descoberta de Deus. Nesse contexto eu me deparava com a imagem que eu tinha de Deus e percebia que ela precisava ser reconstruída. Também me deparava com a imagem de mim mesmo e percebia que ela também precisava ser reconstruída. Esse processo foi um pouco doloroso e continua sendo até hoje, mas pela paz, tão verdadeira que tenho encontrado nesse caminho, me decidi gravar essas canções para compartilhar tamanha alegria com os outros.

RCC Viçosa: Explique para nós o sentido da ilustração da capa do CD.
Renato Luiz: A ilustração é um Pelicano Eucarístico. Na Europa medieval os pelicanos eram considerados animais especiais e zelosos que alimentavam seus filhotes com o alimento que mantinham em uma bolsa presa ao bico e quando faltava alimento, dava-lhes o seu próprio sangue. Assim tornaram-se um símbolo da Paixão de Cristo, da Eucaristia e da auto-imolação. Achamos que essa figura expressa bem o amor cristão que somos chamados a viver. Um amor atitude, um amor que sofre, um amor que se imola.

RCC Viçosa: Depois de escrever e cantar letras tão profundas, como “Chamado amor”, o que foi mudado em sua vida?
Renato Luiz: Realmente ao cantar “quero viver sem esperar recompensas” ou “quero persistir no meu caminho de cruz” muita coisa mudou dentro de mim. Pude perceber que a graça de Deus começou a agir em tantas áreas da minha vida que nem imaginava estarem relacionadas com minha vida espiritual. Deus, na sua infinita misericórdia, atendeu minha oração, mas foi de um jeito bem diferente do que eu esperava. Por exemplo, me apresentou de forma muito clara a minha cruz e perguntou se era essa mesmo que eu tava disposto a carregar. A partir da oração sincera presente em uma música, somos tomados de uma claridade que vai revelando nossa verdade e a verdade de Deus.

RCC Viçosa: “Preciso me calar”- esta música nos lembra o dever que temos de escutar. Fale para nós qual foi o silêncio mais difícil da sua vida?
Renato Luiz: Me lembro bem, foi no fim de 2004. Foi quando perdi um grande amigo humano e fui convidado a encontrar o meu melhor amigo, Jesus. Foi um tempo de silêncio em que me deparei com as mais profundas lutas e angústias que estavam no meu coração, mas que até então não havia reparado. Não foi fácil perceber que o tipo de valor que eu dava às pessoas me deixava dependentes delas e me afastava do plano de Deus. Então me decidi calar e me abandonar nos braços do Pai. Acho que foi a melhor escolha que fiz em toda a minha vida.

RCC Viçosa: O CD possui 13 canções. Já existe algum projeto para lançar outras músicas?
Renato Luiz: Sim, tenho outros projetos. Neste CD, por exemplo, não estão as canções que foram apresentadas nos Festivais Vocacionais. Gostaria de gravá-las, até porque algumas pessoas já me perguntaram quando farei isso. Também tenho outros planos no Projeto Nascente.

RCC Viçosa: Explique para nós o que vem a ser o Projeto Nascente.
Renato Luiz: O Projeto Nascente é um grupo de pessoas chamadas a evangelizar através da arte. Bem simples! Este projeto é um dos trabalhos da Fraternidade Pequena Via e buscamos estar abertos às necessidades da igreja. Assim, hoje temos desenvolvido trabalhos com a música como shows, não só com músicas religiosas, gravamos CD’s de Catequese, atuamos na liturgia, dentre outros.

RCC Viçosa: Qual a influência da Fraternidade Pequena Via no projeto deste CD?
Renato Luiz: Toda! Se eu não fizesse parte da Fraternidade Pequena Via talvez esse CD não tivesse sido lançado! Pois lá tenho encontrado um espaço onde eu posso ser eu mesmo, e não só posso ser como sou incentivado a ser. Isso é muito bom! São eles que acolhem a maioria dos meus questionamentos, dificuldades e alegrias, que depois de um tempo acabam virando canções!

