E eu? Desejo outro rei?

Nossa reflexão de hoje será inspirada no texto que se encontra em I Sm 8,4-22, em que o povo de Israel vai até Samuel e lhe pede um novo rei. Eles não mais queriam submeter suas vidas ao reinado de Deus. Olhando assim, talvez nos assustemos e, quem sabe, até pensemos: “Que absurdo, estão rejeitando a Deus”! Mas, e eu? Como tem sido a minha relação com o Rei?

Buscando refletir sobre esse pedido, assim como sobre nossa própria postura, inicialmente, vemos que Israel pedia por um rei como as outras nações o possuíam. Alguém que os julgasse, marchasse à sua frente e fosse seu chefe na guerra… Porém, tudo isso Deus já fazia por eles!

Por exemplo, se voltarmos ao capítulo anterior, veremos que foi pelo poderoso braço de Deus que eles venceram uma árdua batalha contra os Filisteus. Entretanto, Israel não conseguia ver isso! Limitava-se, assim, a pedir um rei que pudesse ver com seus próprios olhos.

A cegueira os impedia de reconhecer que era Deus quem os conduzia e protegia. Quem abençoava seus esforços, para que colhessem bons frutos, quem os fortalecia e os fazia vencer, dia após dia.

Do mesmo modo, sinto que se dá conosco, em nossos tempos… Nossa caminhada, tendo Deus como Rei, implica, igualmente, em uma postura de fé. Mesmo sem vê-Lo, fisicamente, à frente de nossas batalhas e a nos prover o necessário, fato é que: Ele está lá!

Porém, e quando as coisas não saem como planejado? Quando os rumos da vida mudam, quando há enfermidade ou, então, o tempo de Deus parece ser diferente do nosso… Diante desses e de tantos outros cenários possíveis, será que, também, eu não tenho desejado outro rei?

Por meio desta e de tantas outras passagens bíblicas somos chamados a crer que acolher o reinado de Deus, em nossa vida, pressupõe assumir que ela não é regida pelo acaso. Que as coisas não acontecem porque tem que acontecer. Ao contrário, por trás de tudo o que vivemos, podemos encontrar Deus, pois até mesmo do mal, Ele pode tirar um bem. Que antes mesmo de nos levantarmos Ele nos abençoa para um novo dia e, não só nos abençoa, vai conosco!

Um dia ouvi uma música que me marcou muito, ela dizia: “Se Deus fizer, Ele é Deus; Se não fizer, Ele é Deus; Se a porta abrir, Ele é Deus, mas se fechar continua sendo Deus…”. Enfim, Deus é, e continuará sendo, Deus, independentemente, dos acontecimentos.

Sendo assim, mesmo sendo difícil, às vezes, viver na prática essa realidade de fé voltemo-nos, hoje, para o Senhor e Lhe reafirmemos nossa submissão ao Seu reinado. Afinal, é Ele quem pode nos livrar das mãos dos que nos oprimem. Ele é o guarda de nossa vida! Portanto, digamos juntos: Bendito seja Deus, o nosso, o meu Rei!

Claudete de Freitas
Coordenadora da RCC Viçosa