VIRTUTEC: Tecnologia em Informática e Serviços
RCC Viçosa – Renovação Carismática Católica de Viçosa
Blog Católico
Livro:
Capítulo:
Ler Capítulo

Denis Duarte no podcast da Redação Canção Nova

Denis Duarte
Licenciado em Letras - UFV; Especialista em Bíblia - UNESP; e Mestrando em Ciências da Religião - UNESP
E-mail: denisufv@yahoo.com.br
Site: http://www.denisduarte.com/


A criança é o princípio sem fim…


“A criança é o princípio sem fim. O fim da criança é o principio do fim. Quando uma sociedade deixa matar as crianças é porque começou seu suicídio como sociedade. Quando não as ama é porque deixou de se reconhecer como sociedade” Herbert de Souza.

doutores-da-alegria02

Esta citação foi retirada do livro Infâncias, cidades e escolas amigas das crianças; o autor é Euclides Redin, ex professor da Universidade Federal de Viçosa, grande educador que traz uma proposta baseada na busca pelo resgate do processo criativo da criança como condição de humanização. A educação é um processo contínuo de vida.

O mais interessante é que ao se tratar do processo de humanização, deseja-se que nossas crianças tenham espaços e tempos carregados de dignidade, respeito, ternura e aconchego, “porque é de infância que o mundo tem precisão” (Thiago de Mello, 1964, 34).

Só poderá haver realização humana se considerarmos todas as possibilidades do fazer, do sentir, do pensar, do criar e do transformar produzidos com base na sociedade e cultura. E aqui poderíamos nos perguntar: Qual têm sido concretamente as possibilidades para o crescimento sadio de nossas crianças? Como elas têm sido tratadas nos mais variados âmbitos de suas vivências? Uma vez que estamos assistindo cada vez mais a violência física e emocional para com elas, em todos os níveis econômicos. As crianças têm sido desrespeitadas na mais tenra idade.

Se olharmos a Palavra de Deus encontraremos duas passagens importantes que apontam nessa mesma direção: Jesus ordenou que devemos deixar as crianças irem ao seu encontro, pois o reino dos céus é semelhante a elas (Mc 10, 13); disse ainda que só àqueles que se fazem como pequenos é que o Pai se revela (Lc 10, 21). Eis aí uma expressão forte de quem realmente tem amor e zelo pelos pequenos.

Por acreditarmos no amor concreto e cuidadoso de Jesus, é que a proposta do Projeto Caminhar tem procurado expressar a busca de alternativas para auxiliar os pequenos carentes de amor e atenção, se constitui também como um ato político que vê na sociedade, condições concretas para o desenvolvimento das possibilidades múltiplas das crianças e de suas culturas, no sentido de superar as injustiças da realidade.

Se é de infância que o mundo tem precisão é, portanto, de extrema urgência que busquemos alternativas coletivas e individuais para que o mundo caminhe numa direção contrária ao risco imediato de envelhecimento sem infância.

Como adultos, somos convocados a responder de forma diferente ao que está explícito na atualidade de nosso país, nos reconhecendo como sociedade e mais ainda, como cristãos, pessoas que acreditam em um Deus vivo presente na vida dos irmãos; são as crianças seres especiais, futuro do nosso mundo, não é possível permitir que cresçam tão marcadas a ponto de reproduzirem o que a elas tem sido feito.

Rezemos, ajamos, gritemos em favor dos menores, não podemos deixar morrer nossa sociedade, não podemos deixar de acreditar num mundo melhor, os pequenos de hoje são os adultos de amanhã e são queridos e amados do Senhor.

“Os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sonho das crianças deseja ir (às vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso…)” (Cecília Meireles).

Entrevista com Padre Paulo Dionê Quintão

Padre Paulo Dionê Quintão
Pároco do Santuário Santa Rita de Cássia. Jubileu de Prata Sacerdotal 1984 - 2009
E-mail: santuariosrc@lince.tdnet.com.br
Site: http://www.rccvicosa.com
Flaviane Ferreira

Paulo Dionê Quintão – Sacerdote católico, pertencente ao Presbitério da Arquidiocese de Mariana, MG, onde atuou como Vigário Episcopal e membro dos Conselhos de Pastoral e Presbiteral da Arquidiocese. Atualmente exerce seu ministério como Pároco de “Santa Rita de Cássia”, em Viçosa, MG. Escritor e poeta, com duas de suas obras já publicadas, “Mensagens de Vida e Esperança”, Brasília, CNBB, 1994 e “Juntos no Caminho”, São Paulo, Edições Loyola, 1999. Nasceu aos 19 de março de 1958, em Abre Campo, MG, sendo seus pais Sebastião Quintão Filho e Ambrosina Mendes Quintão.