RCC Viçosa: Deixe aqui um convite para que os nossos internautas comprem o CD “Da dor a paz”.
Renato Luiz: Queridos, eu escolhi fazer parte da vida de vcs através dessas simples canções. Na verdade, elas já não são mais minhas, são suas! Por isso, se tiverem oportunidade, adquiram o CD. São partilhas de um jovem em busca da santidade, mas que, de alguma forma, podem te ajudar no seu caminho espiritual. Um forte abraço, obrigado pela atenção! Deus nos abençoe e nos instrua no amor e na unidade!

Cruz Pequena Via

Como comprar

Em Viçosa o CD “Da dor a paz” está a venda no ITEFE, na loja Nova Aliança e Loja Magnificat.

Você pode aiquirir o CD, também por email. Envie um email para o Renato Luiz:
redosenhor@gmail.com ou então, entrar em contato pelo telefone: (31) 8866-3380

Como saber se tenho uma vida espiritual?

Denis Duarte
Professor, escritor e pesquisador, Denis Duarte possui graduação em Letras, licenciado em Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Literatura Portuguesa. É especialista em Literatura Bíblica na área de Tradição Profética. É também mestre em Ciências da Religião na área de Literatura e Religião no Mundo Bíblico.
E-mail: denisufv@yahoo.com.br
Site: http://www.denisduarte.com/
Denis Duarte

Não faço o bem que quero e faço o mal que não quero (Rm 7,19).

São Paulo nos mostra, através desse versículo, muito claramente como funciona esse processo que todos nós necessitamos: uma Vida Espiritual.

Veja bem: São Paulo diz que em determinados momentos ele não consegue fazer o bem que ele quer fazer e que acaba fazendo o mal que ele não quer fazer. Há uma luta declarada aí. Uma luta interior entre fazer o bem ou fazer o mal.

Nisso consiste, segundo Santo Inácio de Loyola, a nossa Vida Espiritual. Para o santo, se existe luta, há um conflito interior, e que por isso existe aí uma vida espiritual. Ou seja, a vida espiritual se traduz na luta.

Você pode estar se perguntando: E eu, como vou saber se tenho uma vida espiritual?

A partir das dicas de São Paulo e Santo Inácio você pode começar por identificar se, por vezes, acontece dentro de você essa luta, esses conflitos interiores. Se você, como São Paulo, com certa freqüência, fica nessa briga entre fazer o bem ou o mal, então você tem sim uma vida espiritual.

E caso você perceba que dentro de você não há essa luta, então é começar a se questionar se possui realmente uma vida espiritual. Pois essa ausência de luta pode significar que, espiritualmente, sua vida está morna, está parada, está estagnada. E a espiritualidade é peça fundamental para que nos realizemos como pessoas, como seres humanos.

Uma vantagem em saber que vida espiritual se traduz em luta é que dessa maneira você não irá mais cair no desânimo por causa das suas lutas interiores, dos conflitos que às vezes te atordoam. Use isso a seu favor. Nessa hora é preciso perceber que, se existe esta luta é porque você tem uma vida espiritual que te faz, sobretudo, experimentar e viver com o auxílio da graça de Deus. E essa graça é muito maior do que qualquer falha, defeito ou imperfeição que você possua. A graça de Deus é maior que tudo isso.

Que Deus nos abençoe!

Espiritualidade 04: Lições da Natureza

Professor Felipe Aquino
Doutor em Física pela UNESP e pelo ITA; há trinta e cinco anos é professor universitário e foi Diretor Geral do Instituto de Engenharia de Lorena - da USP-SP.
E-mail: felipeaquino@cancaonova.com
Site: http://www.cleofas.com.br/
Denis Duarte

Uma bela página, anônima, inspirada nas lições que a natureza nos dá, diz assim: “Vamos ser como o sol, que não possui nenhuma lista de endereços para enviar seus raios luminosos, ilumina e aquece o bom e o mau. Há muita noite triste por aí pedindo quem lhe leve o sol da alegria. Vamos ser como a chuva que não tem mapas, com limites e fronteiras, para delimitar o campo a ser regado. Há tanta vida seca por aí esperando uma gota de ternura. Vamos ser como a fonte sempre ao alcance de qualquer um que estenda a mão, a mão ansiosa, em concha, preta ou branca, velha ou jovem, pouco importa.

