Evangelho da Semana (João 10,27-30)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!


Naquele tempo, disse Jesus:
27“As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão.
29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz”.

É essencial ao nosso coração sermos lembrados a cada momento que não pertencemos a nós mesmos. Como diz São Paulo, “quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rom 14,8).

Às vezes, determinados acontecimentos em nossas vidas geram em nós a sensação de solidão, como se estivéssemos sozinhos e os nossos passos não nos levassem a lugar nenhum. Contudo, quando Jesus, tão carinhosamente, se refere a nós, dizendo que somos suas ovelhas, isto nos dá a certeza de que nunca estamos sozinhos, nem nunca estaremos, porque Jesus nos recebeu das mãos do Pai e nos assumiu na vida dele, a ponto de ouvirmos de seus lábios que ninguém poderá nos roubar de suas mãos.

Se pertencemos ao Senhor, porque foi Ele quem nos criou e nos preserva por amor, tudo o que nos acontece tem um sentido e um objetivo: levar-nos sempre mais para perto de Deus que nos ama, e que tem para nós plenitude de vida.

Para ouvir a voz do pastor é necessário conhecê-lo, não apenas com a inteligência, à luz da razão, mas sobretudo com o coração; ouvi-lo, não com os ouvidos humanos, mas com alma contemplativa, voltada para a obra de salvação por Ele realizada a nosso favor, desde a sua encarnação, passando pela vida, paixão, morte e ressurreição, deixando-nos, ainda, sua promessa de que estaria conosco todos os dias, até o final dos tempos (Mt 28,20).

Refletindo sobre estas verdades, concluímos aliviados: não estamos sós. Deus me ama, e, em Jesus, encontro a vida que não é ausência de dor e de sofrimento, mas garantia de paz, porque tenho um pastor que se importa comigo, que me toma pela mão e me guia às fontes de águas puras, restaurando as forças de minha alma (Salmo 22).

Precisamos estar atentos às oportunidades que o Pastor nos concede para ouvirmos sua voz: Ele está sempre a nos falar: nos encontros de espiritualidade, nas homilias, nas leituras bíblicas, na vivência dos sacramentos, na oração pessoal e, ainda, de muitas outras formas. Ouvir a sua voz e segui-lo é condição primordial para estarmos seguros em suas mãos, e podermos permanecer de pé, mesmo quando os ventos forem contrários, porque, conforme São Paulo, “sabemos em quem depositamos nossa confiança” (II Tim 1,12).