Cremos pela luz da fé que há um só Deus em três pessoas. Em Deus não há senão uma natureza, uma só essência, apenas uma substância, que subsistem em três pessoas, três centros de atribuição. São três centros de consciência, três modos de existir, três hipóstases ontologicamente relacionadas e não apenas em plano meramente dinâmico.
Tríade divinal que patenteia o Pai, o Filho e o Espírito Santo eternamente unidos no mesmo nome, no idêntico poderio e glória, numa inefável reciprocidade de conhecimento e afeição profunda. Foi preciso que o Filho, que se encarnou no seio da Virgem Maria, viesse a este mundo para expor esta realidade divina. Aos Apóstolos ele ordenou: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19. Quando Filipe pediu “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta. Respondeu Jesus: Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe!
Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai (Jo 14,8-9). É que Ele já havia dito aos Apóstolos: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30). Prometeu a seus discípulos: “O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito (Jo 14,26). No Antigo Testamento este mistério não foi revelado, mas insinuado. Quando Deus criou Adão ele disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, o que denota várias pessoas em Deus (Gn 1,26).
Quando da destruição de Sodoma ele enviou três Anjos revestidos da figura humana, os quais se hospedaram com Abraão que lhes falava como a um só. Santo Agostinho diz que o Patriarca via três e que não adorou senão um, porque os três representavam as três Pessoas da Santíssima Trindade que não são senão um Deus. O Profeta Isaías nos diz que teve uma visão na qual os Serafins que estavam perto do trono de Deus cantavam em coro: “Santo, Santo, Santo”, repetição que indica bem as três Pessoas da Trindade. Muitos filósofos antigos provaram pela razão a existência de Deus, mas não falaram da Trindade divina.
Foi preciso, de fato, que pessoalmente Cristo viesse ensinar esta sublime verdade que não é um absurdo para a razão humana. Desde toda eternidade o Pai se conhece. Este pensamento é eterno, substancial, é a imagem de toda vida divina igual a sua origem. Eis a segunda pessoa, o Filho, o Verbo eterno. O Pai e o Filho eternamente se amam. Este amor é essencial, intemporal, é o Espírito Santo, Terceira Pessoa, que procede do Pai e do Filho.Cumpre, portanto, agradeder a Deus a graça que fez aos homens de revelar-lhes este mistério. Daí uma fé inabalável nesta verdade porque Deus mesmo a fez chegar até nós e a Igreja sempre a ensinou e a propôs como o primeiro e maior mistério da fé.
Cumpre, além disto, estar o cristão consciente de que é o templo da Santíssima Trindade. Nunca se recordam demais as palavras de Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremOS morada” (Jo 14,23). Eis por que se deve consagrar às três Pessoas da Trindade as três faculdades da alma: o entendimento, a memória e a vontade, que são de certo modo imagem deste mistério. O entendimento, intuindo nos acontecimentos e nas maravilhas espalhadas pelo mundo o poder e majestade do Ser Supremo. A memória, agradecendo continuamente tantos benefícios de cada instante.
A vontade ininterruptamente unida à vontade divina à qual se deve inteiramente aderir. Para isto nada melhor do que se lembrar deste hóspede lá no íntimo de cada um, saudando-o com o “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”! Nem se pode esquecer que o domingo é o dia da semana dedicado à Santíssima Trindade. Nele se rende a ela o melhor de todos os louvores que é o Sacrifício da Missa com os seus quatro fins. Culto latrêutico, isto é de adoração, pois ao Ser infinitamente poderoso, devemos prestar uma reverência total.
Instante de propiciação, isto é, de reparação. Deus somente é infinitamente perfeito. Todos os homens têm suas falhas, sendo algumas graves, outras leves. Que felicidade, entretanto para o cristão, pois apesar das fraquezas e negligências humanas, durante a Missa ele pode se purificar e oferecer ao Senhor Onipotente uma reparação cabal de seus erros. Momento eucarístico, ou seja, de ação de graças por tudo que se recebe do Deus Uno e Trino.
Instantes de súplica, pois a Missa é também uma oblação impetratória, a mais excelsa das preces. Por tudo isto à Trindade Santa toda honra e toda glória: “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do universo ”.
