A infância de Agostinho

Santo Agostinho, Bispo, Padre e Doutor da Igreja

O norte da África, também conhecido como África branca é composta pelos países: Egito, Sudão, Líbia, Marrocos, Argélia, Tunísia, Mauritânia e Saara Ocidental. Nestes países a religião predominante hoje em dia é mulçumana e a língua mais falada é o árabe. O norte da África é conhecido como África branca, muito pelo predomínio da população árabe naquele local. Esse povo chegou ao norte do continente durante o processo de expansão do islamismo, que tinha como objetivo difundir a fé muçulmana.

Agostinho cresceu na África do Norte com fortes influências dos romanos, tanto na língua como no aspecto cultural e religioso. Filho de Patrício e Mônica. Nasceu em Tagaste, Tunísia, no dia 13 de novembro de 354 d.C e viveu 76 anos, morrendo em Hipona, Argélia.

Quando tinha 17 anos foi para Cartago para estudar Direito, no entanto se encantou com a literatura e acabou se formando mesmo em Literatura. Cartago era originariamente uma colônia fenícia, situada na Tunísia. Foi uma potência na Antigüidade, disputando com Roma o controle do mar Mediterrâneo. Cartago, no entanto, foi destruída por Roma depois das três Guerras Púnicas (149 a.C. – 146 a.C.). Porém, aproximadamente um século antes de Cristo, Caio Júlio César e Otávio Augusto reconstruíram Cartago como colônia de Roma. Cartago, novamente, adquiriu grande prosperidade e sua população cresceu a ponto de se tornar a quarta maior cidade do Império Romano.

Agostinho morou, estudou e deu aulas em Cartago, até os seus 29 anos de idade.

Assim que ele se formou, ele voltou para Tagaste para dar aulas, porém não chegou só, levou junto uma esposa e um filho. Muito elétrico, não conseguiu ficar muito tempo em Tagaste, então voltou para Cartago. Depois foi pra Roma, capital da Itália e passou também por Milão, onde deu aulas de retórica. Agostinho ficou aproximadamente cinco anos na Europa, depois voltou para África, onde ele passou a maior parte de sua vida (Tagaste e Hipona são os dois lugares chave da existência de Santo Agostinho).

A história de Santo Agostinho marca o século IV com sua figura de bispo de Hipona. O interessante é que Agostinho só foi batizado em 387 em Milão, ou seja, com aproximadamente 33 anos. Ele foi ordenado sacerdote e bispo em 394. Sua atividade de pastor e pregador foi determinante para a vida das igrejas na África do Norte.

A infância de Agostinho

A vida religiosa de Agostinho não era fácil. Não existia, para Agostinho, uma identidade religiosa clara em sua casa. Seu pai Patrício era pagão enquanto que sua mãe Mônica era cristã. A mãe de Agostinho Mônica se tornaria mais tarde santa da Igreja Católica.

“Meu pai era, por um lado, muito benigno e amoroso; por outro, muito iracundo e colérico. Quando minha mãe o via irado, tinha o cuidado de não lhe contradizer nem por atos, nem por palavras. Depois, quando a ocasião lhe parecia oportuna e, passado aquele aborrecimento, o via sossegado, então lhe mostrava como tinha se irritado sem refletir” (Conf. IX 9, 19)

Como já dito, Agostinho não foi batizado logo que nasceu, pois existia uma cultura na África do Norte, naquela época, que dizia que era melhor batizar as pessoas mais velhas para que a água do batismo lavasse todos os pecados vividos pela pessoa até aquele momento. Ele foi batizado aos 33 anos. Dá pra perceber então, que isso aconteceu muito pelo motivo de ele viver nesta cultura, e não por qualquer outro motivo, mesmo porque Mônica era uma cristã católica fiel aos costumes da Igreja local.