Auto-descrição

Uma alegria: Ser cristão, católico e sacerdote.

Uma tristeza: O tanto de gente que ainda não conhece Jesus Cristo, no sentido de amá-Lo e seguir seus ensinamentos.

Livro de Cabeceira: A Palavra de Deus.

Expectativas para o futuro: Doar tudo de mim a Cristo, por meio de Sua Igreja, a começar dos mais desprezados e esquecidos.

A Paróquia: Continuo feliz e agradecido a Deus pela oportunidade de servir, por meio do Ministério Sacerdotal. Muito tem sido feito. Haveremos dar continuidade e fazer ainda mais, pois o Senhor Nosso Deus merece que nos doemos inteiramente a Ele na pessoa de cada irmão e irmã que ele congrega na estrada de nossa História.

Mensagem: Agradeço muitíssimo à RCC de Viçosa pelo carinho e amizade que temos cultivado. Sempre avante na Evangelização. Que a Santíssima Virgem Maria cubra a todos com o Seu manto de amor materno, São José e Santa Rita de Cássia nos protejam sempre!

RCC Viçosa: Quais os projetos que já foram realizados e os que pretende realizar para a ação social em Viçosa?
Padre Paulo Dionê Quintão: Assumi a missão de Pároco em Viçosa no dia 26 de agosto de 2003. Cheguei aqui com o propósito de levar adiante as conquistas positivas da longa e bela História da Paróquia Santa Rita de Cássia. Trouxe a expectativa de desempenhar a tarefa que me foi confiada em comunhão com o Bispo, com o Presbitério, em fraterna comunhão e intensa colaboração com as Religiosas e com os Fiéis Cristãos Leigos de nossas comunidades, dimensões, pastorais, movimentos, irmandades, associações e demais organismos da ação evangelizadora. Penso que a missão continua a mesma, pois compete ao Presbitério da Arquidiocese, em intima colaboração com o seu Pastor, o arcebispo, a solicitude por esta porção do Povo de Deus que se encontra na Igreja Particular de Mariana. Neste sentido, o Plano de Pastoral Arquidiocesano é o fio condutor desta unidade, pois o construímos juntos, à luz da Palavra de Deus e do Magistério Eclesiástico.

Neste espírito de comunhão e participação, procurei dedicar-me à articulação da Pastoral da Criança e do Menor, criando o CENTRO DE CONVIVÊNCIA ao lado do Santuário, com extensão no Edifício Padre Carlos e núcleos de apoio nos bairros. Conseguimos expandir este trabalho de 47 crianças cadastradas para perto de duas mil. Além das crianças de zero a seis anos, temos a Pastoral do Menor, que atende perto de 380, (trezentos e oitenta), menores. Para este trabalho, contamos com dezenas de voluntários (as) e educadores (as). No dia 19 de fevereiro de 2009, concretizamos um grande sonho da comunidade: inauguramos o CENTRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL SANTA RITA DE CÁSSIA.

Intensificamos a ação da Pastoral Carcerária, com voluntários e oferta de material de limpeza, higiene pessoal, etc. para atender os 131, (cento e trinta e um), internos do Presídio Bom Jesus. Abraçamos a causa da APAC – Associação de Proteção e Assistência aos Condenados, que acolhe 41 recuperandos na antiga Cadeia, dando-lhes total assistência, ao lado da Diretoria e do voluntariado que abraça esta causa.

RCC Viçosa: Quando aqui chegou, quais as dificuldades encontradas? Como a população viçosense o recebeu?
Padre Paulo Dionê Quintão: Fui acolhido em Viçosa com um carinho indescritível. Não encontrei nenhuma resistência, somente apoio e interesse intenso por parte de todos. As dificuldades encontradas estão ligadas à extensão da Paróquia, abrangendo inúmeros bairros urbanos e rurais. Vi que seria impossível dar o acompanhamento pastoral necessário. Com o apoio de todos, elaboramos o projeto do desmembramento do território paroquial, criando, a 19 de fevereiro de 2005, a quarta paróquia em Viçosa, denominada Paróquia São João Batista. De lá até aqui facilitou imensamente o aperfeiçoamento dos serviços pastorais.