A fonte é uma perene oferta borbulhante. Há tanta gente sequiosa por aí, pedindo quem lhes leve às águas da verdade. Vamos ser como a árvore, que não recolhe os galhos com seus frutos, quando chega algum pobre e seus ramos oferta a qualquer ave que queira fazer neles seu ninho, quer seja canarinho de bom canto ou, talvez, um pardal barulhento. Há tanto sofrimento por aí, buscando um terno abraço no qual possa aninhar a sua dor. Vamos ser como a irmã terra, que não vê cara ou nome, conta bancária ou posição social: acolhe em si, em si abraça e em si fecunda a semente que cai, sem nunca olhar a cor da mão que a lança. Há tanta terra boa por aí, que espera quem lhe leve uma semente, semente de palavra e de boa ação.

Vamos ser como as aves e as cigarras, que dão concertos grátis para todos, sem reclamar direitos autorais. Há tanto desespero por aí, na espera ansiosa de quem lhes cante um hino de esperança. Vamos ser como a Lua e as estrelas, que ornam o céu e enfeitam a noite. Há tanta noite escura por aí, à espera da luz benfazeja de nosso amor. Então, vamos ser todos, vida afora, assim, gratuitamente, alegremente, eternamente: sol, terra, chuva, árvore, fonte, lua, estrela e ave. Que alguém possa dizer que foi feliz, ao menos um segundo em sua vida, porque passamos pelo seu caminho.” Sejamos puros e generosos como a natureza que saiu das mãos d’Aquele que é o Amor (1 Jo 4,8).

Só seremos bons, de verdade, quando soubermos fazer o bem a todos, bons e maus; aos amigos e inimigos; aos pobres e aos ricos. E todos precisamos uns dos outros, continuamente. Certa vez o Papa Paulo VI disse que “ninguém é tão pobre que não tenha o que dar ou tão rico que não tenha o que receber”. Quando Jesus quis nos ensinar no que consistia a “perfeição” cristã, disse:

“Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; deste modo vos tornareis filhos de vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o seu sol “igualmente” sobre maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos… Deveis ser ´perfeitos´ como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 4,48). Jesus deixa claro no que consiste a perfeição: fazer o bem a todos indistintamente, gratuitamente. Um homem se torna adulto quando se abre para os outros e para o mundo. A sua grandeza se mede pela sua capacidade de “comunhão” com os irmãos e com Deus. Somos todos irmãos: bons e maus, ricos e pobres, brancos e negros, judeus e árabes.

É por isso que o cristianismo é baseado no “amor” e no “perdão”. É deles que se exaure toda a força da fé para transformar as pessoas e o mundo. O Senhor deixou bem claro esta identidade: “Este é o meu preceito: amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). “Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”. É por isso que diziam os pagãos: “Vede como se amam!” (Tertuliano, † 220 ).

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Professor Felipe Aquino
Doutor em Física pela UNESP e pelo ITA; há trinta e cinco anos é professor universitário e foi Diretor Geral do Instituto de Engenharia de Lorena - da USP-SP.
E-mail: felipeaquino@cancaonova.com
Site: http://www.cleofas.com.br/
Professor Felipe Aquino

Que verdade maravilhosa esta que o Profeta Isaias nos comunica: somos a alegria de Deus.

O grande Padre da Igreja Santo Irineu já tinha dito por volta do ano 160, que “o homem é a glória de Deus”. Esta criatura tão frágil e tão grande é a glória e a alegria do Todo – Poderoso.

Mas como podemos ter certeza disso? Será que somos mesmo tão importantes para Deus? Será que a nossa existência pode mesmo afetar a sua alegria?

Sim, é a resposta. Vamos meditar.

São diz na Carta aos Efésios “que do alto do céu o Pai nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo e nos escolheu Nele antes da criação do mundo” (Ef 1, 3).

Então, não viemos ao mundo por acaso, não, o Senhor “nos desejou desde antes da criação do mundo”, e, sem violentar a liberdade de nossos pais terrenos, nos deu a vida. Deus é o grande “amigo da Vida”, e se rejubila quando uma criança nasce, porque é mais uma criatura gerada à sua imagem e semelhança que vem a este mundo para enriquece-lo. Lamentavelmente perdemos esta percepção.