Agostinho tinha pelo menos dois irmãos (Navigio, que se converteu junto com Agostinho, e uma irmã, Perpétua, que se casou, ficou viúva e tornou-se superiora do mosteiro de Hipona).
Agostinho era muito ativo em sua infância e costumava encabeçar as “turmas” de amigos. Mônica, sua mãe, sempre conversava com ele sobre Deus, ensinava que Jesus era o Salvador e que tinha morrido para livrar-nos dos nossos pecados. Ela tentava de todas as formas introduzir o pequeno Agostinho na Igreja e na fé cristã, mas era difícil para Mônica pedir fé para uma criança cujo pai era pagão, no entanto ela nunca desanimou, além disso, possuía o dom da persuasão: suas palavras, suas imagens, tinham uma força sedutora tão grande que, dificilmente, se podia esquecer. Com certeza, os ensinamentos de Mônica ao seu filho Agostinho ficaram no coração dele por toda infância e adolescência. Esse tipo de ensinamento dificilmente a pessoa esquece, ela pode até não por em prática, mas no fundo do coração está guardadinho.

Como já mencionado, Agostinho era professor de literatura, porém na sua infância ele detestava ir à escola e, com isso, sempre ficava de castigo. Todo dia antes de ir para escola Agostinho rezava: “Ó, meu Deus! Não deixe que eu seja castigado hoje na escola”. Fica claro então, que na infância Agostinho não era espelho para ninguém. Ele chegava a enganar seus professores e pais cometendo inclusive alguns atos nada recomendáveis, como por exemplo, furtos.

Agostinho não ficou muito tempo estudando em Tagaste. Ele foi para Madaura, uma cidade vizinha de Tagaste. Já em Madaura, onde foi para estudar gramática, vivia em um ambiente totalmente diferente ao que estava acostumado em sua casa com sua mãe e, com isso, afastou-se de seus ensinamentos esquecendo-se de Jesus e do seu amor.

Infelizmente em Madaura não havia professores de retórica (Agostinho era apaixonado por retórica) e por isso não pôde continuar em Madaura depois de terminar os estudos de gramática voltando, assim, para Tagaste, onde ficou parado, sem ir à escola. Deste modo, com todo esse tempo ocioso, Agostinho começa a sua vida de vícios e prazeres da carne, e foi só “descendo ladeira abaixo”.

Entretanto, sua mãe nunca desistiu dele. Sempre em oração, ou então dava conselhos e tentava também colocar seu filho no caminho reto, todavia sem muito sucesso. Mônica chorava e rezava diariamente, porém Agostinho continuava sua vida de “marginal”, sem dar ouvidos à sua mãe.

Ele andava com vários amigos e más influências dificultando, assim, a vida de oração de sua mãe. No entanto Mônica jamais desistia de Agostinho, passava o dia preocupada com ele e muitas vezes rezando pedindo a Deus por sua conversão.

Entende-se, após ler “Confissões” de Santo Agostinho que ele era um menino bom, porém ele era fraco e tinha vergonha de ser diferente de seus amigos, por isso se igualava e vivia na promiscuidade, o que pode ser evidenciado no trecho abaixo, retirado do livro “Confissões”:

“Mas eu o ignorava para a minha perdição, com cegueira tal, que me envergonhava diante de meus companheiros, de parecer menos depravado que os outros, quando os ouvia exaltando as próprias infâmias, tanto mais dignas de glória quanto mais infames eram. Eu queria fazer o mesmo, não só pelo fato em si, mas pelo louvor que disso resultava. Nada é tão digno de censura como o vício! No entanto, para não ser censurado, eu mergulhava ainda mais no vício! Quando não podia me igualar a meus companheiros corruptos, fingia ter praticado o que não praticara, para não parecer desprezível pela inocência, ou ridículo, por ser casto” (Conf. II, 3, 7).

Por fim, seus pais conseguiram dinheiro para mandar Agostinho para Cartago continuar os estudos.

Continua…

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