Três Festas

No calendário cristão, o programa anual é marcado por datas que, por razões diferentes, quase todos esperam sua chegada. Uma delas é, sem dúvida, a Semana Santa. Entre o que se celebra e o sentido a que se atribui a tais eventos há sempre uma distância. Em todo caso, prevalece a esperança de que a boa vontade e o interesse genuíno dos que as lideram alcancem sempre um maior número de pessoas.

São muitas as abordagens que se podem fazer sobre os acontecimentos que foram destaque na última semana da vida temporal de Jesus. Poderíamos considerar que se trata de três grandes festas:

1 – A Entrada Messiânica em Jerusalém: O Evangelho atesta a entrada festiva de Jesus em Jerusalém, sob hosanas, vivas e aplausos de uma multidão de discípulos. É a festa do reconhecimento da realeza do Senhor. A revelação de que Ele veio resgatar o sentido do pastoreio e da missão do rei. É o que serve. Vem montado não em um cavalo, símbolo do poder, da força e dominação, mas num jumento, tal como profetizara Zacarias (Zc 9,9), montaria do pobre.

2 – A Celebração da Ceia do Senhor: Jesus antecipa, ao lado dos seus, a comemoração anual da páscoa judaica e os fatos salvíficos que se dariam no dia seguinte. Em gestos e palavras mostra como se doa pela libertação de toda a humanidade. Como testamento, resume toda a boa notícia numa palavra: Amor, amor-doação, amor-serviço. Confirma que é o Mestre. Deixa-nos a lição: como Mestre e Senhor, lavou os pés dos seus, (este era o trabalho dos escravos), para que seus seguidores traduzissem sua adesão a Ele por meio do serviço ao próximo. Institui o sacerdócio para dar perenidade a seu ato. Dá-nos, enfim, a si próprio como alimento na Eucaristia, ali instituída e atualizada em cada Missa.

3 – A Páscoa da Ressurreição: As duas primeiras festas são prefigurativas desta. Juntas constituem a Grande Festa da libertação da humanidade. Com a Páscoa do Senhor, abre-se a possibilidade da transformação. Nada mais pode deter a vida. Nem a morte, pois a Ressurreição sobre ela saiu vitoriosa. A luz que se acendeu na noite do nascimento do Salvador da humanidade veio alargando seu clarão até alcançar a todos com seus raios fulgurantes. Não há mais noite ou trevas capazes de embaraçar os passos dos filhos e filhas de Deus. Estamos livres para viver, amar e servir!