Diante do alvoroço com que as notícias que afetam a imagem da Igreja são divulgadas com grande sensacionalismo na Imprensa, é de bom alvitre que se tenha em consideração o caráter teândrico do Corpo Místico de Cristo. A Igreja é uma realidade divina e humana. Pio XII na Encíclica Mystici Corporis Christi explicava que, quando nesta Instituição se descobre algo que argüi a debilidade de nossa condição humana não há que se atribuir isto à sua constituição jurídica, senão à deplorável inclinação dos indivíduos ao mal, a qual o seu Fundador permite ainda nos mais altos membros da hierarquia eclesiástica, para que se prove a virtude das ovelhas e dos pastores e para que em todos nós se aumentem os méritos da fé cristã. Como dizia o Apóstolo Paulo, Jesus amou esta Igreja “e por ela se entregou a si mesmo para a santificar, purificando-a no batismo da água pela palavra da vida para apresentar a si mesmo esta Igreja gloriosa sem mácula, sem ruga ou coisa semelhante, mas santa e imaculada” (Ef 5, 24-27).
O divino que há na Igreja brilha, precisamente, com maiores fulgores no meio das sombras. Deus respeita sempre a vontade livre do homem. A melhor prova da indestrutibilidade da Igreja é, exatamente, o fato de que, apesar das múltiplas faltas dos homens, clero e fiéis, ela não pereceu e nem perecerá nunca. O próprio papa Adriano VI, em plena ofensiva luterana ordenou em 1522 a seu legado na dieta de Nuremberg: “Havereis de dizer: reconhecemos que Deus permitiu esta provação à Igreja por causa dos pecados dos homens, particularmente dos sacerdotes e prelados”. Muitas vezes se esquece que entre apenas doze Apóstolos um traiu vilmente a Jesus, o qual na hora de sua morte só pôde contemplar aos pés da Cruz, o evangelista São João. São Pedro que seria constituído Chefe de Sua Igreja, antes, O negou lamentavelmente diante das autoridades judias. Nos Evangelhos deparamos diversas recriminações do Mestre divino a seus discípulos. A própria Igreja mostra seu caráter teândrico ao rezar se dizendo “santa e pecadora”. Diante dos pecados cometidos pelos cristãos cumpre orar, e orar muito, para que Deus proteja a todos contra o Inimigo, como Jesus ensinou: “Não nos deixeis cair em tentação”. A verdade é que medidas disciplinares têm sempre sido prudentemente tomadas pelas autoridades da Igreja, através dos tempos, com muita firmeza, mas com suma caridade, diante de toda atitude condenável por parte de qualquer elemento do Clero. Ela jamais transigiu, condescendeu compactuou com a imoralidade seja ela qual for. É o caso, porém, de se dizer aos que se julgam impolutos, o que falou Jesus aos fariseus: “Quem dentre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra”.
Cumpre que se lembre o está no Salmo: “Se tiverdes em conta nossos pecados, Senhor, Senhor, quem poderá subsistir diante de vós?” (Sl 129,3). Que se oponha a virtude ao sensacionalismo rancoroso e odioso. Cumpre execrar o pecado e criar condições para que não haja o desprezo ao Decálogo, mas que cada ser humano procure primeiro, ele mesmo, estar de acordo com o Mandamentos sagrados da Lei divina. A virtude é mais luminosa que o vício. Quanta beleza há no jardim da Igreja, flores perfumadas com as ações mais gloriosas de santos eminentes. O erro e seus comparsas contam, porém, com as forças do mal para não dar ênfase ao que há de heróico na vida de milhares de batizados, leigos e Ministros ordenados.
A Igreja ensina que qualquer pecado pode ser perdoado se a pessoa se arrepender, se Confessar e mudar de vida. Também o pacto demoníaco. Veja o que diz o Catecismo:
§982. Não há pecado algum, por mais grave que seja, que a Santa Igreja não possa perdoar. “Não existe ninguém, por mau e culpado que seja, que não deva esperar com segurança a seu perdão, desde que seu arrependimento seja sincero.” Cristo que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado.
“O encontro é um passo para a contribuição da Igreja na luta contra o trabalho escravo no Brasil”. A afirmação é do bispo diocesano de Abaetetuba (PA), dom Flávio Giovenale, que participou da “Mesa de Diálogos da CNBB: Trabalho Escravo no Brasil hoje: O que fazer?”. O evento teve início nesta terça-feira, 23, e encerra no fim da tarde de hoje, 24, na Casa de Retiros São Boaventura, em Brasília.