RCC Viçosa: Hoje o mundo está passando por vários momentos difíceis, como guerras, terremotos, fome, miséria. Qual seria a reação da Igreja para ajudar a solucionar estes problemas?
Padre Paulo Dionê Quintão: A Igreja não se deixa vencer por quaisquer abalos que afetam a humanidade, pois cremos que a vida não é só aqui. Com este pensamento multiplicamos todas as iniciativas possíveis para alterar o quadro ameaçador. Defendemos o respeito à natureza, iluminando a ecologia com a ética cristã, pregamos e insistimos no perdão na reconciliação e na harmonia entre os povos, vencendo os conflitos, pois nada justifica a guerra. Lutamos pela justiça social, pois sua ausência tem causado verdadeiras guerrilhas, por exemplo, o narcotráfico. Para superar a fome e a miséria, lutamos pela partilha e assim o fazemos, procurando viver uma vida modesta, sem ambições financeiras, praticando a partilha, por meio da pastoral do dízimo e a ação social no resgate da dignidade da Pessoa Humana.

RCC Viçosa: Quais as obras que já foram publicadas? Em que se baseiam suas obras?
Padre Paulo Dionê Quintão: Tive a alegria de publicar duas obras:
- “Mensagens de Vida e Esperança” – Brasília, editora da CNBB, 1994.
- “Juntos no Caminho” – São Paulo, edições Loyola, 1999.
- Trata-se de uma coletânea de crônicas e poemas ligados aos temas reflexivos, com mensagens positivas e narrativas de eventos.

RCC Viçosa: Qual a mensagem que gostaria de deixar para a população de Viçosa?
Padre Paulo Dionê Quintão: Agradeço a fraterna acolhida, concedendo-me inclusive a Cidadania Honorária. Recordo, com alegria, a mensagem do Evangelho de Lucas, capítulo 5, versículos 11 e seguintes: Duc in altum! Faze-te ao largo! É hora de lançar novamente as redes. Desta vez em águas mais profundas. Por que não? Alguma vez foi fraca a pescaria? Mesmo assim, é hora de obedecer ao Senhor, como fizeram os discípulos no lago de Genezaré. Por certo o resultado será surpreendente! O brilho nos olhos de alguém que estava triste, a esperança devolvida a quem estava caído… Tudo vai manter nossa chama interior acesa, pois estabeleceremos longos e profundos diálogos com o Senhor, pois somos uma Igreja que vive da Eucaristia.

Proponho a continuidade da caminhada, seguindo as diretrizes da Igreja. Cuidando de tudo que nos compete a todos. Abraçaremos sempre mais o que nos inspira o clássico capítulo 25, versículos 35 e seguintes, de Mateus, referindo-se ao “Juízo Final”, quando Jesus se identifica com todos necessitados: “Estive com fome, nu, preso, doente… e você veio me socorrer” e em João 10,10: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente”, dando maior consistência à ação social. A expansão do voluntariado, o apoio às obras sociais nos bairros e comunidades será a grande razão para cada um dos colaboradores perguntar: em que eu posso ajudar?

Clique aqui para ver o Curriculum Vitae do Padre Paulo Dionê Quintão

Sínodo aprova Mensagem Final sobre A Palavra de Deus

Foi apresentada e votada a Mensagem Final do Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. O presidente delegado do 21ª Congregação Geral foi o cardeal William Joseph Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

“É uma mensagem que encomendamos, antes de tudo, a vossos pastores, aos generosos catequistas e a todos aqueles que lhes guiam na escuta e na leitura amorosa da Bíblia”, afirmam os bispos na mensagem.

“A vocês neste momento desejamos delinear a alma e a sustância desse texto para que cresçam e se aprofundem o conhecimento e o amor pela Palavra de Deus”, acrescentam. A íntegra da mensagem pode ser encontrada em diversos idiomas no Site do Vaticano (para ler em espanhou, acesse: www.vatican.va

Ainda na 21ª Congregação, os padres sinodais receberam uma reprodução do DVD “Bíblia Viva”, escrito e dirigido por Massimo My e produzido por Maria Teresa Tringali, com a supervisão de dom Gianfranco Ravasi e o patrocínio do secretário-geral do Sínodo dos Bispos, dom Nikola Eterovic.