O que mais vale no mundo é a vida; nada tem tanto valor como uma criança; é por isso que a Igreja costuma dizer que o sorriso de uma criança veio do céu. Aqui a gente entende porque a Igreja não quer um controle irracional da natalidade como acontece hoje, onde a maioria dos países já não consegue repor a população, e por isso, começa a diminuir os seus habitantes. É a desvalorização da vida.

Disse Henry Daniel Rops, um dos maiores historiadores católicos do século XX, que “um povo que não quer mais se reproduzir é um povo doente”. É verdade, se a civilização despreza o maior valor, a vida, se tem medo dela, então, há algo de muito errado com esta civilização que já não está mais disposta a defender o que há de mais sagrado. A frase que João Paulo II mais repetiu aos casais no Jubileu do Ano 2000 foi esta: “Não tenham medo da vida!”

São Paulo continua a nos dizer na Carta aos Efésios que: “No seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade” (v. 5). Somos filhos de Deus e somos de fato, diz também S. João: “Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato” (1Jo 3,1). Ora, qual é a grande alegria dos pais; não são os seus filhos? Então, o Profeta Isaías está certo: “Tu és a alegria do teu Deus”.

Cada um de nós, tão pequenino, toca o Coração de Deus. São Paulo ainda disse aos efésios que fomos criados “para celebrar a glória de Deus”: “Nele é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio daquele que tudo realiza por um ato deliberado de sua vontade, “para servirmos à celebração de sua glória” (v. 11-12)”.

Era exatamente isto que Santo Irineu queria dizer ao falar que “o homem é a glória de Deus”.

A vida do homem “celebra a glória de Deus” porque é a sua mais bela criatura visível; nada se lhe compara. A ninguém o Senhor deu inteligência, liberdade, vontade, consciência, capacidade de amar, de cantar, de sorrir e de chorar… A ninguém ele deu poder de voar nos altos dos céus, de construir as belas catedrais, de tocar o chão da lua, de perscrutar as estrelas… O salmista já rezava admirado:
“Que é o homem, digo-me então, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles? Entretanto, vós o fizestes quase igual aos anjos, de glória e honra o coroastes. Destes-lhe poder sobre as obras de vossas mãos, vós lhe submetestes todo o universo”. Sl (8, 5- 6)

Fomos criados por amor, como filhos amados, para reinar neste mundo em nome do Criador, e dar-lhe honra e glória pelo que somos e fazemos. Não podemos viver uma vida pequena, mesquinha, desvalorizada, desprezada, simplesmente porque o Criador não nos fez para isso. Ele nos quer grandes, por dentro, não por fora.

São Paulo ainda repete uma vez mais aos efésios, que Ele nos “adquiriu para o louvor da sua glória” (v. 14). A beata Elizabeth da Trindade fez dessa verdade o lema de sua vida e assim se santificou. Ele fez de cada instante de sua vida, no Carmelo, um ato de louvor a Deus.

Quando a humanidade experimentou o sabor horrendo do pecado, e em conseqüência, o sabor amargo da morte, Cristo se prontificou a se oferecer pelo nosso resgate das mãos cruéis do demônio. São Pedro explica como ninguém: “Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo”. (1 Pe 1, 18,19)

Fomos criados pelo amor e pelo poder de Deus e fomos resgatados da morte pelo amor de Deus, porque somos filhos de Deus. Isto é, Deus fez por nós o que cada um está disposto a fazer pelo seu próprio filho.

“Tu és a alegria do Senhor teu Deus” (Is 62,5)

Esta é a razão pela qual Jesus deseja ardentemente ser recebido em nosso coração, na Comunhão sacramental ou mesmo na espiritual, muitas vezes durante o dia. Os santos experimentaram fortemente o quanto Jesus ama vir ao nosso coração. A explicação é esta: nós somos o amor da sua vida! A prova disso é que Ele a sacrificou por nós. Ninguém morre por alguém que não ama. E o que o amado mais deseja é estar junto, em comunhão, com a sua amada. A nossa alma é esposa do Altíssimo. Santa Teresinha do Menino Jesus disse que Jesus não desceu do Céu na Eucaristia para ficar numa âmbula de ouro, mas para viver em nosso coração. Ele é o refúgio do Coração de Jesus; ele é o travesseiro onde Ele pode reclinar a sua cabeça. Daí a importância de Comungar com freqüência e com devoção, oferecendo ao Amado o amor da sua amada. Não se esqueça jamais: “Tu és a alegria do Senhor teu Deus” (Is 62,5)

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E-mail: felipeaquino@cancaonova.com
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Professor Felipe Aquino

É impressionante notar como Deus sempre exigiu do povo escolhido, consagrado a Iahweh (Dt 7,6; 14,2.21), a observância das Suas Leis, para que este povo fosse sempre feliz e abençoado. O Antigo Testamento mostra isso.