O assessor da Pastoral Afrobrasileira da CNBB, padre Ari Antônio dos Reis, diz que o encontro é uma resposta à “chaga social do trabalho escravo” que ainda está presente no Brasil. Sobre isso, o assessor destaca o papel da Igreja para acabar com esse mal no país. “A Igreja, juntamente com a sociedade, tem o papel de superar esse mal em primeiro lugar compreendendo o que significa trabalho escravo hoje; em um segundo momento discutindo a repressão e o enfrentamento, ou seja, como a Igreja pode contribuir nesses dois aspectos, além de trabalhar a questão da reinserção dos trabalhadores que foram libertos do trabalho escravo”. Segundo padre Ari, a reinserção quer dizer que pessoas continuam vulneráveis e excluídas da sociedade e que, por isso, continuam a cair mãos do trabalho escravo.
O coordenador da Campanha da Comissão Pastoral da Terra (CPT) Contra o Trabalho Escravo, frei Xavier Plassat, destaca que o encontro é uma forma de aumentar o grau de mobilização da Igreja no Brasil no combate ao trabalho escravo. “A CNBB e a CPT estão nessa luta há muitos anos e foram elas que iniciaram esse trabalho há mais de 30 anos. Esse encontro vem reforçar essa presença da Igreja nesse espaço. Os bispos presentes no encontro significa que a Igreja continua a ter esse potencial de fazer pressão de ações e de acolhida a essa causa”.
O encontro contou com a participação de 10 bispos de nove estados do país onde o problema do trabalho escravo é mais acentuado, além de sacerdotes e leigos engajados na causa e especialistas sobre o assunto. Logo após o evento será preparado um documento com proposições de atuação da CNBB.
Fonte: http://www.cnbb.org.br
A cada dia intensifica-se um laicismo anti-católico no Ocidente, uma afronta a nossas raízes cristãs. No entanto, não percebemos uma reação forte por parte dos católicos. Podemos notar que também no Brasil o mesmo é crescente. A Igreja é colocada cada vez mais como a vilã da história e da sociedade, contrária ao progresso, etc. Tudo isso, porque tem a coragem de denunciar seu comportamento pecaminoso no que fere a lei de Deus, inscrita no coração de cada homem: aprovação ao aborto, a união legal de pessoas de mesmo sexo – com adoção de crianças -, manipulação genética de embriões – como se fossem seres descartáveis -, inseminação artificial, eutanásia, suicídio assistido, controle egoísta da natalidade, distribuição de camisinhas e de pílulas do dia seguinte aos jovens etc.
A Igreja Católica, que é a Lumem gentium (Luz dos povos) faz a Luz de Cristo brilhar nas trevas deste mundo, missão que o Senhor lhe confiou, mas as trevas gritam contra ela. “… a vida era a luz dos homens; e a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a compreenderam… Ele estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o reconheceu” (Jo 1, 4-10).
Em nosso Brasil, a maioria do povo diz ser católica, nossas raízes são católicas, nossa cultura e nossa tradição são católicas, mas esse povo infelizmente é quase analfabeto em doutrina, e muitas vezes alienado da realidade política e social; isso o deixa a mercê das seitas e de minorias que desejam implantar ideologias contrárias à fé da maioria. Esse povo bom, mas inculto, que na sua maioria não lê um jornal ou revista, e só se informa pela televisão, facilmente se deixa enganar até mesmo por um governo que propõe medidas ofensivas a moral católica, como acontece agora com o Plano Nacional de Direitos Humanos – 3, que é desumano. Este Plano, por exemplo, propõe a aprovação do aborto, do casamento de pessoas do mesmo sexo com adoção de filhos, a retirada dos símbolos religiosos católicos das repartições públicas, restringe a livre expressão das ideias, incentiva as invasões de propriedades alheias, limita a ação da justiça nas reintegrações de posse a seus legítimos donos, sugere a revisão da Lei da Anistia, ameaçando agitar a sociedade etc.
No entanto, em que pese toda manifestação dos bispos, a maioria da população católica parece ainda inerte, imóvel, omissa, como se nada estivesse acontecendo. Ou não toma conhecimento dos fatos ou o ignora de maneira alienante. Também grande parte do povo católico se satisfaz com o pão e o circo oferecidos pelo governo que age de maneira imoral. Esse povo não reage nem mesmo quando a fé católica é ofendida, a Igreja atacada, os sacramentos profanados, os santos ridicularizados e muitas vezes caricaturados, etc.
Estamos sofrendo uma guerra declarada. Já vivemos um martírio incruento, e não será surpresa se em breve se tornar cruento, também em nosso país, como acontece hoje na Índia, no Iraque, na Arábia Saudita etc., onde milhares de cristãos são mortos pelo simples crime de seguirem a Jesus Cristo.
