Tempo de travessia…

Os convido, ao final desse mês, a tratarmos de uma pequena palavra que, segundo o dicionário, significa “ação de atravessar uma região, continente, mar etc”. Pois bem, falemos sobre a travessia, mas, sobretudo, reflitamos sobre nossa ação de atravessar.

Auxiliados pela Palavra de Deus tomemos um de seus trechos que nos diz que um dia Jesus tomou consigo alguns de seus discípulos e deu-lhes a seguinte ordem: “Passemos para o outro lado” (Mc 4, 35-37), ao que sem questionar obedeceram. Importa dizer, ainda, que o evangelista Marcos afirma no referido trecho, que levaram Jesus com eles na barca.

Primeiramente, vamos nos deter à ordem de Jesus: “Passemos para o outro lado”. Ao ler esse trecho fui fazendo uma analogia com nossa própria vida que seria, então, essa barca, na qual entramos e que, também, comporta Jesus. De fato, um dia Jesus nos chamou e nos forneceu um barco (nossa vida), nos ordenando, igualmente, a passarmos, com Ele para o outro lado.

Mesmo que, por vezes, nos esqueçamos, nós também nos encontramos em travessia para o outro lado, ou seja, pelo tempo que for (10, 50, 100 anos ou mais), estamos todos de passagem por aqui, em travessia, pois somos “cidadãos dos céus” (Fl 3, 20). Isso mesmo! Aqui não é o nosso lar! Vamos pensar um pouco mais sobre isso? Como temos vivido então, a nossa travessia?

Se aqui não é o nosso lar definitivo por que é que, por tantas vezes, nos apegamos tanto a essa morada e ao que, aqui, vivemos? Prendemo-nos a coisas, cargos, a pessoas, fatos, amores e rancores etc. como se todas essas coisas tivessem um fim, em si mesmas; como se tudo começasse e terminasse aqui.

E ainda, será que temos compreendido, por exemplo, as bonanças (tempos tranquilos), assim como as tempestades que agitam nosso barco (vida), como passageiras? Mesmo que, em muitas horas, as tormentas que lançam as ondas dentro de nossa barca pareçam eternas e com poder para afundá-la, lembremo-nos que isso tudo vai passar. Lembremos, ainda, de algo melhor: Jesus subiu conosco no barco de nossa vida, portanto, ele não afundará! Os tempos tranquilos, assim como as tempestades apenas fazem parte dessa travessia. O nosso destino, todavia, é o outro lado.

Por fim, ao encerrarmos nossa partilha desse mês respiremos fundo e peçamos a Deus a graça de enxergar Jesus conosco em nosso barco. Agindo assim, nada nos deterá em nossa travessia, pois reconheceremos que aqui, definitivamente, não é o nosso lar!

Claudete de Freitas
Coordenadora da RCC Viçosa