É no livro do Deuteronômio (Segunda Lei) que essa exigência é mais explícita. Ao povo libertado da escravidão do Egito, Deus manda através de Moisés:

“Observareis os mandamentos de Iahweh vosso Deus tais como vo-los prescrevo” (Dt 4,2).

“Iahweh é o único Deus… Observa os seus estatutos e seus mandamentos que eu hoje te ordeno, para que tudo corra bem a ti e aos teus filhos depois de ti, para que prolongues teus dias sobre a terra que Iahweh teu Deus te dará, para todo o sempre” (Dt 14,40).

É interessante notar também como Deus tem um grande ciúme do seu povo, e não aceita que este deixe de cumprir suas Leis para adorar os deuses pagãos.

“Eu, Iahweh teu Deus, sou um Deus ciumento…” (Dt 5,9).

O Apóstolo São Tiago, lembra-nos esse ciúme de Deus por cada um de nós, ao dizer que:

“Sois amados até ao ciúme pelo Espírito que habita em vós” (Tg 4,5).

Deus não aceita ser o segundo na nossa vida, Ele exige ser o primeiro, porque para Ele cada um de nós é o primeiro. Ele demonstrou isto de maneira clara com o aniquilamento de Jesus por cada um de nós. É por isso que o Primeiro mandamento diz:

“Amar a Deus sobre todas as coisas”; isto é, “amarás a Iahweh teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força” (Dt 6,4).

Esse amor a Iahweh se manifesta exatamente na obediência aos mandamentos:

“Andareis em todo o caminho que Iahweh vosso Deus vos ordenou, para que vivais, sendo felizes e prolongando os vossos dias na terra que ides conquistar” (Dt 5,33).

E Deus manda que os seus mandamentos sejam observados pelos filhos e gravados profundamente no coração:

“Que essas palavras que hoje te ordeno estejam em teu coração! Tú as inculcurás a teus filhos, e deles falarás sentado em tua casa e andando em teu caminho, deitado e de pé. Tu as atarás à tua mão como um sinal, e serão como um frontal ante os teus olhos; tu as escreverás nos umbrais da tua casa, e nas tuas portas” (Dt 6,6s).

São palavras muito fortes que mostram-nos, com clareza, que sem a observância dos Mandamentos ninguém será feliz sobre a terra. Basta olhar toda a miséria do nosso mundo, todas as suas lágrimas e dores, e será fácil constatar porque tudo isto ocorre; simplesmente porque o homem não quer cumprir os mandamentos de Deus. Aquelas Dez Palavras (Dt 4,13.21) que Ele deu a Moisés, escritas com o próprio dedo para significar a Aliança com aquele povo.

Que bom se cada um de nós escrevéssemos essas Dez Palavras no íntimo do coração para jamais esquecê-las!

Quando Deus acabou de dar as suas Leis ao povo, sinal da Aliança, disse-lhes finalmente:

“Vede: hoje estou colocando a benção e a maldição diante de vós: A benção, se observardes aos mandamentos de Iahweh vosso Deus que hoje vos ordeno; a maldição, se não obedecerdes aos mandamentos de Iahweh vosso Deus, desviando-vos do caminho que hoje vos ordeno…” (Dt 11,26´28).

<0p>E as bençãos que Deus promete são abundantes: “Se de fato obedecerdes aos mandamentos que hoje vos ordeno, amando a Iahweh vosso Deus e servindo-o com todo o vosso coração e com toda a vossa alma, darei chuva para a vossa terra no tempo certo: chuvas de outono e de primavera. Poderás assim recolher teu trigo, teu vinho novo e teu óleo; darei erva no campo para o teu rebanho, de modo que poderás comer e ficar saciado” (Dt 11.13´15; Lv 26; Dt 28).