Como unir e acordar esse povo católico, para que de maneira organizada e ordeira enfrente essa onda anti-católica que atravessa o mundo e também o Brasil?
As forças do ateísmo e do laicismo anti-católico atuam fortemente nas universidades, na mídia e nos movimentos sociais, que se apóiam o governo e se beneficiam de seus recursos. Infelizmente um segmento da Igreja, avesso à autoridade da Igreja, desobediente ao que vem da Santa Sé, favorece muitas vezes a rebeldia contra a própria Igreja e fortalece o laicismo. Pois “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir”. (Mt 12, 25).
Em nossa Igreja no Brasil, com uma desviada hermenêutica da chamada “opção preferencial pelos pobres”, acabamos abandonando os postos chaves na sociedade que outrora ocupávamos: as universidades, os laboratórios científicos, o mundo da cultura etc. Deixamos, assim, espaço aberto para que os marxistas pudessem fazer a cabeça daqueles que são hoje a cabeça da sociedade.
Infelizmente, não só no governo atual, mas também na Igreja, vemos o incentivo da política do “pão e circo”. Reunimos multidões de fiéis, lhe damos-lhes palavras bonitas – e tão vazias de conteúdo! -, algumas lágrimas e sentimentos à flor da pele. Muitos saem contentes, e tudo termina em nada… A profecia de Oséias é atualíssima: “Meu povo perece por falta de conhecimento” (Os 4,6). Já é hora de queremos deixar de contentar-nos com sermos cristãos superficiais. Precisamos dar-lhes alimento sólido, que os fortaleça na fé, tornando-a inabalável diante de qualquer contrariedade. O povo tem sede de verdade, mesmo que seja duro ouví-la. Chega de pregações adocicadas, que não dizem nada! Cristianismo não é poesia! Precisamos de cristãos totalmente informados pela fé, que a testemunhem por toda parte, e não somente nas sacristias de nossas paróquias.
É preciso levar o povo católico a conhecer a verdade, ser informado, e deixar de ser manipulado; este é o grande desafio atual. Pensamos que a Igreja é capaz de furar essa crosta que impede esse povo bom e desinformado de tomar conhecimento e participar da luta contra, por exemplo, esse PNDH, porque a mídia jamais vai fazer isso. Como diz Pe. Paulo Ricardo “há uma espiral de silêncio” que precisa ser quebrada.
Temos que unir forças. Voltar a conquistar estes meios. Construir uma rede com as pessoas boas – não só na intenção, mas com qualidade espiritual, humana, profissional – e organizar com inteligência nosso apostolado. Temos a firme esperança aí que não contamos somente com meios humanos, e, por isso, devemos ser audazes. Nesse sentido, não podemos esquecer que, antes de qualquer técnica de ação, devemos estar inteiramente unidos a Deus através de nossas armas sobrenaturais. Daí deve derivar, diante de tudo, um profundo otimismo, não ingênuo, mas espiritual, fruto da convicção de que com Ele nos tornamos onipotentes.
Os filhos das trevas são os que deveriam tremer diante de nós, pois nossas armas são muitíssimo mais eficazes. Além de todo auxílio sobrenatural – que nos torna infinitamente superiores nesta guerra -, temos nossos púlpitos – quantos brasileiros vão a Santa Missa dominical! -, temos vários meios de comunicação – TV, jornais, internet -, e contamos – apesar de tudo – com grande credibilidade por parte de nosso povo brasileiro: eles confiam na Igreja!
O que fazer de concreto? Além da luta pela santidade – que é o que mais conta – já que é o Senhor o protagonista dessa luta -, devemos estreitar nossa rede de contato. Tentar entrar mais nesses meios que possuímos. Mais encontros de formação, retiros para os intelectuais, universitários, cientistas, jornalistas para atingir o povo.
É urgente levar esse povo católico, em massa, a participar, escrever às autoridades, aos políticos, fazer manifestações organizadas e ordeiras; sim, esse povo que vai à Missa, a grupos de oração, que participa dos novos Movimentos e das novas Comunidades, que prega o Evangelho da salvação pelo Rádio, pela TV, pela internet, etc. Aqui entra, sem dúvida, o papel importante das televisões católicas. Enfim, é preciso uma ação unida, coordenada, de todos os católicos frente a tudo que estamos vendo de errado sobre bioética, corrupção, PNDH, etc.