“Bíblia Viva” narra a história de uma experiência de um grupo de crianças que buscaram entender como Deus tem falado ao homem durante os diferentes séculos e como atualmente continua a falar por meio dos textos sagrados, antigos e atuais. O filme é direcionado especialmente ao público jovem, mas também para os adultos.

Fonte: www.cnbb.org.br

Morrer De Garrolê

Denis Duarte
Licenciado em Letras - UFV; Especialista em Bíblia - UNESP; e Mestrando em Ciências da Religião - UNESP
E-mail: denisufv@yahoo.com.br
Site: http://www.denisduarte.com/
Padre Paulo Dionê Quintão

Nesse texto quero conversar com você sobre vermos a Bíblia como literatura.

A princípio parece uma coisa óbvia, já que a Bíblia é um livro, ou melhor, uma coleção de livros e os livros, claro, são para serem lidos e por isso é mais do que óbvio que temos que entender a Bíblia como literatura.

Só que, quando se trata das Sagradas Escrituras, nem sempre a coisa é simples assim.

Até porque, a Bíblia é para nós a palavra de Deus. E por ser palavra de Deus, a Igreja a venera profundamente.

O que acontece muitas vezes é que muitas pessoas entendem de modo equivocado o fato de termos a Bíblia como Palavra de Deus para nós e de veneramos a Bíblia como tal e acabam, por causa de um respeito às vezes fora da normalidade, tendo medo de ler a Bíblia.

Eu acho bacana quando chego numa casa e a Palavra de Deus está aberta, geralmente num lugar de destaque na casa. A pessoa tem aquela Bíblia grande, ilustrada e coloca na sala, aberta, bem bonito. E é importante isso, dar destaque para a palavra de Deus, a Igreja nos incentiva a isso.

Mas muitas pessoas ficam com medo ou respeito excessivo e não a lêem. Por isso quero comentar sobre a Bíblia como literatura.

Para ficar mais fácil vamos separar as palavras: Bíblia e Sagrada.

Bíblia significa um conjunto de livros. E como já dissemos, livro é para ser lido. Ato humano.

E a outra palavra: Sagrada, segundo o dicionário é algo relativo às coisas divinas, algo santo, separado. Ato divino.

Percebemos aí o que Deus quer: a união do divino com o humano.

Na composição da Bíblia Sagrada temos no momento da redação dos livros, a mão humana, mas também, e principalmente, a inspiração divina que é o que torna a Bíblia algo sagrado para nós. Temos aí essa junção do ato humano e da ação divina.

Fazemos o que cabe a nós no ato humano da leitura dos textos e Deus a dele ao nos enviar seu Espírito Santo que nos ilumina e encaminha nessa leitura.

A Igreja nos ensina que a graça de Deus é oferecida a todo ser humano, mas que para produzir seu efeito é necessário que haja a cooperação humana. É o que a Igreja chama de livre adesão do homem à graça de Deus.

Assim também o é com a Bíblia. Para que a Palavra de Deus, em toda sua sacralidade, para que o ato divino aconteça em nós, precisamos realizar o ato humano da leitura dos textos.

E nesse artigo queremos dar algumas dicas desse nosso ato humano da leitura ao estudarmos a autoria bíblia, as formas literárias da bíblia e tudo mais. E dessa maneira, ao exercermos melhor nosso ato de leitura, nós nos tornamos mais abertos à graça de Deus que vem até nós nas Sagradas Escrituras.

E claro, para encerrarmos não podia deixar de contar um causo lá das minhas Minas Gerais né não?

É igual aconteceu lá em Minas: A vó de um amigo meu viu esse camarada lendo um livro e disse assim para ele: Menino pára de ler esse trem que cê vai morrê de “garrolê”.

Aí ele assustou e perguntou pra vó dele: que isso vó, que diacho é esse negócio de garrolê, que doença é essa?

Uai menino, cê acabou de almoçar, tá com a barriga cheia e garro a lê esse livro. Vai passá mal. Lê de barriga cheia faz mal. Garro Lê!!! Ou seja, pegou para ler o livro.

Precisamos agarrar à leitura da Bíblia. Ter um garrolê de Bíblia