De outro lado, as maldições pesariam sobre o povo se este fosse infiel a Iahweh, não observando seus mandamentos:

“Contudo, ficai atentos a vós mesmos, para que o vosso coração não se deixe seduzir e não vos desvieis para outros deuses … não haveria mais chuva e a terra não daria o seu produto; deste modo desapareceríeis rapidamente da boa terra que Iahweh te dá” (Dt 11,16´17). “Porei sobre vós o terror, o definhamento e a febre… Em vão semeareis a vossa semente, porque os vossos inimigos a comerão. Voltar-me-ei contra vós e sereis derrotados pelos vossos inimigos…” (Lv 26,14s).

E a lista de bençãos e maldições é longa… Veja Dt 28. A escolha depende de cada um de nós… Jesus disse aos Apóstolos:

“Se me amais guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,23). “Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai …” (Mt 7,21) .

A Moral católica está fundamentada nos Dez Mandamentos; por isso, a grande necessidade de serem observados. Toda a terceira parte do Catecismo da Igreja, ensina sobre isso.

Quando aquele jovem perguntou a Jesus: “Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?”, o Senhor respondeu:

“Se queres entrar para a Vida, guarda os Mandamentos: não matarás, não aduterarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho, honra pai e mãe…”(Mt 19,16´19).

Vemos assim, que Jesus ratificou a necessidade de vivermos os Dez mandamentos. Ao falar deles o Catecismo diz:

“Os Dez Mandamentos pertencem à revelação de Deus. Ao mesmo tempo revelam-nos a verdadeira humanidade do homem. Iluminam os deveres essenciais e portanto, indiretamente os deveres fundamentais, inerentes à natureza da pessoa humana. O Decálogo contém uma expressão privilegiada da lei natural (n°2070)´.

Santo Ireneu, no segundo século, dizia:

“Desde o começo Deus enraizara no coração dos homens os preceitos da lei natural. Inicialmente Ele contentou-se em lhos recordar. Foi o Decálogo (Contra as Heresias,4,15,1)”.

A Lei de Deus está registrada nos Mandamentos. Obedecendo-os o homem será feliz e abençoado. Santo Agostinho dizia que Deus os escreveu nas duas pedras, porque o homem já não os conseguia ler no seu coração, endurecido pelo pecado.

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Espiritualidade 01: Fidelidade a Deus

Professor Felipe Aquino
Doutor em Física pela UNESP e pelo ITA; há trinta e cinco anos é professor universitário e foi Diretor Geral do Instituto de Engenharia de Lorena - da USP-SP.
E-mail: felipeaquino@cancaonova.com
Site: http://www.cleofas.com.br/
Professor Felipe Aquino

Há um versículo que aparece pelo menos quatro vezes na Sagrada Escritura: “O justo vive pela fé” (Hab 2, 4; Rm 1,17; Gl 3,11; Hb 10,36). A palavra fé na Bíblia é também traduzida como “fidelidade” a Deus. É a atitude daquele que crê e que obedece o Senhor. Neste sentido São Paulo fala aos romanos da “obediência da fé” (Rm 1,5). A fé é um ato de adesão a Deus; isto é, submissão que implica obediência à Sua santa e perfeita vontade.

A fraqueza da nossa natureza humana impede muitas vezes que a nossa fé seja coerente; quer dizer, às vezes os nossos atos não estão conforme às exigências da fé. Portanto, não basta crer, é preciso obedecer. Depois que o povo hebreu recebeu a Lei de Deus por meio de Moisés, exclamou: “Tudo do que Iahweh falou, nós o faremos e obedeceremos” (Ex 24,7). Esta era a vontade do povo, no entanto, sabemos que este mesmo povo prevaricou tantas vezes prestando culto aos deuses dos pagãos.

Depois que Josué, no limiar da morte, conclamou o povo, a ser fiel a Deus, e só a Ele prestar culto na Terra que Deus lhe dava, o povo respondeu: “A Iahweh nosso Deus serviremos e à sua voz obedeceremos” (Js 24,24). Mas sabemos que logo após atravessar o rio Jordão, e tomar posse da Terra tão esperada, este povo não demorou a render se aos encantos dos deuses dos cananeus. Isto mostra que não é fácil, também para nós, viver a fidelidade a Deus, pois também hoje os deuses falsos nos atraem, e querem ocupar o nosso coração. A obediência sempre foi e sempre será a prova e a garantia da fidelidade.

