Evangelho da Semana (João 3,14-21)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!


Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 14“Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.

17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.
18Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.
19Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más.
20Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. 21Mas, quem age conforme a verdade, aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

A profanação do Templo de Jerusalém com o comércio feito de exploração dos pobres esgotou a paciência de Jesus. O gesto de colocar para fora do recinto sagrado os comerciantes e os cambistas partia da compreensão do quanto a imagem de Deus estava sendo deturpada.

No entender de Jesus, a casa do Pai deve ser casa de amor e de acolhida, onde os filhos vêm escutar a Palavra para depois colocá-la em prática.

Todavia, em vez de lugar de oração, o Templo havia se tornado um lugar de comércio e exploração do povo piedoso. O culto no Templo, com o acesso de multidões de peregrinos durante o ano, era fonte de riqueza para o comércio em Jerusalém e, principalmente, para os chefes religiosos que cuidavam da administração do Templo, pois recolhiam imensos valores oriundos da venda de animais destinados ao sacrifício pelos pecados cometidos pelo povo. Os cambistas eram funcionários que trocavam as moedas “impuras” do comércio profano por moedas “puras” do dinheiro do Templo, com ganho considerável para a caixa deles, isto às custas do sacrifício de quem, muitas vezes, não tinha nem o suficiente para o seu sustento.

Jesus veio nos ensinar que a presença de Deus entre homens e mulheres não se dá necessariamente no templo, construção feita de pedras e tijolos, mas no Templo que é o Seu próprio corpo, e em todos aqueles que, fazendo a vontade do Pai, no serviço e na partilha, com amor e misericórdia, são também moradas de Deus.

Pela conversão, aderimos ao Deus encarnado, humano como nós, frágil e passível de morrer em uma cruz, fiel à sua missão de revelar ao mundo o mandamento do amor que supera e leva à perfeição os antigos mandamentos da Lei de Moisés.

Quando Jesus ordena aos cambistas e vendedores de pombas: “não façais da casa de meu Pai um mercado”, Ele quer também nos alertar para o perigo de entulharmos o nosso coração, que é Templo do Espírito Santo (ICor 6,19), com preocupações exageradas referentes a coisas que passam, esquecidos de nossa opção fundamental que precisa ser o conhecimento de Deus que é amor (IJo 4,16).

Senhor, ajuda-nos a fazermos, nesta quaresma, uma boa limpeza no Templo que somos cada um de nós, abrindo mão de todo comportamento e atitude que nos fazem ficar distraídos, insensíveis aos valores do Reino. Que as portas do nosso coração estejam sempre abertas para acolher os ensinamentos que nos vem por meio de Sua Palavra, e que não deixemos passar em vão os momentos de graças que o Senhor nos concede para uma verdadeira mudança de vida e crescimento no amor. Amém!