É preciso envolver as realidades que querem ser fiéis à Igreja (Opus Dei, Regnum Christi, Comunhão e Libertação, Caminho Neocatecumenal, Cursilhos de Cristandade, Renovação Carismática, Equipes de Nossa Senhora, Serra Clube etc.) e Comunidades de Vida (Canção Nova, Shalom, Obra de Maria etc.), incluindo também as paróquias e dioceses; além dos políticos católicos. Revelar ao mundo a unidade transcendental da Igreja, que nos une por cima de toda diferença. “Nisto conhecerão que sois meus discípulos…” (Jo 13,35).
É claro que isso é algo difícil, muito difícil, mas se todos nos mobilizarmos no sentido de buscar essa união podemos fazer algo. Será preciso “grandeza de alma” para se colocar as exigências do Reino de Deus acima das nossas. Não adianta permanecermos entre nós com choros e lágrimas, como se fossemos uma “equipe de consolo mútuo”. Muita gente silenciosa está descontente com tudo isso; é preciso envolvê-los. Há muitos sites na internet que mostram isso. E esse é um instrumento poderoso de articulação hoje.
Os inimigos da Igreja estão articulados e as forças da Igreja estão esparsas; esse é o problema. Receamos que se não fizermos algo hoje, amanhã talvez seja tarde, e quem sabe as leis não nos permitam amanhã pregar contra a homossexualidade, o aborto, o sexo livre, … e tudo o que é contrário à lei de Deus.
Sabemos que a audácia dos maus se alimenta da omissão dos bons. Não podemos fugir deste mundo, e muito menos simplesmente condena-lo. Jesus disse que não veio para condenar o mundo, mas para salva-lo; a nós cabe fazer o mesmo.
Ao vislumbrar o terceiro milênio da cristandade, o Papa João Paulo II convocou os cristãos para “pescar em águas mais profundas”, onde se encontram peixes mais numerosos e maiores. João Paulo II e Bento XVI nos enviam para alto mar (“duc in altum”). E para isso é preciso estarmos preparados; o mar é bravio, podem surgir as tempestades a qualquer momento, ondas altas, vento forte, ameaçando virar a barca.
Não podemos mais ficar pescando na praia, com varinha de bambu, linha fina e anzol pequeno. A evangelização, a conversão de almas para Deus, não é um passa-tempo; mas uma missão árdua, que precisa ser cumprida com esmero: preparo e oração. Não é fácil arrancar as presas dos dentes do lobo cruel e assassino. “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).
Mas, é preciso também o preparo. Paulo VI disse que a mediocridade ofende o Espírito Santo. Deus está pronto para mover os céus para realizar o que está além da nossa natureza, mas não moverá uma palha para fazer o que depende de nós. Ele faz o grão germinar, mas jamais virá preparar o solo e nele lançar a semente: “O Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (Santo Agostinho, Sermo 15,1).
O Papa João Paulo II na memorável vigília da Solenidade de Pentecostes no ano de 1998, mostrou a grande responsabilidade que têm, neste sentido, os novos Movimentos e as novas Comunidades:
“No atual mundo, frequentemente dominado por uma cultura secularizada que fomenta e propaga modelos de vida sem Deus, a fé de tantos é colocada à dura prova e frequentemente sufocada e apagada. Adverte-se, portanto, com urgência a necessidade de um anúncio forte e de uma sólida e profunda formação cristã. Como existe hoje a necessidade de personalidades cristãs maduras, conscientes da própria identidade batismal, da própria vocação e missão na Igreja e no mundo! E eis, portanto, os movimentos e as novas comunidades eclesiais: eles são a resposta, suscitada pelo Espírito Santo, a este dramático desafio no final do milênio. Vós sois esta providencial resposta”.
O mundo expulsa Deus cada vez mais; o secularismo toma conta da cultura, da mídia, da moda etc., a chama da fé é cada vez mais apagada nos lares, nas escolas e nas oficinas. O Papa pede “uma sólida e profunda formação cristã”. Sem isso não será possível pescar em águas profundas. Sem um bom conhecimento da doutrina, do Catecismo da Igreja especialmente, não poderemos dar ao mundo “a razão da nossa fé” (cf. 1Pe 3,15).
O Papa pede também “personalidades cristãs maduras”, certamente não só sacerdotes e bispos, mas leigos preparados, capazes de adentrar aos muros às vezes adversos das universidades, cinema, teatro, música, artes, meios de comunicação, política etc.
