Senhor Bom Jesus

Na festa da exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), contemplamos o Crucificado, traduzido no coração do povo como o Senhor Bom Jesus.

Qual imã espiritual implantado no coração de uma sociedade ferida de tantas dores, os santuários do Bom Jesus recebem a visita de devotos dos quatro cantos da geografia da fé. Reunidos de tantos lugares, todos aproveitam algum momento para orar na presença do Santíssimo Sacramento e diante da imagem de Jesus Crucificado. Pode ser para a resolução de seus negócios, tratamento de saúde, agradecimento por graças alcançadas, etc. Não importa, pois os que se achegam ao Senhor aproveitam o tempo que puderem para o reabastecimento espiritual. Ali sempre vão encontrar outras pessoas em oração, celebram o sacramento do perdão, participam da Missa. Muitos dão o testemunho: “Se chega setembro e eu não vou aos pés do Bom Jesus, fica um vazio… Sinto que ficou faltando algo muito importante para mim”.

É mesmo uma ocasião para se reconhecer que “A Cruz permanece de pé, enquanto o mundo passa!”. Perdemos muito tempo demorando-nos em nossas preocupações, mas Um só é O necessário: Jesus.

Longe de uma atitude de derrota, quem olha para o Senhor Crucificado vê, para além da morte, a vida que renasce. Neste sentido, assim se expressou Paul Claudel: “O Filho de Deus não veio para destruir o sofrimento, mas para sofrer conosco. Ele não veio para destruir a Cruz, mas para sobre ela se deitar. De todos os privilégios específicos da humanidade, foi este que Ele escolheu para Si mesmo, é do lado da morte que Ele nos ensinou a encontrar o caminho da saída e a possibilidade da transformação”. (Paul Claudel in Toi qui es-tu?).

A Palavra de Deus nos ensina: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, (Nm 21, 8s), assim é necessário que seja levantado o Filho do Homem, a fim de que todo aquele que crer tenha nele a vida eterna. Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; quem não crê, já está julgado, porque não creu no Nome do Filho único de Deus. Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque as suas obras eram más. Pois quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus”. (Jo 3, 14 – 21).

O Apóstolo Paulo nos mostra como Jesus aceita sofrer e morrer e nos recorda a atitude de adoração que se deve ter diante de Jesus: “Cristo Jesus, existindo na condição divina, não ambicionou o ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Vivendo tal qual os outros homens, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que, em Nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua confesse: ‘Jesus Cristo é o Senhor’, para a glória de Deus Pai”. (Fl 2, 6-11):

Jesus sofreu para obter para a humanidade o perdão dos pecados. A cruz que Cristo carregou e nela doou sua vida pelo resgate da nossa é a reparação necessária pelos nossos pecados. Ele nos mereceu a salvação.