Foi por ela que Jesus salvou a humanidade, porque fez exatamente o que o primeiro Adão recusara fazer. Na obediência radical a Deus o Cristo desatou o nó da desobediência de Adão e nos reconciliou com o Pai. Da mesma forma, ensinam os Santos Padres, pela obediência da Virgem, ela desatou o laço da desobediência de Eva que lançou a humanidade na danação. A partir daí, a obediência a Deus passou a ser a marca principal daquele que crê. Ela é o melhor remédio para os males que o pecado original deixou em nossa natureza: orgulho, vaidade, presunção, auto suficiência, exibicionismo, etc.

O profeta afirma que: “A obediência é melhor do que o sacrifício” (1Sm 15,22). E Thomas de Kempis, na “Imitação de Cristo”, assegura que: “Obedecer é muito mais seguro do que mandar”. No pátio da Academia Militar das Agulhas Negras, está escrito, para que os cadetes leiam todos os dias: “Cadete, ide comandar, aprendei a obedecer!” Se a obediência é tão necessária para com os homens, quanto mais para com Deus. A outra característica da fidelidade a Deus é o firme propósito de servir-lhe sempre e com perseverança e reta intenção, mesmo nos momentos mais difíceis. Como agrada a Deus o filho fiel! O profeta diz: “Iahweh guarda os passos dos que lhe são fiéis” (2Sm 22,26). E o Senhor Jesus disse: “Muito bem servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar te com o teu Senhor” (Mt 25,21). Tudo o que recebemos de Deus nesta vida, é este “pouco” sobre o qual é testada a nossa fidelidade a Deus.

Ser fiel a Deus é ser obediente às suas leis, à sua vontade, e servir-lhe com toda a alma. Santo Inácio de Loyola afirmava que viver bem é “amar e servir a Deus nesta vida”. Jesus disse aos Apóstolos na última Ceia: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). Portanto, amar a Deus, mais do que um sentimento, é uma “decisão”: guardar os seus mandamentos, cumprir a sua vontade. “Nem todo aquele que diz, Senhor, Senhor,… mas aquele que faz a vontade de meu Pai”(Mt 7,21). Dessas palavras fica claro que amar a Deus é viver os seus ensinamentos.

O Senhor deixou a Igreja para que a Sua vontade fosse expressa e objetivamente conhecida, e não ficasse ao sabor do julgamento de cada um. Ele garantiu à Sua Igreja que o Espírito Santo a conduziria “a toda a verdade” (Jo 16,13), e que a voz da Igreja é a Sua voz. “Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,16). Então, ser fiel ao Senhor, é ser fiel à Sua Igreja, e tudo aquilo que ela ensina. O Papa Paulo VI disse certa vez que: “quem não ama a Igreja, não ama Jesus Cristo”. É lógico, a Igreja é o Corpo de Cristo! Quem não é fiel à Igreja, não é fiel a Jesus Cristo! Quem não serve a Igreja, não serve a Jesus Cristo… A Igreja é o Cristo prolongado na história dos homens. Quando se toca a Igreja, se toca o próprio Senhor.

A fidelidade está muito ligada à perseverança e à paciência. Santo Agostinho disse: “Os que perseveram em vossas companhias sejam vossos modelos. E os que vão ficando pelas calçadas, aumentem vossa vigilância”. E o grande São João da Cruz ensinava que: “A constância de ânimo, com paz e tranquilidade, não só enriquece a pessoa, como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando lhes a solução conveniente.” Mas, para que haja serviço a Deus, perseverante e alegre, e para que possamos amar e cumprir os seus mandamentos, é preciso uma vida de piedade, vigilância e oração, sem o que, a alma esfria.

Sabemos que “mosca não assenta em prato frio”; quando a alma esfria, os demônios se aproximam dela para vencê-la pela tentação. Não seremos julgados pela nossa capacidade intelectual, e nem pela grandeza das nossas obras, mas, como disseram os santos, pela pureza do nosso amor a Deus e pela perseverança nesta vivência. Jesus garantiu que diante de todas as adversidades que virão, “quem perseverar até o fim será salvo” (24,13).

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