Ao lançar a Igreja em direção ao novo milênio, o Papa João Paulo II fez mais um forte apelo: “Uma nova evangelização!”. Se ele pediu uma “nova” é porque a anterior envelheceu; não certamente no seu conteúdo, mas na sua forma. Ele pediu: “com novo ardor, novos métodos e nova expressão”. O que significa isso?
Novo ardor, certamente no fogo do Espírito Santo que tem suscitado os movimentos e as Comunidades que brotam a cada dia. Sem esse “fogo” do céu, não haverá nova evangelização. Façamos sim planos e reuniões, projetos e programas, mas sob o fogo do Espírito, sem o qual tudo não passará de letra morta. Quanto tempo e energia já se perdeu por falta desse ardor do Espírito!
Novos métodos é certamente o que temos visto nas Comunidades e Movimentos: uma evangelização com um jeito novo: nas casas, nos rincões, pelas rádios, TVs, jornais, revistas, encontros, seminários, adorações, acampamentos de oração e estudo… É a “Primavera da Igreja” como dizia João Paulo II.
Nova expressão, uma nova maneira de viver o Evangelho, não mais individualista, mas em grupo, em comunidade, comprometidos conjuntamente com o trabalho do Reino do céu, na fraternidade, na correção fraterna, no amor mútuo, no compromisso com Deus e com a Igreja, “cum Petro e sub Petro”.
Vemos assim que a Igreja acredita profundamente nas Comunidades e Movimentos novos, que precisam se preparar, como verdadeiras “Companhias de Pesca”, e se lançarem sem medo, em nome do Senhor, em águas mais profundas, e buscar os grandes peixes.
Uma questão que tem me preocupado nos meus anos de sacerdócio é a relação das crianças com a Igreja. Tenho percebido, a cada ano que passa, que o número de crianças que frequentam as missas tem diminuído. E não é só na nossa paróquia. Mesmo crianças inscritas na catequese não têm participado da Santa Missa. Tenho para mim que esta questão é muito mais séria do possa parecer, à primeira vista, para muitos pais. Apoiados em desculpas inúmeras, os pais tem deixado que suas crianças decidam se querem ou não ir às missas. Muitas vezes são pais bons, pessoas que têm sabido criar seus filhos de maneira exemplar em muitas áreas da vida, mas que tem deixado a área religiosa em segundo plano, como se esta fosse algo menos importante, da qual se pode abrir mão sem grandes prejuízos para as crianças. No entanto, podemos afirmar que, sem a dimensão religiosa, o ser humano cresce com uma deficiência imensa, cujas consequências serão desastrosas. De fato, muitos pais pensam que oferecer educação, saúde, afeto, lazer e outras coisas a seus filhos, excluindo a espiritualidade, bastaria. No entanto, a dimensão espiritual é fundamental para equilibrar as outras áreas do desenvolvimento humano. Cada vez mais estudiosos têm afirmado a importância da inteligência espiritual no equilíbrio da inteligência racional e da emocional. Mas, se não são oferecidas condições para o desenvolvimento da criança quando ela está em formação, como poderá depois, quando adulta, recuperar o tempo perdido? Como semear valores religiosos imprescindíveis em alguém que quase não tem contato com a fé? Quando vejo crianças (e são muitas!) que, mesmo em horário de missas específicas para crianças, estão pelas ruas brincando ou em frente às TVs ou passeando em sítios, fico muito preocupado, me perguntando se terão, algum dia, uma fé verdadeira, capaz de orientar suas vidas para o que Jesus ensinou. Sei que, muitas vezes, as crianças não vão à missa porque seus pais quase nunca vão. Dizem ter muita fé, mas é uma fé segundo sua cabeça, não seguindo o que ensinou Deus, que na Bíblia diz que o domingo é o dia do Senhor. Há pais que dirão que criança faz bagunça e incomoda as pessoas na missa. Quanto a isso, digo que se os pais forem conversando com elas em casa a esse respeito, elas saberão se comportar adequadamente nas missas. É claro que não se deve deixar a criança solta, fazendo o que quer na igreja, mas também não se pode esquecer que são crianças e não se pode esperar que se comportem como adultos. Se queremos jovens longe de caminhos perigosos; se queremos adultos equilibrados, pessoas de bem, capazes de fazer de sua vida algo belo, devemos dar às nossas crianças o direito de conhecer Jesus e seus ensinamentos, enquanto ainda são crianças. Que Deus abençoe a todos.